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Especiais Selectus nº 5928

NZ – Quais as responsabilidades dos fabricantes?

Credibilidade/NZ – Veio uma palavra de alerta esta semana da consultora de laticínios que escreve para o South China Morning Post, Jane Li. Não é preciso ser um gênio para saber da importância da China para o mercado exportador de lácteos da Nova Zelândia e da Austrália.

Fonte: interest.co.nz – Tradução livre: Terra Viva
NZ – Quais as responsabilidades dos fabricantes?

No entanto, Li fez um alerta sobre o fato de os chineses estarem apaixonados pelos produtos lácteos kiwi, não apenas como o leite para bebês, mas também como um meio de ajudar a fortalecer o sistema imunológico e afastar as complicações do Covid-19.

Desde o início, foi vendido à população chinesa os benefícios que o leite pode representar para a saúde. O problema vem quando, pela incapacidade de entendimento, muitas pessoas acreditam que tudo que emana do leite deve ser bom e ter benefícios iguais.

Li destaca a informação publicada pelo Escritório de Estatísticas da Austrália e coletada pela grupo Dairy Australia. A preocupação é relação aos produtos à base de lactoferrina e proteínas do soro de leite, “alimentos completos”, usadas como substitutos de produtos lácteos. Isso é especialmente preocupante quando envolve a dieta de crianças e bebês.

Usando números da Austrália, (e a Nova Zelândia tem perfil muito semelhante), eles mostram que as exportações de produtos com soro de proteína do leite aumentaram astronomicamente. A proteína de soro de leite em pó aumentou de 200-400 toneladas por mês para mais de 1.000 toneladas. O volume de lactoferrina não está disponível, mas, para se ter uma ideia, um tubo de 60 gramas cujo custo de produção é US$ 4,20, estava sendo vendido por preços equivalentes a NZ$ 56,40 a NZ$ 84,60, [US$ 36,38/US$ 54,57].

A maior parte das compras parece ser feita por mães de crianças pequenas que adquirem eles como um suplemento para sua fórmula infantil em pó. A principal razão para essa súbita popularidade são reivindicações feitas através de redes sociais sobre o “poder” dos produtos.

É uma tendência em crescimento que chamou a atenção da Reuters, tanto que eles foram checar as reivindicações. Não surpreendentemente, eles não encontraram evidência alguma de que a lactoferrina ou as proteínas de soro de leite tenham a capacidade de prevenir infecções por vírus corona.

O Instituto da Proteína do Soro de Leite, dos EUA alerta os consumidores: “para ficar bem claro: você não deve pegar uma colher de proteína de soro de leite comprado online ou em qualquer loja de suplemento, misturar a um líquido, e alimentar uma criança”, por causa de uma possível toxicidade da proteína.

Tanto o Departamento de Agricultura, Água e Meio Ambiente da Austrália, como Ministro da Indústria da Nova Zelândia, informam que as fórmulas infantis e a proteína do soro de leite destinadas aos adultos são importadas pela China cumprindo as leis do país e as alegações nos rótulos estão corretas.

Muitas indústrias exportadoras deixam o marketing a cargo de parcerias domésticas da China onde eles podem rotular novamente, ou ainda fazer alegações adicionais, frequentemente dentro das normas do país.

A Nova Zelândia e a Austrália devem se preocupar quando alguém relata que uma criança ou um bebê adoeceu por toxicidade protéica ou alguma forma de deficiência.

O escândalo da melamina em 2008 causou sérios problemas para os exportadores, assim como o medo do botulismo, do qual algumas empresas menores nunca se recuperaram. O risco é que, embora os exportadores não pretendam que suas fórmulas em pó não infantis sejam direcionadas para bebês, parece que quantidade considerável está tendo esse destino.

A produção doméstica de leite e de lácteos na China vem crescendo desde 2018, chegando a ocupar 44% do comércio de fórmulas infantis, e sem dúvida, o segmento gostaria de reduzir a concorrência dos importados. O “abuso” dos pós não adequados para bebês pode muito bem ser jogado na responsabilidade dos produtos importados.    

Embora as vendas atuais sejam bastante compensadoras e importantes para a Nova Zelândia e a Austrália, especialmente nesses tempos de desafios, existe um grau elevado de risco que pode prejudicar a reputação dos exportadores da Nova Zelândia, podendo a China decidir que as importações de leite não seja uma transação tão favorável como antes. A Austrália já está em meio a uma disputa comercial e diplomática com a China que vem causando grandes prejuízos.

Numa época que os consumidores exigem maiores informações a respeito do que eles compram, a rotulagem parece ser um elo fraco na cadeia de suprimentos. A preocupação é com o que pode ser rotulado como produzido na Nova Zelândia, quando na realidade é muito mais abrangente, pois a maior parte dos produtos são originários do exterior. É preciso corrigir esse problema, pois pode causar uma grande estrago na reputação dos produtos neozelandeses. Mas, como controlar “alterações” depois que o produto deixa nossa jurisdição? Isso é o mais difícil, e os episódios do mel de Manuka são clássicos. Leis e regulamentos podem ser impostos, mas, se não forem seguidos, de nada adiantarão.

A solução ainda precisa ser encontrada. Um começo pode ser bons canais de comunicação com os outros países e as partes envolvidas. 

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