Rabobank diz que produtores estão sentindo aperto
Produção – De acordo com um novo relatório do Rabobank, todos os elos da cadeia de valor dos lácteos estão sendo espremidos. O

O preço do leite ao produtor caiu em relação aos altos níveis de 2022, enquanto os preços da alimentação animal permanecem em níveis recordes. As indústrias e cooperativas de laticínios começaram o ano vendendo com descontos, produtos elaborados com leite caro, para redução dos estoques. Enquanto isso, a alta inflacionária e as elevadas taxas de juros pressionam os consumidores a adotarem um comportamento de compras mais frugal.
Um crescimento da produção de leite na comparação interanual surgiu em 2023 nas principais regiões exportadoras, em comparação com os baixos níveis de 2022. Ao mesmo tempo, o preço do leite ao produtor está acompanhando a tendência do mercado global de commodities e cai. Os elevados custos dos insumos permanecem, sendo um grande desafio em todo o mundo, que combinados com os preços mais baixos do leite, pressionam as margens a nível de fazenda. O resultado é o aumento das taxas de abate de vacas leiteiras.
“A previsão é de que a produção de leite, em 2023, nas regiões exportadoras dos Big 7 (União Europeia-UE; Estados Unidos da América-EUA; Austrália, Brasil, Argentina e Uruguai) cresça 0,7% na comparação interanual com 2022, depois do declínio de 0,9%, no ano passado, em relação a 2021” disse Mary Ledman, estrategista do setor lácteo global do Rabobank.
“O Rabobank reviu para menos suas previsões para 2023 em relação à estimativa de 1% do trimestre precedente. Essa lentidão no crescimento é atribuída ao aumento dos abates nos EUA e aos desafios da produção relacionados às condições meteorológicas na Nova Zelândia, Brasil e Argentina”.
Incertezas dos preços continuam
As incertezas dos preços no mercado lácteo permanecem em todas as regiões e atinge todos os produtos lácteos. Um pouco mais de leite e ligeira redução da demanda contribuíram para enfraquecer os preços dos produtos lácteos no primeiro trimestre de 2023. Entretanto, os níveis dos estoques nas principais regiões exportadoras não são muito elevados. Os preços de queijo e manteiga tiveram melhores desempenhos, enquanto que os mercados do leite em pó desnatado e leite em pó integral não encontraram uma base sólida.
Os consumidores não estão alheios à situação. Em um complexo ambiente macroeconômico, onde a inflação é alta, há crescentes sinais de desaceleração do consumo das famílias, devendo continua com sua deterioração no decorrer dos próximos meses. “Os consumidores não abandonaram os corredores dos produtos lácteos”, declarou Ledman. “Mas, eles procuram uma melhor relação qualidade/preço”.
De olho na demanda chinesa
Os menores preços globais do queijo, leite em pó, e soro, na comparação interanual deverão apoiar as exportações. No entanto, a política interna da China e a resiliência da demanda em geral serão determinantes para sustentar os preços dos produtos lácteos em 2023.
O comércio global dos lácteos em 2022 foi melhor do que as expectativas, apesar da retração da China. Importadores chaves como México, Indonésia, Japão, Argélia e Coreia do Sul, entre outros, superaram os níveis de 2021.
“Até novembro de 2022, o volume total do comércio de produtos lácteos era inferior em 1,5% em comparação com o ano anterior, apesar da redução em torno de 20% das importações chinesas”, disse Ledman.
Com a reabertura da China, o Rabobank prevê que os serviços de alimentação no país aumentarão de 1% a 2% em relação ao nível antes da Covid-19.
“Olhando para o futuro, as importações de lácteos pela China no primeiro trimestre de 2023 deverá ficar aquém dos níveis de um ano atrás, com um interesse renovado, no entanto, a partir do segundo trimestre deste ano. A expectativa é de que haja um leve aumento na comparação interanual das importações no segundo semestre de 2023”, disse Ledman.
















