08 de Março - Dia da mulher: A presença feminina nas atividades do setor lácteo.
Lácteo - Poderíamos dizer que a atuação das mulheres no campo e principalmente com o leite é algo novo, pois ganharam maior visibilidade nessas áreas de atuação de trabalho entre o final do século passado e o século XXI, mas esta não seria uma afirmação verdadeira.

O fato, é que as mulheres sempre estiveram presentes no processo de desenvolvimento do mercado lácteo, principalmente na produção de derivados do leite. Se nos atentarmos cronológica e historicamente às etapas de produção de alimentos, quaisquer que sejam, perceberemos que elas eram direcionadas para as cozinhas das famílias e cabia exclusivamente a mulher suprir a necessidade daquelas pessoas, ou seja, preparar o alimento, foi de maneira simples como esta que surgiram os mais diversos produtos derivados de receitas familiares, passados por gerações até que se tornaram tradição e parte cultural de uma sociedade. Pause um momento a sua leitura para pensar nos laticínios ou queijarias artesanais da sua região e observe como elas surgiram, a maioria recebera o nome da família, geralmente carregam consigo a identidade das mulheres que ao longo dos anos passaram a atividade de produzir queijos de mãe para filha e assim sucessivamente. Te convido a levar o seu pensamento agora para a França, especificamente para o ano 1791 na comuna francesa de Camembert, ali fora criado o queijo que hoje carrega não só a identidade da mulher que o criou, Marie Harel, mas de todo um país. Portanto, as mulheres sempre estiveram presentes na atividade e desenvolvimento do setor lácteo.
Os estereótipos profissionais interferem nas escolhas das mulheres para exercerem funções no setor lácteo?
Talvez, esta seja a pergunta que possa direcionar o motivo de encontrarmos em menor proporção o número de mulheres em espaços acadêmicos ou em frentes a negócios e bancadas de atuação do setor lácteo brasileiro.
A segregação de gêneros no espaço de estudo e atuação do meio rural, meio de produção e meio industrial que envolvem os processos do setor lácteo, presentes ainda atualmente, estão enraizados no período do acesso precário das mulheres ao ensino, período este quando o conceito industrial desenvolveu o modo operário de mão de obra qualificada, daí o desenvolvimento da Ciência do Leite, consequentemente as mulheres foram forçadas a se afastarem destes núcleos. Fatos sociais como este geraram o afastamento das mulheres em diversas atividades, aquelas que puderam ainda assim serem presentes passaram muitas vezes por mau julgamento ou foram levadas a desacreditar no ingresso profissional no setor lácteo. Gradativamente, este cenário está mudando, graças a presença de pelo menos uma mulher atuante nestas áreas, que se tornaram inspiração e motivação para outras, e semeiam uma boa semente: a capacidade da mulher de conquistar o mercado lácteo!
É provável que o próprio estereótipo preconceituoso criado sobre as atividades agrárias, tais como “caipiras”, a ignorância a respeito desta atividade econômica fundamental para o país, podem ter tirado o desejo de progredir neste ramo, há ainda quem olhe para as atividades rurais, no campo, com menosprezo, desconhecem o seu valor, deixando de ser atrativo, principalmente na era em que as pessoas são mais suscetíveis a “influencers” e os influenciadores digitais trazem consigo como oportunidade de crescimento profissional ou forma de ganho, na sua maioria, atividades que envolvam somente mídias digitais, ingresso à fama, etc. Mas, o mercado lácteo é um diamante bruto! Lapide-o!
Atualmente, o que leva as mulheres a ingressarem nas atividades do setor lácteo?
Para responder esta pergunta, conversei com três grandes mulheres com atuação em áreas distintas do universo lácteo. Mulheres que conseguem inspirar outras mulheres a serem presença no mercado lácteo, são elas: Simone M. de Andrade Couto, diretora administrativa e proprietária da empresa Rica Nata, de Piracema - MG, Maria Rosinete de Souza Effting, proprietária e empreendedora da Cabanha Guinther e Queijaria Guinther, de Braço Forte - SC, e Luiza Carvalhaes de Albuquerque, assessora técnica de marketing do Site Ciência do Leite e muito reconhecida pelos longos anos em que foi Coordenadora de Transferência e Difusão de Tecnologia do Instituto de laticínios Cândido Tostes, de Juiz de Fora - MG.
















