Argentina – Seca extrema: Plantação de soja liberada para alimentar as vacas
Seca/AR – Atravessando o terceiro ano consecutivo de chuvas abaixo da média, atualmente mais da metade da Argentina está seca.

A situação é crítica. Em Santa Fe e Entre Ríos, não existe um metro quadrado de território que não esteja sendo afetado pelo déficit hídrico que arrasou os cultivos e pastagens, obrigando os produtores a se desfazerem de seus animais por falta de forragens e está provocando uma grande mortandade de animais.
Em Crespo, na Província de Entre Ríos, o produtor Fabio Schneider, diante da alucinante necessidade de alimentar suas 60 vacas, apelou para o único verde que restava em pé: o cultivo de soja que seria destinado a grãos e que apenas sobrevivia, e estava com pouco desenvolvimento, em cenário de seca prolongada e temperaturas muito elevadas que persistem por semanas.
“As vacas, desesperadas para comer algo verde, vão correndo até o último recurso que resta”, contou Schneider, enquanto mostrava os animais entrando em uma área de 17 hectares plantadas com a oleaginosa.
Trata-se de uma soja plantada cedo que recebeu uma ligeira chuva que permitiu nascer mas depois teve um crescimento escasso. “Os que conhecem o assunto, sabem quanto isso pode durar”, disse o produtor, dando conta do exíguo aporte forrageiro que representará esse cultivo diante de tanta necessidade. “Depois não haverá mais nada. A situação é desesperadora porque são seres vivos que precisam comer: O que vamos fazer com estas vacas quando não tiver mais nada? É algo lamentável o que estamos passando hoje”, completou Schneider.
“O produtor mostra um lote de alfafa severamente prejudicado e com grande mortalidade de plantas. Vídeo. “A situação é muito desesperadora. Deita-se de noite e levanta-se de manhã pensando no mesmo problema: o que vamos fazer depois? Somos três gerações de produtores de leite. Muitas coisas dependem de nós, não somente a produção própria, mas toda a cadeia de valor agregado iniciada na fazenda, desde o leite que sai da vaca até chegar à gôndola. Existe uma grande quantidade de mão de obra que será atingida”, disse Schneider. E perguntou: De onde vamos tirar o leite? Vamos importar?
















