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Especiais Selectus nº 6499

Espanha – Os preços nas nuvens: o que está por trás da subida?

Espanha – A inflação vem impactando fortemente a cesta básica, mas um produto que, nos últimos meses tem sido o protagonista de altas é o leite.

Fonte: Fonte: Portalechero – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Imagem de Wolfgang Ehrecke por Pixabay
Espanha – Os preços nas nuvens: o que está por trás da subida?

Se olharmos os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), tanto o integral como o desnatado subiram 20,9% entre janeiro e outubro de 2022. Se tomarmos como referência o mês de outubro de 2021 o reajuste alcança 25,3% para o leite integral e 25,5% para o leite desnatado. Por outro lado, os últimos dados informam que o leite está entre os produtos que mais subiram no mês anterior, 1,2%.

O que está por trás desses aumentos? Os elevados custos de produção, que enfrentam os produtores (eletricidade e ração) pela crise de energia e a guerra da Ucrânia, que juntas estão fazendo o número de fazendas leiteiras caírem nos últimos anos, e também o rebanho leiteiro. Além de outros problemas estruturais do setor, como as críticas do setor primário em relação ao não cumprimento da Lei da Cadeia de Alimentos, que proíbe a venda do leite para a indústria com um preço abaixo do custo de produção.

Menor oferta: queda no número de fazendas leiteiras e de animais

Fontes da Asaja, a principal organização rural da Espanha, atribuem a situação atual a “uma falta generalizada de oferta” que tem dois motivos; o primeiro a forte queda no número de fazendas produtoras de leite desde 2015, estimadas em 11.700 atualmente pelo Ministério da Agricultura, após o desaparecimento de 7.000 fazendas nos últimos 7 anos.

O segundo motivo é o número de vacas, que diante do incremento dos custos de produção, está tornando muito mais tentador enviar os animais mais velhos e menos produtivos para o abate, “já que o quilo de carne está sendo pago a € 6,00, quando o normal seria € 3,00”. Uma forma dos produtores recuperarem parte da rentabilidade. Segundo o “Informe de Coyuntura do Sector Vacuno Leche do Ministério da Agricultura, em outubro o censo de vaca de leite na Espanha foi de 790.250 vacas. Isto é 3,9% menos em relação ao mesmo mês do ano passado, e queda de 0,4% em relação a setembro. As cifras mais recentes sobre o abate de animais são de junho deste ano, e houve aumento de 3,70% no número de bovinos abatidos (incluindo as vacas), em relação ao mesmo mês de 2021.

Custos de produção: eletricidade e ração...

A inflação pesa tanto para os produtores de leite, como para a indústria. Nas palavras do diretor da Federação Nacional de Indústrias de Laticínios (Fenil), Luis Calabozo, na transformação estima-se um incremento de 80% nos custos de energia (as indústrias de laticínios gastam muito para produzir calor e estão incluídas dentro das indústrias eletrointensivas), o que representa um gasto significativo para elas, embora o maior custo venha da compra de leite cru. Existe um alerta sobre as dificuldades que enfrentam “algumas já estão com suspensões temporárias de produção e outras em extinção”. Na produção de queijo, muitas pequenas e médias indústrias, simplesmente estão fechando.

Para os agricultores a situação não é melhor. O Índice de Preços pagos aos agricultores, elaborado pelo Ministério da Agricultura, detectou importantes altas dos insumos, entre julho de 2021 e o mesmo mês deste ano: alimentação do gado (+37,71%), eletricidade (+99,5%), produtos veterinários e medicamentos (+22,65%).

Um setor deficitário na Espanha

Nossa balança comercial de lácteos continua sendo deficitária, ainda que nossa dependência seja pequena. Segundo o Boletim do Ministério da Agricultura, entre agosto de 2021 e julho de 2022 foram exportadas 80.982 toneladas de leite (+15%) diante de 98.573 toneladas importadas (+7%). Tudo isso, com um consumo até julho deste ano, de 227.340 toneladas de leite nas residências. Uma queda de 9,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Lei da Cadeia de Alimentos

A organização agrária COAG estima que o índice de Preços da Origem ao Destinos dos Alimentos (IPOD), elaborado mensalmente, foi de € 0,47/kg de média para o leite cru vendido pelo produtor em outubro e em € 0,93/kg o preço médio pago pelo consumidor. Falamos de uma diferença de 98%. As indústrias, representadas pela Fenil, afirmam que os produtores tiveram aumento de 48% em sua remuneração, diante do IPC de 21% do leite em outubro. “Isto representa para uma família de 4 pessoas, um aumento anual de 19 euros, de menor impacto no orçamento” minimizou Calabozo.

Mas nem sempre foi assim. Durante anos, os preços foram tradicionalmente baixos na origem. Por exemplo, os boletins elaborados em junho de 2021 pelo Observatório da Cadeia Alimentar (Ministério da Agricultura) constataram que os produtores venderam abaixo do custo de produção sua matéria-prima para a indústria durante as temporadas de 2018, 2019, e 2020. De fato, o preço médio recebido pelos produtores variou de € 0,32 a € 0,33/litro, para um custo médio de produção de € 0,35/litro.  

Acesse aqui a matéria na íntegra

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