Boletim Macro FGV IBRE prevê desaceleração do crescimento econômico
Incertezas - Como aponta o Boletim Macro FGV IBRE de outubro, já em circulação, depois de uma recuperação da atividade econômica que superou as previsões, há uma expectativa de forte desaceleração do crescimento econômico, com reversão parcial dos ganhos, tanto na atividade econômica como no mercado de trabalho. O PIB deste ano pode fechar com um crescimento entre 2,5% e 3%, o que é uma melhora significativa.

O Boletim sinaliza três fatores que podem levar a uma reversão de expectativas, com impactos negativos sobre a economia brasileira.
• O primeiro é a deterioração do cenário externo, com menos crescimento, dólar forte, menor liquidez e preços de commodities mais baixos. Mundo afora, e nas economias desenvolvidas em especial, a inflação continua persistentemente alta. A despeito da desaceleração na demanda global por bens, os núcleos de inflação seguem em patamares muito elevados.
Alguns exemplos são citados, para mostrar que a economia mundial desacelera no ano que vem. “Na China, as perspectivas não são nada favoráveis. O setor de serviços mostra contração, de acordo com o índice de gerentes de compras (PMI) Caixin, que marcou um resultado de 49,3 em setembro, contra 55,0 em agosto. Essa queda encerrou três meses de expansão na atividade, com o índice caindo abaixo de 50%, valor que separa expansão de contração. E medidas adotadas recentemente para conter novos surtos de Covid-19 devem prejudicar ainda mais o setor. A expectativa é que a China cresça apenas 3,2% neste ano.”
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu em 0,2 ponto percentual a projeção de crescimento mundial no ano que vem, para 2,7%. É a expansão mais fraca desde 2001, excluindo o auge da Crise Financeira Global, em 2009, e a fase aguda da Covid-19, em 2020. Segundo o FMI, há possibilidade de um terço dos países que o Fundo acompanha entrarem em recessão em 2023. Entre os destaques negativos está a previsão de contração na Alemanha e na Itália, com o Reino Unido crescendo muito pouco e os EUA desacelerando para 1%, após expectativa de crescimento de 1,6% este ano.
Ainda segundo o FMI, “a saúde futura da economia global depende criticamente da calibragem bem-sucedida da política monetária, do curso da guerra na Ucrânia e da possibilidade de mais interrupções do lado da oferta relacionadas à pandemia, por exemplo, na China”.
• Um segundo elemento que vai contribuir para desacelerar nosso crescimento é o efeito defasado do aperto monetário realizado pelo Banco Central do Brasil. Isso tende a se dar especialmente por meio da perda de dinamismo do crédito às famílias, que se mostrou mais forte do que o esperado este ano, ajudando a alavancar o desempenho positivo da economia brasileira em 2022.
Diz o Boletim: “em um contexto de alta expressiva da taxa de juros reais, as famílias têm menor capacidade de rolar suas dívidas, com aumento da inadimplência, e consequentemente, o encarecimento do crédito à frente. Adicionalmente, os dados divulgados pelo Bacen mostram que o custo de captação tem aumentado e que as modalidades que mais crescem são as mais caras, denominadas emergenciais, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial, que são mais acessadas em momentos de dificuldades. E, não menos importante, o endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro fechou julho em 53,1% da renda (último dado disponível), novo recorde da série histórica. Em junho, era de 52,9%. Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento ficou em 33,6% da renda, também recorde na série. O comprometimento de renda das famílias com dívidas bancárias (juros e amortizações) terminou julho em 28,6%, um aumento em relação ao mês anterior e um novo recorde histórico”.
















