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Especiais Selectus nº 6484

Espanha – Não há leite, nem tampouco preço

Preços/Espanha – Em julho de 2021 centenas de pecuaristas produtores de leite, dos pouco mais de 400 que ainda sobreviviam em Andaluzia, foram às ruas com o tema “Com o leite no pescoço” para protestar sobre a situação de asfixia que estavam sofrendo diante da falta de rentabilidade que provocava resultava no encerramento da atividade nas fazendas.

Fonte: Fonte: Agrodigital – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Imagem de Roy Buri por Pixabay
Espanha – Não há leite, nem tampouco preço

A entidade que representa o setor, a COAG Andaluzia, junto com outras organizações e cooperativas iniciou um processo de mobilizações nas quais pediam preços justos para o leite de vaca, um alimento básico que se encontrava sob a ameaça de desabastecimento.

Um ano depois, já é uma realidade: não há leite suficiente em Andaluzia, onde as circunstâncias resultantes da guerra Rússia-Ucrânia vieram se somar aos efeitos de uma severa seca que disparou os custos da alimentação para o gado que já acumulam alta de 40% em um ano.

Assim, o inalcançável incremento dos custos de produção foi a pressão final a

sobre um setor que já se encontrava muito endividado pelos baixos preços, dominados pelas grandes cadeias de distribuição, provocando a ruína e o fechamento de inúmeras fazendas leiteiras nos últimos anos em Andaluzia.

Ou seja, ruína sobre mais ruína. Os pecuaristas precisam decidir entre fechar as fazendas para não continuar multiplicando as dívidas, ou vender vacas para o abate, obter algum alívio dos custos no curto prazo. A consequência direta de tudo isso, tal como advertiu a COAG nas mobilizações de 2021, é uma perda considerável da produção de leite em Andaluzia: não há leite suficiente, o que sem dúvida é um problema para toda a sociedade.

Apesar da escassez, as grandes cadeias de distribuição resistem em pagar um preço justo que cubra os custos de produção e propicie um mínimo de rentabilidade aos produtores. É preciso lembrar que a rede Mercadona tornou público o problema da falta de leite de sua marca de distribuição (Hacendado), culpando os produtores.

Para a COAG Andaluzia, a solução imediata é muito clara: se querem leite, que paguem um valor justo. E atualmente, um preço mínimo que cubra os custos e não leve os produtores à falência, é em torno de € 0,60/litro. Se o pagamento não for justo, a produção de leite em Andaluzia continuará caindo.

Definitivamente, a situação é grave e, a COAG Andaluzia, cobra soluções urgentes para um tema que já atinge toda a sociedade. É preciso cumprir a Lei da Cadeia Alimentar que proíbe a venda de produtos abaixo dos custos de produção, não somente para sobrevivência da produção leiteira, mas de todo o setor agrário, já que o desabastecimento se estenderá a outras produções, como o leite caprino, se não forem tomadas as medidas necessárias. Está em questão a alimentação: se o campo não produz, a cidade não come.

Acesse a matéria na íntegra

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