França – Descapitalização e meteorologia fizeram a captação de leite cair neste verão
Produção/França – O Instituto Pecuário francês (Idele) explica o recuo na captação de leite do verão, como resultado da descapitalização e condições meteorológicas desfavoráveis à produção de forragens, mas também o desestímulo com as pequenas margens para os produtores. A situação afeta a fabricação de produtos e o comércio exterior.

Os indicadores “acenderam a luz laranja” para o leite de vaca na França, explica o Idele em suas tendências para o mês de setembro.
“Durante o verão, a produção de leite foi fraca na França, praticamente em todas as bacias leiteiras. Paralelamente, o preço do leite continuou a subir, mas com grande defasagem em relação aos preços da Alemanha, atingindo níveis historicamente elevados. Os produtores sofrem fortes pressões de custos, mas também os incidentes climáticos graves (onda de calor e seca na Europa, mas também na América do Norte; inundação na Oceania) que são muito desfavoráveis à produção de forragens.
Apesar da oferta limitada de leite, os preços do leite em pó desnatado caíram inesperadamente neste verão. A demanda internacional, particularmente a chinesa, parece menos ativa, enquanto que as indústrias retomaram a produção em alguns países europeus, em detrimento dos queijos. Como explicar esse paradoxo?”
De fato, a captação continua caindo. Em junho, atingiu o menor nível desde 2013. O Idele observa um declínio do rebanho, “sinal de uma estabilização da produtividade animal, provavelmente sob o efeito do uso moderado de ração concentrada que se tornou muito cara”. A captação foi estabilizada em julho, antes de cair novamente em agosto, de acordo com as pesquisas semanais realizadas pela FranceAgriMer. Causa provável: “uma forte contração do rebanho em lactação, combinada com a nova onda de calor em toda a França e uma produção insignificante de pastagens em quase todas as bacias leiteiras”.

Descapitalização
Depois de enfraquecer no primeiro semestre, a redução do plantel leiteiro foi acelerada durante o verão: -1,8% (ago/2022/ago/2021) no início do mês, registrando 3,42 milhões de cabeças. O Idele destaca a queda livre no número de novilhas de reposição (em julho, -13% em relação a 2021).
“A escassez de capim e o alto custo da ração concentrada podem ter feito com que alguns produtores tenham antecipado a secagem das vacas não prenhes para ajustar o rebanho às disponibilidade de alimentos”.
Margens pouco incentivadoras
Os preços do leite padrão chegaram ao recorde em junho de 439 €/1000 litros (+21% em relação a 2021) e se situaram em julho e agosto entre 405 € e 460 €/1000 litros. Mas este aumento é moderado em comparação com os preços praticados no resto da Europa e a diferença aumentou mais ainda em relação ao preço convencional da Alemanha € 540/1000 litros em julho. Ao mesmo tempo, os custos permanecem altos. O Índice de Preços para compra dos meios de produção agrícola (Ipampa) para o leite de vaca, foi 21% maior na comparação com um ano antes, e 31% acima do índice de julho de 2020. Após 24 meses de aumentos, apresentou uma ligeira queda entre um mês e outro, mas o Idele lembra que a conjuntura internacional incerta (mercado de grãos e energia) “torna difícil fazer previsão sobre a evolução do Ipampa, e portanto, dos custos nos próximos meses”.
A margem Milc (a diferença entre os produtos e seus custos) no mês de junho “atingiu seu maior nível desde dezembro de 2017” 120 €/1000 litros. “A alta do preço do leite (+80€ foi quase integralmente engolida pelos custos (+72€)” explica o Idele, mas a renda com a venda de carne (+24€/1000 litros) permitiu que o índice ultrapassasse em 32 €/1000 litros o nível de junho de 2021”.
Entre o preço do leite alto e a “ligeira redução dos custos”, o Milc pode melhorar ainda em julho... “mas permanecerá em um nível relativamente pouco estimulante “para a produção de leite.
















