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Especiais Selectus nº 6449

Espanha – Porque os pecuaristas sacrificam as vacas para evitar a ruína?

Paradoxo/Espanha – O campo está há quase um ano mais afogado do que nunca.

Fonte: Fonte: Vozpópuli - Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Imagem de Richard Chalmers por Pixabay
Espanha – Porque os pecuaristas sacrificam as vacas para evitar a ruína?

São tantos os problemas a enfrentar que já nos acostumamos às crises. Faz uns dias descobrimos um novo dado, que reflete uma dificuldade a mais: o sacrifício de vacas leiteiras aumentou em até ́20% em algumas regiões da Espanha no último ano, e 10% ao nível nacional. O principal motivo é que vender carne é mais rentável do que manter as vacas para produzir leite com os custos em alta, colocando em risco o abastecimento de lácteos.

Segundo os últimos dados do Ministério da Agricultura, o número de bovinos (carne e leite) enviados para abate subiu 10,10% na comparação interanual em maio (último mês disponível) e 7,15% no acumulado de janeiro a maio. Em algumas regiões, como na Astúrias, o aumento do abate chegou a 20%, e as perspectivas futuras são bastante pessimistas.

O setor leiteiro olha o problema com cautela: “A situação é crítica, mas por enquanto não é desesperadora”, explica a Vozpópuli o responsável do setor lácteo da entidade rural UGAM-COAG, Gaspar Anabitarte. O problema explodiu por um conjunto de dificuldade que levaram os pecuaristas a tomar esta decisão que não é “absolutamente fácil”: a estratosférica elevação dos preços, especialmente de forragem, os elevados custos de produção, principalmente pelo preço da eletricidade e as secas criaram um coquetel definitivo para dezenas de produtores que se viram na necessidade de ter que desfazer-se de suas vacas.

O presidente da principal associação de produtos de leite da Espanha (Agaprol), Francisco Fernández, justificou o aumento do abate de vacas: os pecuaristas “estão praticamente sem rentabilidade e, em muitos casos, perdendo dinheiro”. Diante desta situação, a opção é “sacrificar as vacas, gerar liquidez e dar de comer o resto que produz mais leite”, acrescentou em declarações à agência EFE esta semana.

“Existem inúmeras incertezas em todo o setor”, e a situação é “crítica”, diz Anabitarte, pedindo, no entanto, que se mantenha a calma, porque são “adaptações” que o setor tem que fazer de vez em quando, para enfrentar distintas crises que prejudicam o campo.

Problemas com a oferta de leite

Em um ponto todos concordam: a oferta de leite será um problema nos próximos meses. Há tempos, os boletins do Governo informam: a produção de leite na Espanha começou a descer em março, quando registrou queda interanual de 1,4%, e em junho o retrocesso foi de 2,7%.

Com a redução do número de vacas de leite, a produção de lácteos vai cair consideravelmente e portanto, o produto será muito mais limitado. "Haverá desabastecimento nos próximos meses, isto é certo. Mas, de novo, é preciso manter a calma. Nos supermercados ‘normais’, no dia a dia, as pessoas deverão esperar o dia seguinte para levar o frasco de leite. Mas não será algo dramático”, destacou Anabitarte.

Apesar de tudo, os analistas se mostram otimistas e consideram que nos próximos meses o preço de venda do leite na origem pode cobrir os custos de produção, com o que se colocaria um freio nesta tendência de sacrificar mais vacas. “São tendências do mercado às quais precisamos nos adaptar”, acrescentou o representante da COAG.   

Acesse aqui a matéria na íntegra  

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