Pular para o conteúdo
TerraViva TerraViva®O site do agronegócio do leite desde 1995
Piracanjuba
Especiais Selectus nº 6427

Os antigos humanos consumiam leite muito antes de poder digeri-lo

Leite – Um estudo publicado na Nature mostra que desde o Neolítico os humanos tomavam leite, mesmo quando havia intolerância à lactose.

Fonte: Fonte: Clarin – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Photo by Christopher Ott on Unsplash
Os antigos humanos consumiam leite muito antes de poder digeri-lo

Os povos pré-históricos da Europa bebiam leite milhares de anos antes de desenvolverem a adaptação genética que permite aos adultos digerir a lactose, uma característica que evoluiu não para que pudessem beber mais lácteos, mas estava ligada à fome e a doenças infecciosas.

Um estudo publicado na Nature pela Universidade de Bristol e a University College de Londres (Reino Unido), com participação espanhola, traçou um mapa dos padrões de consumo de leite dos últimos 9.000 anos.

Foram analisados resíduos de gordura animal em fragmentos de cerâmica de 554 sítios arqueológicos, entre eles o Portalón de Cueva Mayor em Atapuerca (Burgos, norte da Espanha), e fizeram análises do DNA de indivíduos antigos e modernos para entender como surgiu e evoluiu a tolerância.

Os humanos já bebiam leite no Neolítico, se bem que seu consumo variou por regiões e épocas, e quase todos os adultos eram intolerantes ao seu açúcar, a lactose.

Um traço genético ausente

Os mamíferos em sua infância podem digerir a lactose usando a enzima lactase, mas ao tornar-se adultos a maioria deixa de produzi-la, no entanto, uma mutação no DNA permite a persistência da lactase.

A análise dos dados do DNA de indivíduos pré-históricos euroasiáticos ao longo do tempo detectou que esse traço genético não foi comum até perto do ano 1.000 a.C. Isso são quase 4.000 anos depois de ter sido detectado pela primeira vez, entre 4.700 e 4.600 a.C.

A persistência da lactase era um traço genético ausente no Neolítico, que se estendeu durante a idade de Bronze, tornando-se cada vez mais comum até a atualidade.

É surpreendente que, apesar de haver domesticado cabras, ovelhas, vacas e camelos há muitos anos e consumir leite e seus derivados, a adaptação genética só tenha se fixado vários milênios depois e de forma muito rápida, disse à EFE, José Miguel Carretero, do Laboratório de Evolução Humana da Universidade espanhola de Burgos e um dos autores do estudo.

As mudanças genéticas que favoreceram a persistência da lactose são uma das adaptações genéticas mais influentes e que mais rapidamente se desenvolveram nas populações humanas nos últimos 10.000 anos, escrevem os pesquisadores.

Até agora, se supunha que a tolerância à lactose teria surgido para permitir o consumo de mais leite e lácteos, mas esta nova pesquisa conta uma história diferente.

A fome e a exposição a patógenos zoonóticos são os fatores que “melhor explicam” a evolução da tolerância à lactose, pois a modelização dos dados genéticos e arqueológicos não mostrou uma relação forte entre tomar leite e o aumento da persistência à lactose.

Além disso, foram analisados dados de europeus atuais que estão guardados no Biobanco do Reino Unido para ver a relação entre, consumo de leite e saúde, destacou Carretero.

O resultado foi que seu consumo “não fornece vantagens” em pessoas com intolerância à lactose em relação às outras, explica o antropólogo e integrante do projeto Atapuerca, por isso teria que haver “outros motivos que tornassem mais comuns os indivíduos com persistência da lactase”.

Consumo é ampliado para 9 mil anos

O consumo de leite na Europa foi ampliado pelo menos para 9.000 anos e as pessoas sadias, inclusive os intolerantes, podiam tomá-lo sem grandes problemas, ainda que causasse nestes, cólicas, flatulências e diarréia.

Em situação de fome, quando uma colheita falhava ou diminuía o gado disponível, tornava-se obrigatório o consumo de leite cru ou pouco fermentado, disse Carretero.

Nestes momentos os intolerantes ficavam em desvantagem, pois ficavam desnutridos, debilitados, e – destacou – ainda tinham diarréia por tomar muito leite cru, e então colocavam em perigo sua vida.

Algo similar ocorria em épocas de pandemia, que “requerem densidades populacionais elevadas para que o patógeno se prolifere”. A partir do Neolítico começam a formar-se os grandes núcleos populacionais, onde os espaços eram compartilhados com animais domésticos.

Assim, em épocas de fome, epidemias infecciosas ou ambas, o elevado consumo de leite cru, quase que por obrigação, havia o fato de que os intolerantes à lactose tivessem mais probabilidade de morrer antes ou durante seus anos reprodutivos, fazendo aumentar a frequência populacional do gen da persistência à lactose até os níveis atuais.

A equipe liderada por Mark Thomas da University College de Londres introduz um novo método estatístico de indicadores de fome passadas e de exposição a patógenos, e os resultados confirmaram essa teoria.

Os antigos humanos consumiam leite muito antes de poder digeri-lo

Para aprofundar na co-evolução da pecuária leiteira e a persistência à lactose, a equipe dirigida por Richard Evershed, da Universidade de Bristol, criou um mapa do consumo pré-histórico do leite, analisando resíduos de gordura animal de 13.181 fragmentos de cerâmica.

A pesquisadora da Universidade espanhola de Burgos, Marta Francés, que participou das análises, explicou que identificaram os lipídios que geralmente se conservam no interior das cerâmicas, os quais são obtidos através de processos químicos.

Os mais “sensíveis” de serem identificados são de origem animal terrestre e, em geral, dá para identificar a que grupos de animais pertencem, por exemplo, ruminantes ou não, embora não se possa separar por espécies.

Fonte: Clarin – Tradução livre: www.terraviva.com.br

Link: https://www.clarin.com/internacional/antiguos-humanos-consumian-leche-poder-digerirla_0_fBVxKj2znS.html

G100
Publicidade
Tirolez
Publicidade
Arla Foods Ingredients