Uruguai – Um trem chinês para os lácteos uruguaios
Exportações/UR – Com o anúncio do presidente da República, Luis Lacalle Pou, de que começaram as negociações entre o Uruguai e a China para assinatura de um Tratado de Livre Comércio (TLC), abre-se um novo capítulo na história comercial do país.

Deixa-se para trás a inércia do Mercosul e se sentarão para negociar com a segunda principal potência econômica do mundo, que é o destino de mais de 30% das exportações uruguaias.
Para o setor primário é uma excelente notícia porque, pois a concretização representará melhora nas condições de acesso dos principais itens de exportação do Uruguai. Sem dúvida, é a notícia mais alvissareira dos últimos anos. A maioria dos produtos agroindustriais tem como principal destino o mercado chinês e para muitos outros, caso do leite em pó integral, que é o segundo principal importador.
Gonzalo Oleggini, especialista em comércio internacional, disse ao programa Valor Agregado da rádio Carve, que normalmente as negociações de um TLC levam um ano e meio. Se isso ocorrer, no início de 2024 poderá estar sendo assinado o acordo. Será um marco para a produção primária uruguaia.
A China não é um país fechado à importação de alimentos. Muito pelo contrário, tem tarifas que, em geral, são relativamente baixas se comparadas com outros importadores, uma vez que tem vocação para fazer acordos comerciais com grandes exportadores de alimentos para melhorar as possibilidades de importação a baixo custo. Um TLC não é favorável para todos os setores dos países que o firmam, mas, ainda no caso do Uruguai, um pequeníssimo país em comparação com o gigante asiático. Mas no caso dos produtos agroindustriais, têm tudo para ganhar.
O leite em pó integral, principal produto lácteo exportado pelo Uruguai, paga uma tarifa alfandegária de 10% para entrar no mercado chinês. A Nova Zelândia, que supre 90% do leite em pó integral importado pela China, tem um TLC desde 2019, e a tarifa é 0%. Na realidade, todos os produtos lácteos neozelandeses têm tarifa Zero para entrar na China desde 2019, alguns desde 2017. A Austrália está em processo de desgravação através de um TLC com a China – foi firmado no final de 2015 – e a taxa é menos da metade da paga pelo Uruguai.

No primeiro semestre de 2022 o Uruguai exportou US$ 403 milhões em produtos lácteos, de acordo com dados da Alfândega. O principal destino foi a Argélia com US$126 milhões (31,2%), em segundo veio a China com US$ 63 milhões (15,6% e o Brasil completou o pódio com US$ 51 milhões (12,7%).
O leite em pó integral representa 90% dos embarques para a China, produto que paga 10% de tarifa alfandegária. O importador, portanto, além de pagar o valor FOB do produto e o custo de transporte, agrega um adicional de 10% sobre a soma de ambos que deve depositar para o fisco chinês.
O importador faz a conta com base no preço que pode colocar o produto no mercado interno. Este preço de venda deve incluir, além do seu lucro, todos os custos que incidem até o produto chegar ao seu destino. Se, com um TLC, a tarifa alfandegária de 10% for gradualmente reduzida até chegar a 0% - como é o caso da Nova Zelândia – o custo de importação é reduzido. O importador poderá vender mais barato o produto no mercado interno e/ou pagar mais caro onde compra.
Fonte: Tardaguila – Tradução livre: www.terraviva.com.br
Link: http://tardaguila.com.uy/web/lecheria/item/18313-un-tren-chino-para-los-lacteos-uruguayos
















