UE – EMB e Via Campesina alertam sobre as falhas do sistema de produção
Produção/França – Se a crise sanitária e a guerra na Ucrânia impactaram na agricultura e no sistema alimentar europeu, o declínio do número de produtores está ligado às orientações políticas, alertam o Conselho Europeu do Leite (EMB) e a Via Campesina em uma carta aberta à União Europeia (UE).

A atual estrutura de produção, especialmente do leite, não poderá garantir produtos sustentáveis aos europeus nos próximos anos, dizem as organizações.
"Assistimos ao declínio inquietante do número de produtores. De fato, o preço ao produtor extremamente baixo em relação aos custos de produção está forçando inúmeros agricultores a abandonar a produção de alimentos, porque, além do trabalho difícil, mal conseguem se sustentar, lembram o EMB e a Via Campesina em sua carta aberta à UE.
Dentro do setor lácteo, a hora de trabalho do produtor europeu é de € 4,19, podendo chegar a € 6,10 na Alemanha. A situação será cada vez menos interessante para futuros produtores, destacam as organizações – as crises e as incertezas recorrentes, bem como as exigências cada vez mais elevadas, sem qualquer remuneração compensatório por parte da legislação, das indústrias ou da distribuição levam os agricultores a abandonar as suas atividades e impedem a fixação da população jovem no campo.
Uma estrutura de produção sem fôlego
As políticas agrícolas de incentivo à produção, a liberalização do comércio, as exportações a preços baixos que são normais por muitas décadas não podem proporcionar a sustentabilidade do sistema de produção, insistem a EMB e a Via Campesina.
Assim, “na produção de leite, esse colapso se reflete, principalmente na margem líquida na UE, que caiu de € 0,379/kg de leite em 1989 para -€ 0,496/kg em 2019”, lembram as duas organizações. Elas pedem para ser adotado um sistema obrigatório que garanta o preço dos custos de produção, “invertendo o processo de desregulamentação” e colocando no lugar instrumentos de crise (sistema de alerta antecipado de queda dos indicadores que reflitam os custos reais de produção). No que se refere ao setor leiteiro, “precisamos de outros objetivos e de outra governança no Coletivo Global dos Distribuidores (GDC) e no Observatório do Mercado do Leite (MMO), que deverão trabalhar ativamente para uma distribuição equilibrada e justa do valor agregado e não apenas continuar passivamente observando as distorções”. A sustentabilidade do sistema produtivo europeu também não poderá prescindir da implantação de cláusulas de reciprocidade e redução da dependência das importações, acrescentam.
















