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Uruguai – Campeões mundiais no consumo de lácteos

Consumo/UR – O consumo de lácteos no Uruguai continua aumentando e o nível alcançado é o dobro do consumo médio mundial, segundo um estudo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisa Agropecuária (INIA).

Fonte: Fonte: El Observador - Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Sara Cardoso on Unsplash
Uruguai – Campeões mundiais no consumo de lácteos

“No Uruguai são consumidos 266 litros de leite por pessoa por ano, se considerarmos o leite fluido e os derivados. Em 1999 eram 202 litros e desde então, anualmente os uruguaios consomem dois litros mais do que no ano anterior”, explicou o agrônomo Santiago Fariña, diretor do Programa de Leite do INIA

O profissional destacou que esse registro “chama a atenção, porque é mais do dobro do consumo de leite per capita do resto do mundo e um dos mais altos da América Latina”.

As cerca de 3.000 fazendas leiteiras distribuídas em todo o país ordenham por ano 2 bilhões de litros de leite que são processados pela indústria e pelas queijarias artesanais.

De tudo o que é produzido, sempre com base na informação do INIA, 70% é exportado e 30% comercializado no mercado interno, onde o consumo per capita de lácteos é o dobro do resto do mundo

Tendo isso como marco, o INIA tem como objetivo trabalhar para manter essas cifras com um produto de maior qualidade e produzido em sistemas mais sustentáveis.

O que se produz com o leite?

O queijo é o protagonista entre os lácteos em termos de consumo interno e é o produto que absorve 20% de todo o leite produzido anualmente. O produto mais industrializado é o leite em pó, que absorve 50% do leite, e em seguida vem o leite fluido que consome 10% da produção. A manteiga representa 7% e o resto é destinado a outros produtos (sorvetes, iogurtes, doce de leite entre outros).

Quanto à qualidade do leite uruguaio, Fariña detalhou que 90% é processado pela indústria, que se encarrega de avaliar a inocuidade, a ausência de antibióticos e o teor de sólidos, que são os que contêm os aportes nutricionais.

“É importante esclarecer que os produtores de leite recebem o pagamento em função dos sólidos do leite, não pela quantidade de litros. Um leite com poucos sólidos é perda para o produtor, o consumidor e também para a indústria”, explicou.

Com milhões de toneladas de leite anuais, o Uruguai atualmente produz duas vezes mais do que pode consumir internamente. Daí, 70% é exportado para mais de 60 países, sendo Brasil, Argélia e China os principais compradores do último ano.

Um de cada três é excedente

“Nosso leite é de exportação e isso é particular na América Latina, onde somente dois outros países têm mais leite do que consome sua população: Argentina e Costa Rica. O resto produz unicamente para o abastecimento interno”, destacou Fariña.

Sustentabilidade, automação e robotização

A intensificação produtiva e a sustentabilidade são objetivos chave para os pesquisadores do INIA, que buscam soluções que favoreçam toda a cadeia a nível econômico, social e ambiental. No econômico, se centram em desenvolver sistemas com alta eficiência no uso de pastagens e em melhorar a saúde e o conforto das vacas. Também trabalham em um sistema de avaliação genética para que os produtores contem com informações para selecionar touros cujas bezerras produzam leite de maior qualidade, sejam mais férteis, vivam mais tempo e adoeçam menos.

No social, o instituto estuda alternativas tecnológicas como a automação e a robotização que facilitam tarefas e rotinas da fazenda, e assim conseguir melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e tornar mais atrativa a produção de leite para as novas gerações.

Em matéria ambiental, o foco do INIA é obter a autossuficiência dos sistemas, para que não requeiram insumos externos e melhorar o balanço de nutrientes na própria fazenda e gestão de resíduos, de forma a preservar os recursos naturais: solo e água.

“O Uruguai é pioneiro na América Latina em cuidado ambiental nos sistemas produtivos, um pouco por seu perfil exportador, que o faz ficar atento ao que se passa no mundo, e também porque tivemos alertas cedo, com o problema de efluentes no rio Santa Lucía em 2013, que nos fez ver que teríamos que tomar medidas concretas, como o Plano de Uso e Manejo de Solos que temos hojes”, destacou Fariña.

O especialista lembrou que “mais na frente vai determinar a forma como se trabalha nos campos e se produz leite em geral estará relacionado não somente com os consumidores e mercados, mas também com os vizinhos e a população que passar pelas rodovias e denunciar quando os campos não estiverem de acordo”.

Neste sentido, destacou a oportunidade de envolver a sociedade no mundo rural nas discussões sobre produção de alimentos, saúde e sistemas agropecuários.

Diante disso, Fariña disse que “o principal objetivo da ciência deve ser contribuir para que os produtores possam ter renda estável a partir de sistemas que sejam o mais parecido com a natureza em seu estado original, cuidando dos recursos naturais, com animais pastando ao ar livre e reduzindo a necessidade de utilizar insumos externos”.

“Entretanto faltam muitas coisas para melhorar e, nós das ciências estamos trabalhando para conseguir, porque o objetivo é manter a produtividade e a qualidade do leite uruguaio, assegurando a sustentabilidade de toda a cadeia”, concluiu.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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