Uruguai – Porque as fazendas leiteiras estão fechando
Produção/UR – O presidente da Sociedade de Produtores de Leite de Florida, Fabián Hernández, disse que o conflito na indústria é uma das coisas que faz com que o setor seja pouco atrativo para os jovens.

Os produtores estão “com faturamento muito bom”, recebendo em média US$ 0,43 e US$ 0,44 por litro de produzido, mas não conseguem os bons resultados de 2014 e obter margens que permitam tornar a atividade atrativa em decorrência dos elevados custos de produção, disse para o El Observador, Hernández, presidente da Sociedade de Produtores de Leite de Florida (SPLF).
“A perda de produtores continua, e é uma sangria”, ressaltou.
“Existem vários elementos que fazem o setor ser pouco atrativo naa mudança geracional. Entre eles, a falta de rentabilidade e os conflitos sindicais como o que está ocorrendo na indústria”, comentou.
Segundo disse, o conflito sindical entre a Federação dos Trabalhadores da Indústria de Laticínios (FTIL) e a Câmara da Indústria de Laticínios do Uruguai (CILU) “é algo que realmente desgasta e cansa” os produtores.
500 produtores a menos
Nos últimos 10 anos o setor perdeu 500 produtores, assegurou Hernández.
As novas gerações precisam de estímulos para serem agricultores, o que será obtido conquistando novos mercados internacionais e adotando políticas de apoio que dê estabilidade ao setor, por exemplo, financiamento de longo prazo para comprar terras, destacou.
A SPLF viu uma boa receptividade do Banco da República em relação a esse último tema e as propostas dos produtores.
Para Hernández, “nessa linha política temos que continuar trabalhando todos juntos para que o setor continue crescendo, mantendo e aumentando os produtores, que é o mais difícil, mas que ao menos detenha a sangria”.
A não entrada dos jovens está relacionada com a sensação expressa pelos produtores a seus filhos ”não estamos bem, e nos últimos anos a situação ficou muito ruim”. São fatos concretos que desestimulam os jovens.
Lenta recuperação
Hernández disse também que o setor leiteiro está se recuperando lentamente depois de sete anos de crise, no entanto, existe “uma dívida pesada”, o que complica a capacidade de reinvestir.
“O setor lácteo precisa de reinvestimentos, algo que é necessário fazer e não estamos podendo”, destacou Hernández, para concluir que a perda de produtores “é uma preocupação que atinge todos, o setor político, as organizações de classe, os produtores e as indústrias”.
















