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Setorial Selectus nº 6399

Como moeda criada em cidade do RS fez prefeitura reduzir gastos e incentivou comércio de produtos da agricultura familiar

Agricultura familiar - Três problemas do município de Santiago, na região central do Estado, estão sendo combatidos com a criação de uma moeda municipal: o excesso de lixo enviado para o aterro sanitário de Santa Maria, o alto preço que os produtores pagavam por sementes e adubos, vindos da Região Metropolitana, e a baixa procura dos moradores pelos produtos oferecidos nas feiras da cidade. Hoje, o Pila Verde ajuda a solucionar as três questões.

Fonte: Fonte: GZH geral | Foto de capa: Imagem de Jose Antonio Alba por Pixabay
Como moeda criada em cidade do RS fez prefeitura reduzir gastos e incentivou comércio de produtos da agricultura familiar

As notas têm a mesma validade do real, mas são usadas em ciclo. O morador vende para a prefeitura seu lixo orgânico — composto por cascas de frutas, legumes e ovos, borra de café e erva-mate — e recebe o pagamento em pila verde. Além de ajudar o meio ambiente com a separação correta dos resíduos, o morador recebe um valor pelo que, até então, era apenas lixo. A moradora Docelina Santos Martins vende seu lixo semanalmente e explica como funciona essa etapa:

— Eu tenho um baldinho de lixo na pia, onde coloco os resíduos. Depois coloco tudo em sacos maiores e nas quartas-feiras eu levo pra trocar, que é o dia do meu bairro. Mesmo morando sozinha, consigo recolher 25 quilos de lixo orgânico! Eu tenho juntado esse dinheiro, 5 pilas por semana, pra fazer a feira. Já comprei até banha, carne de porco e frango. Várias coisas — explica Docelina.

Com essa moeda municipal, o morador vai a qualquer feira da cidade e compra os produtos ali ofertados, como hortaliças, frutas, queijo colonial, salames, vinhos. Tudo que é vendido nas feiras pelos cerca de 40 produtores cadastrados pode ser comprado com o pila verde. Conforme o vice-presidente do Hortomercado, Mauro Batista Romil, os valores entre o pila e o real são os mesmos e os produtores estão cada vez mais participando do projeto.

— Facilitou nossa vida como feirante. A gente não precisa mais sair pra buscar adubos e sementes, só faz a encomenda e em 15 dias tudo é entregue (sementes e adubo). No início, poucos se cadastraram. Mas agora praticamente todos os produtores estão cadastrados — explica o vice-presidente do Hortomercado.

E então, as notas de pila verde chegam nas mãos dos produtores. Eles podem comprar, com essas cédulas, sementes a preço de custo direto da prefeitura. E também adubo, feito na Central de Triagem e Transbordo de Santiago (CTT), com o lixo comprado dos moradores. O adubo é vendido por R$ 30 a tonelada, um terço do cobrado fora da cidade, e é entregue diretamente nas propriedades rurais.  

— A ideia é recolher o lixo oriundo da cozinha (cascas e restos, borra de café e erva-mate). Esse material vai para o pátio de compostagem, e depois misturado com os galhos das podas da cidade e usado um acelerador biológico. Cerca de 40 dias está pronto o adubo — explica o coordenador de resíduos de Santiago, Dan Martins.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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