EUA – Explorando a realidade: Poderia a demanda por lácteos evitar uma recessão?
Preços/EUA – De preços recordes da gasolina e diesel nas estradas a valores exorbitantes no varejo, os estadunidenses estão pagando muito caro por proteínas e os consumidores se deparam com elevado custo de vida em todos os lugares, disparando sinais de alerta sobre possível recessão.

O último Índice de Preço ao Consumidor (IPC) mostra que, apesar do ritmo menor, o custo dos produtos no varejo aumentou 10,8% desde abril de 2021, o maior aumento anual em 42 anos. O salto, em grande parte, é impulsionado pelos preços da carne bovina, de frango e de peixe, que subiram 14,3% no último ano, e é o maior índice já registrado em 12 meses, desde 1979.
Os laticínios não estão imunes à inflação este ano, e o IPC mostra que subiram 2,5%, o maior aumento mensal desde julho de 2007. O alto índice de inflação impacta nas decisões de compra dos consumidores.
“O pessimismo está em alta”, disse Glynn Tonsor, um economista agrícola da Universidade Estadual de Kansas. “No passado, isso era o barômetro para a chegada de uma recessão”.
A recessão já chegou?
Tonsor disse que a confiança do consumidor não é a única medida da inflação, nem é um sinal claro de recessão iminente. No entanto, ele diz que se o consumidor reduzir compras porque está preocupado, pode causar o que é chamado de recessão auto-realizada.
“Penso que, neste momento, esse é o comportamento mais comum nas ruas em resposta à inflação de 6%. Com os consumidores apertando os cintos, é provável que a redução da demanda de alguns produtos seja suficiente para se chegar a uma recessão em 2023”, diz ele. Isso não é garantia, Mas precisamos observar que a indústria de carne é muito propensa à renda do consumidor
Impacto da demanda por lácteos.
Embora as preocupações de uma recessão continuem pairando sobre as previsões econômicas, a história mostra que uma retração econômica pode ter um impacto direto na demanda por produtos como a carne e lácteos. No entanto, historicamente, o caso dos laticínios não é um golpe drástico, em parte pelo fato de haver menor competição em comparação com produtos como carne.
“Penso que existem algumas escolhas a serem feitas”, disse o economista de pecuária, Scott Brown, da Universidade do Missouri. “Sempre que falamos sobre aumento de custos de todas as coisas, no caso dos lácteos, penso sobre a queda nos restaurantes que podem ocorrer à medida que os consumidores passam de restaurantes mais caros para os mais populares. Geralmente, isso significa menos lácteos. Apenas lembre-se, isso é o que ocorre para todo o consumo fora de casa, e é importante pensarmos como a inflação afeta a escolha dos consumidores”.
Embora a recessão possa prejudicar a demanda, e por sua vez o preço do leite, a inflação ainda não afetou muito. No entanto, o verdadeiro teste ocorrerá nos próximos meses, em que fazer a previsão de preços torne-se impossível, em decorrência de inúmeras variáveis.
“As incertezas quebraram minha bola de cristal para prever os preços, mas acredito que exista uma possibilidade de que os níveis elevados possam resistir por algum período ainda”, disse Brown. “Para mim, o problema será quando o consumidor se afastar dos lácteos por causa dos preços. Esse será um grande problema, já que não vejo muitas alternativas”.
A demanda internacional continua vital
A demanda doméstica tem um forte peso nos preços mas, a demanda internacional tem papel similar.
“O comércio internacional continua importante”, disse Brown. “Podemos falar em termos dos produtos lácteos para a China, que talvez seja o caso de melhorar o comércio a partir dos Estados Unidos da América (EUA), quando, no futuro, os bloqueios forem suspensos. Então, os preços atuais podem ficar por algum tempo, mas será difícil aumentá-los a partir desses níveis”.
















