Argentina – Dia do queijo: valor agregado e segredos da paixão argentina
Queijo/AR – No dia 27 de março muitos países do mundo comemoram o Dia do Queijo. A data foi instituída faz mais de vinte anos pelos franceses, grandes mestres da queijaria mundial, mas na Argentina, também se celebra e se aproveita a ocasião para fazer homenagens às especialidades próprias.

É que a Argentina é um dos dez principais produtores de queijo do mundo e o maior consumidor da América Latina, com nada menos que 12 quilos anuais per capita.
Segundo o Instituto Nacional de Tecnologia Industrial (INTI), na Argentina são produzidas mais de 150 variedades de queijos. Enquanto o domingo passa com o sabor picante de uma picadita, um especialista conta qual é o segredo para fazer um queijo de qualidade.
“Dizer que 10 litros de leite são usados para fazer um quilo de queijo é uma boa média, mas a realidade é que existem queijos que levam muito mais, como queijos semiduros e duros de longa maturação, que podem levar de 18 a 20 litros por quilo de queijo”, explica em conversa com o Clarín Rural o responsável comercial pelos queijos La Suerte, Coni Bosc, uma empresa que possui produção própria de leite na localidade de Lincoln, no oeste de Buenos Aires, e transforma 15% do leite que produz em distintos tipos de queijos de alta qualidade, imitando as receitas dos mestre franceses, italianos e ingleses.
“É impossível falar de bons e saborosos queijos sem ir junto a qualidade. Acreditamos que um bom queijo começa na alimentação da vaca. Aliás se inicia, seguramente, um processo produtivo de excelência para finalizar em um produto que assim o demonstra, um queijo de excelência”, disse Bosc.
Historicamente os queijos foram uma forma de conservar o leite para diferir seu consumo, e nesse processo se chegou a sabores impensáveis que conquistaram os paladares do homem e se tornaram parte de suas culturas. Mas para analisar o valor nutricional do queijo é preciso lembrar essa origem. O queijo é obtido pela maturação da coalhada do leite e suas diferentes variedades dependem da origem do leite empregado, dos métodos de elaboração seguidos e do grau de maturação alcançado. Portanto, assim como o leite, é um alimento rico em vitaminas A e D, que ajudam o corpo a absorver o cálcio e manter os ossos e os dentes saudáveis.
Além disso, a elaboração do queijo tem uma enorme importância como forma de agregar valor ao leite, principalmente quando os produtores de leite estão sujeitos a preços estabelecidos pela indústria e que muitas vezes não proporcionam uma rentabilidade atrativa. Por isso, cada vez mais fazendas decidem transformar ao menos uma parte de seu leite fluido em queijos de diversos tipos, e o conhecimento dos queijeiros se multiplicam em pequenas marcas que chegam às gôndolas na forma de produtos que valem a pena ser provados.
Colocando uma lupa nas preferências dos argentinos, Bosc explica que sempre tem maior participação os queijos mais suaves em relação aos mais intensos. “Os paladares são educados e somente começam provar os mais suaves, em detrimento dos mais intensos. Temos nosso queijo insígnia que nos descreve e expressa nossa terra, que é o queijo Lincoln. Como todos os povos queijeiros do mundo, cada queijo tem o nome do lugar onde é elaborado, com uma receita própria e característica desse lugar.
O nosso é um semiduro de seis meses de maturação com sabor único e particular que o faz agradável a todos os paladares. Outra variedade que vendemos muito é o queijo tipo Brie, com muita demanda atualmente”, assegura e para finalizar lança uma recomendação: “Convém provar o queijo sozinho, à temperatura ambiente para desfrutar e descobrir esses sabores que cada tipo de queijo traz, sabores que contam a história dos queijeiros e seu lugar”.
















