NZ – As parcerias da Fonterra sofrem outro golpe
Fonterra – A forte demanda de lácteos faz com que a saída da Fonterra da Rússia seja fácil. Mas as incertezas globais, inflação e questões climáticas abalam a confiança dos agricultores.

Não deve ser recebida com surpresa a notícia de que a Fonterra está interrompendo as exportações de lácteos para a Rússia. Isso representa apenas 1% das vendas totais da cooperativa. E as vendas são principalmente de manteiga, um comércio que está em operação há 40 anos, disse o CEO, Mile Hurrell da Fonterra. Dado que o escritório na Rússia também está sendo fechado e os funcionários remanejados, parece que a Fonterra não vê a possibilidade de retorno, pelo menos em um futuro próximo.
A última relação com a Rússia foi com a UniFood que tem 7 funcionários em Moscou e 35 na sede da UniFood em São Petersburgo.
No início, a parceria parecia promissora, embora um líder da Federação de Agricultores tenha comentado na época que concordasse com a negociação mas, era preciso observar com cuidado os “riscos em torno do panorama político” na região. A outra presença da Fonterra é a joint venture com a indústria de laticínios lituana Rokiskio Suris. O investimento foi de NZ$ 11,7 milhões, então não é um grande risco.
As importações da Rússia declinaram nos últimos 3 anos, mas o impacto das exportações de energia de outros países afeta mais o comércio. As exportações totais para a Rússia em 2019 foram de NZ$ 293 milhões, compostas principalmente de produtos lácteos.
A Nova Zelândia, em 2021, importou perto de NZ$ 55 milhões da Rússia, em combustíveis, óleos, produtos destilados, fertilizantes, artigos de madeira, plásticos, bebidas, refrigerantes e vinagre.
Outra retirada tática da Fonterra foi o encerramento da joint venture 50-50 na Índia com a marca Dreamery, iniciada em 2018. Neste caso, os motivos alegados foram as interrupções causadas pela pandemia de Covid-19.
Ainda que “haja uma luz no fim do túnel” esperada para um futuro próximo, o momento é imprevisível, e talvez tenhamos que passar por mais 12 meses de incertezas. A diretora executiva para a Ásia e o Pacífico da Fonterra, Judith Swales, disse “continuamos nossa presença na Índia através da Anchor Food Professionals e os negócios de ingredientes, explorando oportunidades de crescimento do acesso ao leite da Nova Zelândia” e “a Índia tem uma grande população consumidora de lácteos, mas existem restrições ao acesso comercial dos lácteos da Nova Zelândia”.
Esta é a segunda vez que a Fonterra tenta participar do mercado indiano e no final precisa se retirar. Uma parceria de oito anos com a Britannia Industries, com sede em Bangalore, foi encerrada em 2009.
Felizmente, as últimas retiradas não envolveram grandes investimentos. Também mostraram o quão difícil pode ser o estabelecimento em novos mercados internacionais, especialmente em áreas com processos governamentais questionáveis.
E na Nova Zelândia, a Federated Farmers, publicou recentemente a “Pesquisa de Confiança dos Agricultores”. Ela foi concluída em janeiro, antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, embora alguns rumores já circulassem, e o aumento da Ômicron ainda não era sentido. Ainda assim, a pesquisa revelou as preocupações relacionadas aos impactos inflacionários. E mesmo com níveis recordes dos preços de muitos produtos (lã e veados, exceções notáveis) o nível de confiança dos agricultores ficou no menor nível desde 2009.
















