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Especiais Selectus nº 6339

Argentina – Produção de leite de precisão: como está mudando a forma de produzir leite

Sensores/AR – As tecnologias de sensores chegaram para revolucionar os sistemas de produção e gerar mudanças de paradigmas no manejo reprodutivo, sanitário e nutricional do rebanho leiteiro.

Fonte: Fonte: La Nacion – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Talat Duymaç on Unsplash
Argentina – Produção de leite de precisão: como está mudando a forma de produzir leite

Desde o início da produção de leite, assim como sistemas de produção de alimentos, no final do século XVIII, o produtor de leite conhecia, ajudado pelo reduzido tamanho das propriedades, a produção de suas vacas, seu comportamento pós-parto e seu estado de saúde e reprodutivo.

O avanço da produção leiteira aumentou o tamanho dos rebanhos e das produções individuais. Foi assim que se passou da ordenha manual para a mecânica que anos atrás foi incorporada a uma grande quantidade de tecnologias em equipamentos e processos para mudar o manejo da fazenda. Hoje, a incorporação da tecnologia de sensores (dispositivos eletrônicos geralmente colocados nos colares ou brincos enviam dados para um computador ou telefone celular), permite a medição da produção e a qualidade do leite, a atividade de cada animal, o tempo de pastagem e o tempo gasto ruminando, a temperatura e o peso corporal. Alguns chegam a medir até a concentração de metabólitos e hormônios no sangue. Tudo em tempo real. Estes sensores geram uma enorme quantidade de informações, precisas e inteligentes, para uma melhor tomada de decisão.

A produção de leite de precisão inclui o uso de tecnologias da informação e da comunicação para um melhor controle da variabilidade em aspectos finos do animal e dos recursos, com o objetivo de otimizar a performance das explorações leiteiras social, econômica e ambiental.

Todas estas ferramentas permitem obter, como disse inicialmente informação precisa sobre a saúde, a reprodução e a nutrição das vacas, que não somente contribuiu para a rápida tomada de decisão, mas, gera dados que podem ser aproveitados para o desenvolvimento de índices genômicos de saúde, que existem atualmente, mas que poderão ser melhorados com a informação gerada por estes dispositivos. Tudo isto contribui para uma seleção genética mais precisa e o desenvolvimento de rebanhos mais sadios, produtivos e rentáveis.

No campo

Nos sensores de movimento, que permitem determinar a atividade, o tempo de ruminação, temperatura corporal, etc., existem inúmeras opções em colares ou brincos eletrônicos que permitem determinar o padrão para cada um destes aspectos. Estes dados permitem detectar o cio das vacas e as horas de inatividade, bem como fazer diagnósticos de enfermidades pós-parto.

O método histórico de detecção de cio foi a observação visual com a utilização da regra AM-PM; logo apareceram os métodos de ajuda como pinturas e adesivos; posteriormente surgiram os protocolos para inseminação artificial a tempo fixo e recentemente apareceram colares e brincos eletrônicos equipados com acelerômetros, que é a tecnologia mais potente, já que permite o monitoramento em tempo real.

No mercado, estes dispositivos têm a versão colar ou brincos eletrônicos. Sem pretender descrevê-los por questões de espaço, pode-se dizer que as empresas fornecedoras mais importantes de máquinas de ordenha como De Laval, GEA, Lely, Boumatic, etc, têm soluções deste tipo, acopladas à medição da produção diária de leite e ao manejo automatizado da alimentação.

Os colares MSD também permitem detectar a ruminação e atividade, podendo ser acoplados a medidores de fluxo de leite e portas de saída. Na versão brinco eletrônico, CowManager (Select Sires Inc.) consta de módulos de fertilidade, saúde, nutrição e um muito particular denominado Find my cow, que permite localizar a vaca dentro da propriedade com grande vantagem para realizar tarefas como inseminação artificial, tratamentos sanitários, etc. O sistema Affimilk também permite automatizar todos estes aspectos com seu programa de soluções avançadas para a leiteria, com automatização da sala de ordenha e identificação dos animais.

Outro capítulo importante é a automatização da alimentação nos galpões. Esta ferramenta permite tornar mais eficiente o trabalho de distribuir a comida e preparação das rações, sua administração e o manejo dos cochos. Existem robôs que podem servir a comida para as vacas nos sistemas de compost barn e free-stall, assim como manter limpas as vias de trânsito das vacas e os cochos. Por último, os sistemas voluntários de ordenha (com robôs), permitem ministrar alimento balanceado para complementar as necessidades do animal de acordo com sua produção diária de leite.

Na sala de ordenha

Nos últimos anos, na sala de ordenha também foi incorporada tecnologia que facilita e melhora a qualidade da ordenha. As empresas fornecedoras deste equipamento mais conhecidas têm disponíveis sistemas com medição da produção diária, indicadores de fluxos de leite, avaliação da qualidade da ordenha e as características do leite. Os sistemas robotizados agregam a possibilidade de ordenha voluntária, onde todos os processos estão automatizados.

Por outro lado, a possibilidade de determinar o peso corporal das vacas em ordenha, se bem aparece como uma tecnologia pouco adotada, talvez porque pode parecer complexa, é uma ferramenta fundamental para formular a ração de forma precisa e para avaliar consumo de matéria seca e perda de peso durante os picos de produção.

A avaliação automática em linha da composição do leite é outra tecnologia de muito interesse em países especializados na produção de queijos. Permite individualizar animais com alta e baixa qualidade de leite, monitorar a saúde da vaca, e em particular, separar leites, em tempo real, de diferentes qualidade com propriedades para produzir queijos de determinadas características dentro de uma mesma fazenda.

Para a medição da produção diária de leite – se sobra de dúvida uma ferramenta fundamental na avaliação do desempenho do rebanho leiteiro – existem alternativas para adotar em sistemas convencionais de ordenha e robotizado. A possibilidade de medir a produção de cada vaca em cada ordenha, e também algumas características do leite, como a condutividade, é uma grande ferramenta para a tomada de decisões.

Estes sistemas não somente medem a produção de leite, mas também permitem avaliar o fluxo por minuto e o tempo que gasta cada vaca na ordenha. As máquinas de ordenha podem estar equipadas com sensores que permitem detectar mastites. Um deles dá a possibilidade de detectar a mudança na condutividade elétrica, que possibilita detectar as modificações na permeabilidade capilar sanguínea que se produz durante a mastite. Outros sensores detectam enzimas ou mudanças de cor que aparecem como resposta à infecção. Recentemente foram desenvolvidos sensores que detectam o aumento na contagem de células somáticas, tanto medindo na formação de gel, como por medidas físicas do fluxo de leite ou por fluorescência.

A informação destes sensores, em coordenação com os que determinam a produção de leite, composição, ruminação, atividade, peso corporal, pH ruminal, etc, podem dar lugar a algoritmos que permitem determinar com maior precisão a presença de diferentes graus de mastites. Isso possibilitaria determinar quais vacas precisam de atenção imediata, quais vacas podem esperar, quais precisam de atenção ao secar e monitorar a saúde do úbere a nível do rebanho.

Instrumentação prática

A incorporação destas tecnologias requer um esforço econômico para o produtor, que significa um desafio no momento de tomar a decisão. Estará pensando no curto, médio ou longo prazo. Para isso podem colaborar profissionais – veterinários, agrônomos, zootecnistas, nutricionistas, consultores especializados – e produtores com experiência, com o auxílio de publicações especializadas.

Em um trabalho publicado no Journal of Dairy Sciences em 2015, foi informado a incorporação dessas tecnologias nos Estados Unidos da América (EUA). A medição da produção diária de leite havia sido adotada por 52,3% dos produtores; a atividade da vaca era medida por 41,3%; a detecção de mastite era empregada por 25,7%; a composição do leite era medida por 24,8%; e a detecção de cio era utilizada por 21,1%. No item ‘outros’ (10-12%) apareciam determinações de consumo de alimento, temperatura e peso corporal dentre outras informações.

Na decisão prática, alguns fatores vão influenciar na adoção destas tecnologias como a avaliação custo-benefício, a complexidade da instalação e uso, o serviço técnico e o treinamento dos usuários.

Outra das chaves na incorporação se refere à integração com interfaces entre cada um dos sensores, portas e softwares de manejo para simplificar a tarefa do produtor e sua operacionalização. Isto permitirá a análise dos dados coletados.

Em síntese: é importante que o produtor tenha assessoria integral para tomar a decisão correta no momento de incorporar este tipo de tecnologia, pensando no curto, médio e longo prazo. A informação gerada pelos sensores deverá ser integrada e, a partir de algoritmos, conformar a chamada Inteligência Artificial (IA), que permite melhorar a tomada de decisões para conduzir a um melhor bem-estar animal, maior rentabilidade do sistema e a sustentabilidade das fazendas no longo prazo.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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