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Especiais Selectus nº 6339

Espanha – Dia histórico para o campo espanhol

20M/Espanha – Ontem, todas as previsões foram superadas. Foi uma grande manifestação em defesa do mundo rural em Madri.

Fonte: Fonte: Agrodigital – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Photo by Juan Gomez on Unsplash
Espanha – Dia histórico para o campo espanhol

O 20MRural é um dia histórico para o campo espanhol. Mais de 500.000 pessoas, 1.600 ônibus procedentes de distintos pontos do país, e centenas de veículos particulares chegaram de todas as partes da Espanha, com agricultores, pecuaristas e outros coletivos vinculados ao meio rural, como os caçadores, para participar desta manifestação sem precedentes.

A comemoração foi convocada pelas entidades rurais ASAJA, COAG, UPA, RFEC, ONC, UCTL, FENACORE, Cooperativas agroalimentares e Aliança Rural, provocando um colapso na cidade nas horas que antecederam a manifestação, onde mais de 45 tratores, cavalos, ovelhas, cães, falcoeiros, caçadores, agricultores, pecuaristas, gente do mundo rural... chegaram ao Paseo de la Castellana com um protesto iniciado em frente ao Ministério da Agricultura em Atocha, onde os participantes portavam uma faixa com os dizeres: “juntos pelo campo, por um mundo rural vivo”, até terminar em frente ao Ministério de Transição Ecológica na praça de San Juan de la Cruz.

As principais reivindicações foram pedir serviços sociais e sanitários dignos para o mundo rural, um programa urgente que interrompa o incremento continuado dos preços de produção rural, a redução das tarifas elétricas, interromper os ataques a atividades como caça e a retirada do projeto de Leite de Bem-Estar Animal, entre outras muitas questões. E por último, o respeito e a dignificação das pessoas do campo e de suas tradições.

Ao final das manifestações em frente ao Ministério de Transição Ecológica, os presidentes das entidades que convocaram o ato, se dirigiram aos participantes. Em primeiro lugar, o presidente da ASAJA, Pedro Barato, destacou: “esta é uma mobilização histórica porque o campo não pode mais. O setor agrário atendeu a sociedade em tempos de pandemia e o que recebemos em troca são ataques indiscriminados por parte do Governo e o aumento dos custos de produção que está fazendo com que desapareçam diariamente fazendas leiteiras.

Precisamos por fim a essa disparidade: que se reconheça a dignidade dos profissionais rurais e estabeleçam mecanismos que proporcione rentabilidade para atividade agrícola”.

Já o Secretário Geral da COAG, Miguel Padilha, pediu a criação de câmaras inter-ministeriais para negociar um plano de emergência e que o Governo intervenha no mercado de energia, fixando um preço máximo para a luz e os combustíveis. “É uma vergonha que os bilhões de lucros caídos do céu para as empresas de energia elétrica, sobrecarreguem a produção de alimentos, nesse período em que a segurança alimentar da Europa está em risco pelo impacto da guerra da Ucrânia”.

O Secretário Geral da UPA, Lorenzo Ramos, pediu ao governo que escute a voz unânime do campo para lutar por um meio rural vivo e com futuro. Ramos denunciou a especulação que está ocorrendo sobre muitos produtos de forma injustificada. Dita especulação aumenta os custos de produção de forma inadmissível. “A Lei da Cadeia Alimentar deve ser rigorosamente aplicada”, ponderou.

O presidente da Cooperativas Agro-Alimentarias de España, Angel Villafranca, exigiu que os alimentos não sejam utilizados como produtos reclame e que sejam exigidas das importações de produtos vegetais e animais as mesmas exigências de produção da Espanha e União Europeia (UE). Também pediu reconhecimento e maior apoio às cooperativas como instrumento estrutural, melhora da rentabilidade das explorações agrícolas e pecuárias, o acesso a mercados de valor e adaptação a um novo modelo produtivo.

O presidente da Real Federación Española de Caza (RFEC) e coordenador da Oficina Nacional de la Caza (ONC) Manuel Gallardo, ressaltou que milhares de caçadores de toda Espanha estão saindo às ruas para dizer basta de políticas anti-caça de um Governo covarde que entrega a ecologistas e ativistas que impõem seu modelo sem importar a vida do mundo rural. “A sociedade tem que escolher entre ativismo ou liberdade. A caça chegou à política e não haverá um só voto para os partidos que não defendam a caça, porque é preciso lembrar que a caça também vota”.

Depois o presidente da Fenacore, Andrés del Campo, explicou “nós irrigantes protestamos contra a discriminação que sofremos pela irrigação na agenda do Governo. Um desprezo que atenta gravemente contra a Espanha rural e tem nefastas consequências socioeconômicas e demográficas. Algo tão básico como a produção de alimentos se encontra ameaçada por culpa de um planejamento totalmente desfocado que não garante água para irrigação. O planejamento hidrológico deve ser revisado, para retomar o investimento em obras de regulação, de forma a mitigar as consequências das mudanças climáticas como inundações e secas, que este ano provocaram perdas milionárias no campo”.

Por outro lado, Antonio Bañuelos, presidente da Unión de Criadores de Toros de Lídia, lembrou “nós não somos subsidiados por bares de praia eco-verdes, longe do campo, nós criadores de touros bravos, praticamos o verdadeiro ambientalismo em silêncio há séculos, mantendo uma ração autóctone e conservando espaços de alto valor natural. Portanto, exigimos respeito ao nosso campo, às nossas tradições, ao nosso rebanho e à nossa forma de vida”.

Finalmente a manifestação histórica foi encerrada pelo presidente da Alianza Rural, Fermín Bohórquez, que afirmou: “esta é a união fundamental do campo para defender nosso presente e nosso futuro. Somos a melhor marca España, devemos sentir orgulho da excelência de nossos produtos, de nossas paisagens, do que somos”, e destacou “Hoje é a oportunidade de trabalhar para o amanhã e começar a trabalhar nas propostas e soluções reais que repercutem em benefício de nossa gente”.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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