UE – A captação de leite mundial parece sombria
Produção mundial – No mundo, a captação de leite acompanha a tendência europeia. Em seu último “Tendência do leite e da carne” ‘l’Institut de l’élevage’ analisa o fim de 2021 e o início de 2022.

No início de 2021 parecia que tudo ia bem, mas a captação de leite mundial recuou no segundo semestre. A razão foi a alta global dos custos de produção, e a seca no Hemisfério Sul que obrigaram os produtores a fazerem escolhas.
Uma produção baixa nos EUA
Em dezembro último, a captação de leite nos Estados Unidos da América (EUA) caiu 1% em relação ao mesmo mês de 2020. Diante de margens apertadas, muitos produtores optaram por reduzir seu plantel. Assim, depois do mês de outubro, o rebanho leiteiro estadunidense ficou -0,5% abaixo do nível de 2020.
A consequência direta foi a queda na captação, reduzindo em 21% a fabricação de leite em pó desnatado no mês de dezembro.
Na Nova Zelândia, outra grande região produtora mundial, a captação caiu 5% em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2020. Essa baixa produção se explica, principalmente, pelo déficit hídrico em grande parte da ilha no fim do ano. Felizmente, as precipitações chegaram para permitir uma recuperação da produção. Hoje, o país registra preços recordes dos produtos lácteos.
A Austrália exporta mais para a China
Na Austrália, a captação também caiu. Foi -1% em dezembro e no acumulado do ano também. O leite foi prioritariamente para atender a demanda de exportação, em particular da China. Assim, o leite em pó integral e a manteiga foram privilegiados. É preciso observar que “as exportações australianas para a China em 2021 foram altas. De um ano para o outro houve aumento de 7,6% para o leite em pó integral, +60% para o leite em pó desnatado e +79% de manteiga”.
A Argentina, uma exceção
Para encontrar uma captação de leite em alta, é preciso ir para a Argentina. De fato, o país registrou alta de 3% em sua produção de leite em dezembro de 2021, em comparação com o mesmo mês do ano anterior. O leite é preferencialmente transformado em queijos e leite em pó integral.
Preços
Dentro desse contexto de pouca disponibilidade de leite a nível europeu e mundial, os preços médios atingem valores inéditos na União Europeia (UE). Na França a alta foi sentida já em dezembro, mas foi bem mais forte no início do ano.
Na França a captação de leite caiu 2,7% em dezembro, na comparação com o mesmo mês de 2020. Esta é a menor coleta desde 2009 para um mês de dezembro e o quarto mês consecutivo de queda na comparação interanual. No acumulado, 2021 caiu 1,3% em relação ao ano anterior. Em dezembro, o preço do leite era de € 379/1000 litros, [R$ 2,12/litro], um aumento de € 6 em um mês e de € 30 em um ano. Mas foi em janeiro que os preços dispararam: + 20€ em um mês e +50€ em um ano.
Forte alta dos preços na Alemanha e Holanda
Situação semelhante foi registrada na Alemanha, cuja captação em 2021 recuou 1,8%. O preço do leite ao produtor do outro lado do Reno foi de 395 €/1000 litros, [R$ 2,21/litro], em dezembro, um salto de 23% em um ano.
Na Holanda, a introdução das cotas de fosfatos e nitratos refletiu na produção, provocando uma diminuição de 4,2% no rebanho leiteiro em relação a 2020. A captação holandesa recuou 2,5% no período. O preço por tonelada de leite atingiu o pico de € 437,20, [R$ 2,53/litro], um aumento de 27% em um ano.
Queda na disponibilidade de produtos lácteos
Essa baixa generalizada da produção na Europa resultou que o leite disponível foi deslocado para a produção de creme e queijo, em detrimento de outros produtos. 150.000 toneladas de queijo adicionais foram fabricadas na UE, em relação ao ano anterior. Um aumento impulsionado pela Itália (+61.000 toneladas); França (+42.000 toneladas) e Polônia (+33.000 toneladas).
Por outro lado, a Holanda reduziu a produção de queijo para favorecer a produção de ingredientes lácteos. O mesmo ocorreu na Dinamarca, onde as exportações de leite a granel para a Alemanha foram favorecidas.
A elaboração dos leites em pó, por seu lado, sofreu, e houve queda de quase 75.000 toneladas na produção em relação a 2020. Só na Alemanha houve uma redução de 62.000 toneladas.
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