Espanha – Foram fechadas 2 fazendas produtoras de leite, por dia, em 2021
Produção/Espanha – O baixo preço do leite ao produtor junto com os elevados custos de produção estão levando os pecuaristas a abandonarem a atividade.

Em 2021 foram fechadas 655 fazendas produtoras de leite, passando de 12.079 em janeiro de 2021, para 11.424 em dezembro do mesmo ano, o que representa encerrar duas fazendas leiteiras por dia no país, segundo dados do Ministério da Agricultura.
A entidade que representa o setor, UPA, atribui o resultado ao contexto de baixos preços do leite na Espanha que se arrasta há vários anos. A grande distribuição usa o leite como produto reclame para atrair consumidores, mantendo os preços muito baixos, sobretudo os de marcas da distribuição (MDD). Esses preços forçam a indústria de laticínios a manter os preços do resto da cadeia nos mesmo níveis, para serem competitivos. Por sua vez, as indústrias pressionam os produtores para pagar-lhes preços abaixo dos custos de produção e que assumam eles as perdas.
A UPA denuncia que os pecuaristas espanhóis recebem os preços mais baixos de toda Europa pelo leite de vaca. Segundo dados do mês de dezembro, somente os produtores de Portugal e Hungria vendiam leite mais barato do que na Espanha, que empata com a Croácia e Eslovênia em € 0,36/litro. Olhando o preço médio do leite em todo o ano de 2021, a situação da Espanha não é muito melhor, pois passa para a oitava posição, com a média de € 0,343/litro, longe da média europeia que foi de € 0,379/litros, e anos luz atrás do que recebem os irlandeses, austríacos e gregos.
Infrutíferos esforços legislativos
As diversas mudanças normativas pedidas pelos produtores e adotadas na Espanha não estão tendo, pelo menos até o momento, o efeito desejado. Nem o chamado "pacote lácteo”, nem a Lei da Cadeia Alimentar conseguemo fazer com que a formação de preços seja feita de baixo para cima. “Os preços continuam sendo decididos na mesa de um executivo de uma grande multinacional e não nas fazendas espanholas”, denuncia a UPA.
A entidade também reclama que as indústrias e a grande distribuição devem mudar de atitude “de uma vez por todas” e deixar de iludir os agricultores espanhóis. Qualificam a situação de “limite” e pedem ao Ministério da Agricultura e às comunidades autônomas para fazerem “tudo o que estiver ao alcance” para conseguir um preço justo para o leite e frear o fechamento de mais fazendas.
Aumentos insuficientes
A UPA recusou os contratos que estão sendo ofertados pelas grandes indústrias com aumentos irrisórios de preços. A organização vai pedir à Agência de Informação e Controle Alimentar (AICA) que declare “ilegais”, pois não cobrem “em nenhum caso” os custos de produção, que subiram 30%, enquanto o reajuste no preço do leite foi de apenas 7%.
A UPA é taxativa: “Isto não pode continuar, produzir leite na Espanha é perder 6 centavos em relação a outros países superavitários da União Europeia (UE). Nenhum setor agrícola, pecuário ou econômico tem semelhante diferença de preços. É a ruína de um setor estratégico na Espanha”.
A organização pediu uma convocação urgente da “Câmara do Leite” para enfrentar esta grave situação. Pediremos ao Ministério da Agricultura que faça valer as declarações do presidente do Governo no Senado quando assegurou que novas contratações impediriam que os pecuaristas tivessem que firmar contratos abaixo dos custos de produção, como ainda ocorre nos dias de hoje.
















