Preços globais dos lácteos dão um salto e na UE deverão subir em 2022
Preços mundiais – Os preços globais dos lácteos estão nos maiores níveis desde março de 2014. Os saltos atuais anulam as perdas registradas na segunda licitação de dezembro, diz Nathan Penny, economista agrícola do banco Westpac da Nova Zelândia.

O Índice Geral de preços do Global Dairy Trade (GDT) subiu 4,6% no dia 18 de janeiro, enquanto o leite em pó integral (WMP) teve valorização de 5,6%. Os produtos cheddar e butter atingiram recordes históricos. A força dos preços ficou evidente no evento.
O economista da Westpac avalia que a fraca produção de leite na Nova Zelândia sustente os preços globais dos lácteos, pelo menos no curto prazo. “Depois de um início de temporada úmido e frio, o clima seco de agora agrava a situação. A Fonterra reduziu a previsão de captação de leite para a temporada em 1,6%, lembrando que em outras regiões importantes, como União Europeia (UE) e Estados Unidos da América (EUA) a produção continua fraca.
Crescimento adicional da oferta
O forte resultado consolida a previsão de preço do leite ao produtor em 2021/22 do banco Westpac em NZ$ 9,00/kgMS. “No curto prazo os fundamentos que balizam os preços continuam sendo positivos'', disse Penny. “Por exemplo, o tempo seco vai continuar prejudicando a produção na Nova Zelândia. Os problemas da cadeia de suprimentos relacionadas ao ômicron também pressionam os preços para cima”
A mais recente Pesquisa do Mercado de Commodities do Rabobank indica que a oferta global de leite se tornou negativa nas principais regiões exportadoras, e, no curto prazo, a previsão é de que o mercado continue apertado. “No entanto, os elevados preços globais das commodities lácteas e do leite continuarão sendo um incentivo ao crescimento da oferta”, diz o Rabobank.
Embora o aumento dos preços, normalmente, fosse um incentivo ao crescimento da oferta, a inflação de custos continuará sendo um fator negativo a limitar os planos de expansão, enquanto os desafios logísticos e de pessoal relacionados ao Covid nas fábricas e transportes serão obstáculos ao aumento da captação de leite. Em dezembro, a produção de leite na Nova Zelândia caiu 5% em meio a um tempo úmido e frio. Janeiro já está excepcionalmente quente e com baixos índices pluviométricos.
Melhoria da produção de leite
A demanda importadora chinesa mostrou forte crescimento em 2021, embora o Rabobank destaque que a força foi reduzida no segundo semestre do ano.
As importações de lácteos pela China, em 2021, foram 16% superiores às de 2020. Desde setembro, no entanto, as importações caíram 3%. “O crescimento da taxa de importações deve continuar baixo em 2022, particularmente se os preços forem mantidos elevados e os estoques confortáveis", avalia o Rabobank.
A produção de leite nos EUA caiu no último ano. O aumento dos preços estimula a produção novamente, mas o número de vacas nos EUA continua abaixo do nível de um ano atrás, e essa recuperação só deverá ocorrer no segundo semestre de 2022, diz o Rabobank.
A produção de leite em dezembro, nos EUA, foi 0,1% menor na comparação anual e a quantidade de vacas 67.000 cabeças a menos, em relação a dezembro de 2020. Isso significa que o volume de leite só poderá ter aumento, no curto prazo, através da produtividade animal.
O Rabobank enfatiza que a força do mercado da manteiga e dos pós poderá fazer com que o preço do leite Classe IV fique acima do preço do leite Classe III em 2022, nos EUA. Os preços da manteiga e do leite seco desengordurado poderão ser empurrados para cima com a melhoria da demanda, enquanto a produção estiver baixa e os estoques apertados.
Produção de leite na UE
Eventualmente os picos de preços poderão ser contidos no curto prazo, espera o Rabobank. “Mas o mercado pode se preparar para a manutenção dos altos preços em relação aos níveis mais recentes. A sustentação dos preços baixos nos anos anteriores foram decorrentes do aumento da produção na Nova Zelândia, a retirada das cotas lácteas na UE, bem como os elevados estoques. Hoje, no entanto, os estoques estão baixos e a oferta reduzida”.
De acordo com as Perspectivas Agrícolas da UE 2021-31, o crescimento da produção de leite na UE na próxima década será fraco, em torno de 0,5% ao ano, devido ao declínio do rebanho para atender objetivos sustentáveis.
Este ano, a produção de leite de vaca deverá aumentar em torno de 1,4%, em comparação com a média de 2019-2021, e atingir um total de 156 milhões de toneladas. Poderá chegar a 158 milhões até 2025. A expectativa é de que o número de vacas de leite caia das 20 milhões de cabeças em 2022, para 19,6 milhões em 2025.
Também dentro dessas projeções, as cotações das commodities lácteas crescerão em 2022, puxadas pela elevada demanda e oferta limitada.
















