Australásia – Estudo reforça o valor dos laticínios na dieta
Lácteos x idosos – Um estudo revolucionário sobre a alimentação de idosos residentes em casas de repouso contém respostas para ajudar a reduzir uma das maiores causas de morte de idosos na Nova Zelândia e Austrália.

A pesquisa durou dois anos e examinou o impacto que a adição de produtos lácteos na alimentação dos idosos em casas de repouso poderá ter sobre a densidade óssea e a prevenção de fraturas do quadril.
Os resultados foram publicados no British Medical Journal e têm implicações nos cuidados com idosos em toda a Australásia.
O raro estudo intensivo sobre a dieta envolveu contribuições da Fonterra, da Universidade de Melbourne, e do Austin Health e outras organizações internacionais de pesquisas, abrangendo 60 estabelecimentos de cuidado com idosos na Austrália, num total de 7.195 residentes com a idade média de 86 anos.
Entre eles, 30 desses centros foram randomizados com os residentes recebendo 1,5 porção a mais de lácteos, num total de 3,5 porções diárias, em comparação com o grupo controle de residentes que receberam duas porções diárias como em suas dietas normais.
A cientista e pesquisadora em nutrição da Fonterra, Caroline Gunn disse que as fraturas de quadril estão entre um dos tratamentos mais caros e prolíficos que afetam os residentes das casas de repouso. Os dados sobre fraturas na Austrália e Nova Zelândia, em 2018, mostram que mais de 25.000 quedas foram registradas em ambos os países, ao custo de NZ$ 1 bilhão por ano. E os resultados estatísticos são sombrios para as vítimas de fraturas no longo prazo.
Dez por cento das pessoas com fratura de quadril morrem 120 dias após, um quarto em um ano, e 80% morrerão em quatro anos.
A pesquisadora de nutrição da Universidade de Melbourne, Sandra Luliano, disse que existem discrepâncias significativas entre o que os idosos deveriam receber em suas dietas e o que recebem.
Homens e mulheres deveriam receber quatro e três porções, respectivamente, de lácteos diariamente, mas, a média é apenas um quarto do que deveria ser, enquanto bolos e alimentos ricos em açúcar estavam bem acima das recomendações de duas porções por dia.
Então, a questão era como podemos mudar o padrão de consumo de alimentos para proporcionar melhoria da saúde alimentar e reduzir o risco de queda?” disse Luliano.
Os produtos lácteos foram adicionados às dietas em forma de salgadinhos de queijo, leite fortificado e molhos brancos na hora do jantar.
A ingestão diária de proteínas aumentou 50% e a de cálcio em proporção similar.
Os dados sobre fraturas após dois anos revelaram que houve redução de 33% de todas as fraturas daqueles que receberam lácteos extras em comparação com o grupo de controle e uma redução de 46% nas fraturas de quadril.
Em média, 62% de todos os residentes do grupo de controle caíram durante o período do estudo, enquanto o grupo que recebeu suplemento sofreu 11% menos de quedas.
“Como grupo, os residentes que receberam suplementação tiveram a mesma expectativa de vida, mas menos quedas”, disse ela.
A Fonterra investiu um milhão de dólares kiwi em produtos lácteos para o estudo, incluindo queijo cheddar e parmesão, iogurte e leite em pó desnatado.
Os residentes do grupo de estudo apresentaram menor perda de massa muscular magra, permitindo maior estabilidade e controle, ajudando também a melhorar a confiança na mobilidade.
Ela reconheceu a dificuldade em fazer um estudo dessa natureza, sendo o custo muitas vezes um fator limitante, e a obtenção de financiamento é um desafio.
“Foi um trabalho de amor e com uma abordagem muito colaborativa para conseguir o dinheiro”, disse ela.
Os cientistas enfatizaram que as mudanças dietéticas concentraram-se em fornecer proteína e cálcio adicionais na forma de laticínios convencionais, ao invés de produtos do tipo suplemento.
“Trata-se de voltar para a comida. Eles não precisam de suplementos se receberem a alimentação diária correta. O suplemento tem um propósito, geralmente é utilizado para aqueles que foram hospitalizados e precisam recuperar o peso”, disse ela.
Luliano disse que os dados deram voz aos pesquisadores para pressionar pela melhoria das dietas dos idosos e que existe a suspeita de que essa melhoria não ocorra por questão de custos.
“Mas é preciso olhar para o custo total. Oferecer lácteos extra é menos de um dólar por dia por residente, e isso muda os resultados clínicos”, acrescentou ela.
















