Espanha – Rejeição à proposta de limitar a 600 cabeças e protesto pelo preço do leite
Espanha – A organização Jovens Agricultores e Pecuaristas da Catalunha (JARC) reuniu-se com o Departamento de Alimentação e Agenda Rural (DACC) para discutir a crise no setor leiteiro e a modificação do Decreto de Gestão da Pecuária que afeta os produtores de leite e outros setores da pecuária, ao mesmo tempo em que deixou clara sua rejeição à proposta de reduzir o número de 850 cabeças de animais permitido pela legislação nacional, para 600 cabeças na Catalunha.
As principais implicações da modificação do Decreto são a limitação do tamanho das fazendas, que o Governo catalão fixou em 600 cabeças (250 menos do no resto do país), e a obrigação de fechar o perímetro das fazendas, com moratória de dois anos. Conforme explica Roser Serret, representante do setor de laticínios da JARC, “mesmo sem ter tido acesso ao documento final ainda, restringir a 600 cabeças não nos parece lógico, especialmente se levarmos em consideração que somos deficitários em leite, e isso implicará em depender de importações e estarmos sujeitos à imposição de preços”.
Preços
As mobilizações contra a rede varejista Mercadona e outras grandes cadeias de distribuição vão continuar em decorrência do aumento ridículo do preço do leite.
O Sindicato Unión de Uniones de Agricultores y Ganaderos (UyU) considera “um desrespeito da distribuição”, e anunciaram que as mobilizações continuarão para mostrar ao consumidor os responsáveis pela destruição do setor lácteo e não aceitarão o aumento irrisório do preço do leite que foi proposto.
Isso foi decidido em uma assembleia realizada recentemente, quando o sindicado considerou que a “elevação de preços anunciada pela Mercado e as outras cadeias de distribuição tinha o objetivo de desmobilizar o setor”. Além disso, a entidade denunciou que o aumento ridículo do preço do leite só foi anunciado para os produtores que entregam para a produção do leite líquido, porém, a situação dos outros agricultores que produzem leite que são destinados à elaboração de lácteos com maior valor agregado, como iogurtes e queijos, é igualmente crítica, razão pela qual o Sindicato afirma que esses produtores também precisam de aumentos que lhes permitam dar viabilidade econômica às suas fazendas.
Diante dos argumentos de alguns, de que a crise no setor é temporária, a UyU lembra que a queda contínua, mês após mês, ano após ano, no número de agricultores, mostra que se trata de uma situação estrutural, e desta vez está sendo muito mais grave, diante dos fortes aumentos nos preços dos insumos, em torno de 20%, e de forma generalizada. Estes custos não se refletiram no preço do leite pago ao produtor.
















