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Especiais Selectus nº 6230

Uruguai – O presidente do Inale explicou porque produz mais leite com menos produtores

Produção/UR – Os níveis de captação de leite continuam aumentando, e isso para o presidente do Instituto Nacional do Leite (Inale), Juan Daniel Vago, pressupõe um cenário muito positivo, mas o fechamento de fazendas leiteiras continua e isso para ele é “um problema de muitos fatores”, e vai de mãos dadas com a forma como os produtores passaram “os últimos cinco anos em cenários adversos para os lácteos”.

Fonte: Fonte: El Observador – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Imagem de Reinhard Thrainer por Pixabay
Uruguai – O presidente do Inale explicou porque produz mais leite com menos produtores

Segundo os últimos dados do Inale, em agosto deste ano, os produtores entregaram 5,3% mais leite para as indústrias do que em agosto de 2020, chegando aos 208,8 milhões de litros.

O aumento da captação, explicou Vago, se dá principalmente pelas condições climáticas favoráveis que ajudam no crescimento das pastagens; os “bons preços que começaram a receber”; e as boas perspectivas para 2022, fazendo com que alguns produtores decidam investir mais em insumos, ainda que cautelosamente, porque os custos também aumentaram.

Os que resistiram e os que não

Mas, ao mesmo tempo, o fechamento de fazendas leiteiras se acentuou este ano.

O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Leite (ANPL), Walter Frisch, destacou ao Observador que segundo os registros do Fundo de Financiamento da Atividade Leiteira (FFAL) durante 2021 fechou uma fazenda leiteira a cada 96 horas; de janeiro até junho foram 44 propriedades. E isso, para Vago se explica porque dentro do setor “existem diferentes cenários”.

“Existem produtores que resistiram aos cinco anos ruins e agora estão crescendo. Existe um intermediário que passou muito mal e agora está patinando. São os que devem ser empurrados. E existe um terceiro grupo que praticamente não resistiu e isso se dá em todos os estratos: produtores pequenos, médios e grandes”, explicou.

Segundo ressaltou, os últimos foram “cinco anos lapidados” e a situação, na qual “muitos ficaram pelo caminho”, pode ser revertida com previsibilidade, políticas públicas claras, apoio e um desenvolvimento rural sustentável.

Nesse sentido, destacou a criação do Sistema Nacional de Inovação e Desenvolvimento Rural (Snider), do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca; e afirmou que inovação e desenvolvimento rural sustentável são dois conceitos chaves para o setor lácteo.

Sustentabilidade: a produção em 15 anos

“É preciso trabalhar nas mudanças com visão em inovações, para que se adote tecnologias, processos e investimentos”, mencionou e ressaltou que, por exemplo, os créditos de longo prazo permitem pensar no que se pode ir avançando em melhorias para a produção.

“Em um cenário de poucos recursos é preciso ter muito diálogo, máxima articulação e utilizar bem os poucos recursos que chegam diretamente ao produtor com o mínimo de intermediação possível”, afirmou Vago.

Para ele, caminhar para uma produção que seja sustentável ao nível “social, econômico e ambiental” é fundamental para o desenvolvimento do setor, e que a busca do valor agregado dos produtos ocorra vinculada com a produção e o cuidado com o meio ambiente.

Para os próximos 15 anos ele vê o setor lácteo com otimismo e uma das coisas que disse nesse sentido é que é possível pensar em produzir 50% mais leite, “é cientificamente provado”, com a participação dos jovens e a incorporação de mais tecnologia.

“Olhando para os próximos 15 anos, fazendo prospecção e envolvendo os jovens temos vantagens comparativas muito grande nos mercados. A inserção internacional é fundamental e vemos como auspiciosa, porque existe demanda mundial por proteína. Creio que como pais devemos trabalhar para tornar as coisas sustentáveis e certificá-las para buscar mercados”, concluiu.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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