EUA – Inflação de alimentos aumenta
Inflação/EUA – A inflação de alimentos, que continua levando mais pessoas à insegurança alimentar tanto aqui, como no exterior, parece estar crescendo novamente por várias razões.
De acordo com o Escritório de Trabalho e Estatísticas dos Estados Unidos da América (EUA), tanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no atacado como para a alimentação fora de casa aumentaram 0,4% em agosto em comparação com junho, enquanto que o índice geral foi de 0,3%. Na comparação anual, o aumento de agosto foi 5,2%.
“Globalmente, a tendência parece ser a mesma”, disse Betty Berning, analista do Daily Dairy Report. Em agosto o Índice de Preço dos Alimentos (FFPI) da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) aumentou 3% na comparação mensal, depois de dois meses de queda. Na comparação anual, o FFPI subiu cerca de 33% em relação ao nível de agosto de 2020.
A atualização dos dados do Serviço Agrícola no Exterior (FAS) do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), mostra que as projeções apontam para 921 milhões de pessoas em insegurança alimentar no ano passado, um aumento de 160 milhões de pessoas em relação às estimativas pré-pandemicas. O FAS observou que os impactos da Covid-19 provavelmente persistirão e, em 2030, a insegurança alimentar será quase 27% maior do que as estimativas anteriores à pandemia.
“Nos EUA, a escassez de mão-de-obra, ingredientes e embalagens, junto com o aumento dos custos das commodities estão impulsionando a inflação, e agora com o fim dos auxílios aos desempregados decorrentes da pandemia, as famílias de baixa renda estão sentindo o aperto com dos preços elevados dos alimentos”, disse Berning.
Surpreendentemente, Beth acrescentou que o IPC dos lácteos e produtos relacionados caíram 1% em agosto, quando comparado com o nível do mês de julho, depois de subir por quatro meses consecutivos, mas, a suspensão deve ser de curta duração. Globalmente, os FFPIs da FAO de óleos vegetais, laticínios, cereais, carne e açúcar no mês de agosto ficaram entre 14% e 68% mais altos do que os registrados no mesmo mês do ano anterior.
“Muitas empresas de alimentos, incluindo Nestlé, PepsiCo, Conagra, e General Mills, disseram que planejam passar o aumento de custos para os consumidores, e outras empresas de alimentos provavelmente farão o mesmo”, observa Berning. “A Nestlé tem a expectativa de que os custos elevados persistirão em 2022, mas a Dollar General afirmou que não pretende elevar os preços diante do aumento de custos, e em vez disso, mudará seu mix de produtos para manter os preços baixos indo ao encontro das necessidades demográficas”.
A alta dos preços dos fertilizantes também terá impacto nos preços dos alimentos no final de outubro, bem como no próximo ano se os agricultores reduzirem o uso dos adubos. A alta nos preços do gás natural estimulou a CF Industries, sediada em Illinois, uma grande fabricante de fertilizantes, a suspender por tempo indeterminado, a produção, de acordo com a CNN Business. A empresa fornece dióxido de carbono de grau alimentício, um subproduto da produção de fertilizantes, para processadores de carne e fornece 60% do gás usado no Reino Unido. O dióxido de carbono de grau alimentício é usado para prolongar a vida de prateleira de alguns alimentos, bem como para neutralizar animais para abate e em bebidas gaseificadas. Analistas esperam que a escassez de alimentos no Reino Unido comece dentro de semanas devido à falta de dióxido de carbono de grau alimentar.
Países em desenvolvimento, como Rússia, México e Brasil foram mais afetados pela inflação de alimentos do que os desenvolvidos, disse Berning. Olhando para o futuro, os bancos centrais estão diante de um delicado equilíbrio com as taxas de juros. “O aumento da taxa pode reduzir a inflação, mas possivelmente prejudicaria a tão necessária recuperação econômica”, disse ela. “Com a iminente incerteza financeira e a inflação em curso aumentando os preços dos alimentos, as perspectivas da demanda futura dos lácteos parece sombria”.
















