ONU – Cúpula de Sistemas Alimentares buscará soluções para combater a disfunção alimentar global
Metas do Milênio – A 1ª Cúpula dos Sistemas Alimentares da ONU reuniu líderes no dia 23 de setembro de 2021, em Nova Iorque em um esforço de estabelecer ações nacionais e regionais para atingir os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs) da Organização das Nações Unidas (ONU) através da transformação dos sistemas alimentares.

Entre os objetivos até 2030 estão: Fome Zero, Fim da Pobreza, Igualdade de Gênero e Ações Climáticas. Mais de 150 países se comprometeram a transformar seus sistemas alimentares, ao mesmo tempo em que defendem maior participação e equidade, especialmente entre agricultores, mulheres, jovens e grupos indígenas.
O último relatório IPCC (de mudanças climáticas, levantou um “alerta vermelho” para o aquecimento global impulsionado pelo homem, e a administração dos Estados Unidos, um dos maiores produtores agrícolas do mundo, prometeu US$ 10 bilhões em cinco anos para enfrentar as mudanças climáticas e ajudar a alimentar os mais vulneráveis sem esgotar os recursos naturais.
Metade desses fundos será investida internamente em “um reconhecimento de que todos os países, mesmo aqueles que produzem um excedente de alimentos, devem tomar medidas para melhorar a nutrição e adaptar seus sistemas alimentares às alterações do clima”.
As transformações dos sistemas alimentares são essenciais para sustentar três bilhões de pessoas desnutridas em todo o mundo e proteger os recursos naturais que são os meios de subsistência globais.
Nesse contexto, a Cúpula, convocada pelo Secretário Geral da ONU em 2019 para acelerar o progresso global, ressaltando a importância da interconectividade dos sistemas alimentares, apresentou compromisso de mais de 85 chefes de estado de todo o mundo.
A pandemia de Covid-19 aumentou o número de pessoas que vivem na pobreza em 2020 em mais de 124 milhões de pessoas, e a projeção é de que cerca de 600 milhões de pessoas ainda viverão na pobreza em 2030.
A primeira-ministra, Jacinda Ardern, anunciou que a Nova Zelândia se juntaria à Coalizão dos Sistemas Alimentares dos Povos Indígenas. “Nos comprometemos em garantir que os Povos Indígenas possam ajudar a liderar o caminho. Para a Nova Zelândia, isso significa promover o importante papel dos Maoris em nossos setores de alimentos e estimular o crescimento do agronegócio Maori, removendo barreiras e capacitando lideranças Maoris”, disse Jacinda Ardern.
Outros países prometeram apoio aos direitos indígenas, incluindo Honduras, fortalecendo o papel das autoridades locais, Samoa, que promove o conhecimento tradicional e indígena para impulsionar a produção positiva para a natureza. O Peru e as Filipinas apoiam a formalização da posse da terra.
Em parte devido à pandemia de Covid-19, a prevalência da desnutrição aumentou 9,9% em 2020, com estimativas de que entre 720 e 811 milhões de pessoas no mundo passam fome. Enquanto isso, duas em três crianças não possuem dietas minimamente diversificadas necessárias na primeira infância para um crescimento saudável.
“Nos da comunidade internacional, não estamos cumprindo nossas promessas de erradicar a fome”, disse o presidente da Finlândia, Sauli Niinistö. “Na Finlândia a alimentação escolar é fornecida desde 1940...para lidar com a pobreza e desnutrição do pós-guerra”, disse ele, acrescentando que “o sistema de alimentação escolar provou ser um investimento no futuro e no bem-estar econômico e social da sociedade”.
Reconhecendo a alimentação como um “direito fundamental básico”, a Primeira-Ministra de Bangladesch, Sheikh Hasina, destacou a necessidade de focar em “alimentos de qualidade para todos”, em um país onde a agricultura continua sendo o setor mais importante.
Da mesma forma, Burkina Faso destacou o direito à alimentação, comprometendo-se a incluí-lo na sua constituição.
Muitos países anunciaram iniciativas nacionais para garantir que seus sistemas alimentares atendam não apenas às necessidades nutricionais de suas populações, mas também às metas relacionadas às mudanças climáticas, biodiversidade e meios de subsistência adequados para todos.
O Camboja se comprometeu a trabalhar para a promoção da igualdade de gênero e a criação de oportunidades de emprego para jovens e mulheres no sistema alimentar, ao mesmo tempo que os prepara para se tornarem agentes de mudança para dietas nutritivas.
As coligações, que incluem um compromisso global feito por mais de 15 países para fornecer refeições escolares saudáveis e nutritivas, abrangem as cinco áreas prioritárias de ação definidas pelo Secretário Geral da ONU, António Guterres, que incluem:
- Nutrir todas as pessoas
- Impulsionar soluções de respeito à natureza
- Promover meios de subsistência equitativos, trabalho decente e comunidades empoderadas
- Estabelecer medidas de resiliência a vulnerabilidades, choques e tensões
- Apoiar meios de implementação
Entre as iniciativas lançadas pela sociedade civil, instituições financeiras, acadêmicas e filantrópicas houve um novo investimento de US$ 911 milhões nos próximos cinco anos em sistemas alimentares nutritivos anunciados por Melinda Gates em nome da Fundação Bill & Melinda Gates, que disse “a desnutrição está custando mais de US$ 3,5 trilhões para a economia global todos os anos. Sistemas de alimentação resilientes que disponibilizam alimentos saudáveis, acessíveis e nutritivos para todos levará a mais saúde e prosperidade, tanto para as pessoas como para os países”.
O Presidente do Banco Mundial, David Malpass, enfatizou que, uma combinação “de financiamento mais inteligente dos alimentos, junto com conhecimento científico e vontade política, pode ser uma mudança no jogo”.
















