UE – Padrão para orgânicos é um desafio para o setor lácteo
Orgânicos/UE – Um dos objetivos da estratégia da União Europeia (UE) Farm to Fork é aumentar para 25% a participação de orgânicos agrícolas até 2030. Existem grandes obstáculos a serem superados, particularmente no setor lácteo, onde apenas 4% do rebanho leiteiro atual é orgânico.

O setor lácteo tem crescido nas últimas duas décadas, mas o contínuo aumento requer apoio dos produtores de leite, das indústrias de laticínios, dos varejistas e consumidores.
De acordo com um relatório de Análise Econômica e Financeira do ING, as principais indústrias de laticínios ainda não aderiram à pauta orgânica. As medidas políticas propostas na estratégia Farm to Fork tendem a se concentrar no desenvolvimento da oferta, o que implica em tornar primordial que indústrias e varejistas estimulem a demanda por produtos orgânicos.
Isso, no entanto, somente irá funcionar se os consumidores estiverem dispostos a pagar um pouco mais ou se os produtores de leite receberem uma compensação da UE por seus esforços adicionais, disse o ING. De acordo com o BEUC (Organização Europeia de Consumo) apenas 1 em cada 5 consumidores comunitários está disposto a gastar mais em alimentos sustentáveis.
Além disso, as fábricas de processamento de laticínios podem ser subutilizadas, caso haja aumento da produção de leite orgânico que reduza o volume de leite comum, pressionando o preço de custo. As indústrias de laticínios dependem de exportações de produtos lácteos, e passarão a enfrentar desafios que trarão custos adicionais.
Principais obstáculos enfrentados pelo setor lácteo
O ING destaca os 4 principais obstáculos no caminho do setor lácteo. Isso determinará se os objetivos do Farm 2 Fork (F2F) serão bem sucedidos:
- Apoio da UE e do setor lácteo: Existem grandes preocupações em relação à renda agrícola, competitividade e segurança alimentar em relação à estratégia F2F. No setor lácteo, especificamente, as metas orgânicas receberam apoios diferentes porque elas podem ofuscar os progressos obtidos anteriormente em relação às emissões de CO2 e uso da terra.
- Medidas políticas: Mudar os sistemas alimentares existentes exigem um apoio integral de numerosos setores (por exemplo: agricultura, saúde e meio ambiente) e interligações de medidas ao nível nacional e europeu. Dificuldades em redirecionar fundos da UE direcionados para práticas agrícolas convencionais para aquelas ligadas à sustentabilidade.
- Custos e riscos da transição: Os custos e riscos relatados para a transição são grandes obstáculos para muitos agricultores, e alguém precisa pagar essa conta.
- Conscientização e disposição do consumidor para pagar mais: Contínuos esforços são necessários para assegurar que os consumidores valorizem os esforços relacionados à sustentabilidade agrícola. Além disso, a demanda de exportação para lácteos orgânicos é limitada, e é no mercado de commodities que muitas empresas de laticínios conseguem parte de sua receita. Os varejistas, também, reconhecem a necessidade de tornar suas cadeias de suprimentos mais verdes, mas têm medo de perder para os concorrentes, clientes sensíveis a preços.
Participação de vacas leiteiras nos 10 principais países produtores de leite na UE em 2019.

Impacto econômico
A proposta política que provavelmente terá o maior impacto será a meta de usar pelo menos 25% do total das fazendas da UE para produção orgânica até 2030. Isso envolverá o compromisso de todos os elos da cadeia de valor. Parece improvável que haja meta específica para as fazendas de leite, no entanto, o setor lácteo é um grande ocupante de terras agrícolas utilizadas para a pastagens dos animais e produção de grãos para alimentação animal. O setor terá de pensar em como contribuir, observa o relatório do ING.
















