IICA – Fortalecer a ciência e tecnologia é fundamental para melhorar o sistema agroalimentar
Ciência e tecnologia – A ciência e a tecnologia estão sendo convocadas para desempenhar um papel fundamental na agroalimentação. O conceito foi aprofundado e destacado no fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para transformar os sistemas alimentares da América Latina, organizado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Algumas das principais ideias e conclusões expostas no fórum virtual, passam pela necessidade de formação de coalizões para a transformação positiva dos sistemas alimentares.
Foi ressaltada a pertinência de que uma ampliação produtiva, que tenha como base o fortalecimento dos sistemas nacionais de ciência e tecnologias, é essencial para aproveitar oportunidades em todo seu potencial e para proteger e recuperar a natureza.
O evento foi realizado visando a Cúpula dos Sistemas Alimentares da Organização das Nações Unidas, e contou com o apoio da Biodiversidade Internacional, da Coalização para a Alimentação e Uso do Solo do fundo mundial WWF e do Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT).
Manoel Otero, diretor geral do IICA abriu o intercâmbio destacando que “somente com ciência, tecnologia e inovação vamos melhorar o desempenho da produção, transformando nossos sistemas agroalimentares, que são componentes fundamentais da economia mundial”.
Enfatizou que os produtores agropecuários, definidos como “a alma do setor rural”, devem estar devidamente representados na Cúpula, e destacou a iniciativa no âmbito do IICA -Solos Vivos das Américas – como um programa fundamental para “recuperar a saúde dos solos, levando em conta que hoje mais da metade dos solos da América Central estão com sérios problemas de degradação”.
TEMOS UM CONTINENTE RICO EM ALIMENTOS
Por outro lado, Claudia Martinez, diretora executiva de E-3Ecologia, Economia e Ética, ressaltou a importância das coalizões e as condições de produção, no qual destacou a necessidade de fomentar “coalizões que transformem os sistemas alimentares da América Latina”.
Posteriormente, abordou os problemas de custos e solos enfrentados pela produção: “os custos ocultos globais da alimentação e do uso do solo ascenderam a 12 trilhões de dólares, em comparação com o valor de mercado dos sistemas globais de alimentação que totalizam 10 trilhões, significando que esses sistemas custam hoje ao mundo mais do que produzem. E isso é o que devemos transformar”, afirmou.
Para isso, propôs avançar nas transições a mudar e, nesse sentido, posicionou-se a favor da expansão da produção “num continente absolutamente rico em alimentos, no qual temos 300.000 plantas e só comemos entre 100 e 150, dos quais trigo, milho, arroz e batata fornecem 60% das calorias que consumimos”.
Neste sentido, sublinhou que são muito importantes as oportunidades de negócio que poderão ser geradas com as alterações dos sistemas agroalimentares e que, para isso, “a ciência e a tecnologia são fundamentais, tal como é necessário proteger e restaurar o meio ambiente, e encerrar a conversão de florestas e outros ecossistemas naturais”.
MELHORAR A FORMA COMO PRODUZIMOS ALIMENTOS
Já o representante da WWF, João Campari, falou sobre o desafio de cumprir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável em 2030, o que implicará “resolver uma série de desafios sobre a forma como produzimos os alimentos”. Enfatizou o uso da água, a perda de biodiversidade e o desperdício de recursos naturais.
“O que buscamos é proteger os sistemas econaturais e para isso devemos gerenciar os sistemas de produção de alimentos existentes e restaurar ecossistemas degradados, através da recuperação da função dos solos”, explicou.
A Cúpula “deve ser uma Cúpula dos povos, das pessoas e da ação destas populações”, buscando mitigar fenômenos como o desmatamento e a degradação dos solos que levaram a América Latina e Caribe a perder um quarto de suas florestas entre 2004 e 2017 ao longo da Amazônia, o Chaco, as terras baixas da Bolívia, os bosques maias e o Chocó-Darién, ecorregião no oeste da Colômbia e leste do Panamá, região de índices pluviométricos extremamente elevados e uma grande biodiversidade.

Assim como Otero e Martínez, Campari reivindicou o uso da ciência e da tecnologia “de forma a tornar muito mais eficiente a produção, produzir mais com menos, sermos mais inclusivos”, para concluir dizendo que “o que os sistemas alimentares fizeram pelo mundo nas décadas mais recentes é um grande feito, mas o que precisamos agora é repensar, porque as condições de atuação são diferentes e devemos fazer todos juntos, produtores e ambientalistas”.
GRUPOS DE DISCUSSÃO
Depois da sessão inicial, o fórum foi dividido em oito grupos de discussão entre os mais de cem inscritos, cujos resumos foram apresentados na parte final do conclave através de um representante por equipe.
Entre os temas abordados, destacaram questões como a relação entre a ciência e os conhecimentos ancestrais das comunidades agrícolas; a capacitação e extensão no meio rural, as novas formas de comer e de produzir; as proteínas alternativas; as fronteiras agrícolas; a pecuária, e a maior valorização dos sistemas alimentares próximos às florestas, entre outros.
A mudança climática, suas causas e seus efeitos sobre a produção e os alimentos resultantes foi outra das questões mais mencionadas nos debates dos grupos, constituindo um foco de primeira ordem para as inovações com base na ciência e tecnologia.
A intervenção de políticas públicas seguras ao longo do tempo, além das administrações políticas circunstanciais, foi outra reivindicação em favor de uma agricultura sustentável, para combater o desmatamento e as mudanças climáticas, a melhora da qualidade da produção e o impulso ao comércio, entre outros desafios sobre os sistemas agroalimentares regionais.
Nos debates, ficou evidente o foco na importância da pesquisa, destacando a necessidade de aumentar os investimentos em ciência e tecnologia para financiar os produtores e as publicações científicas. A promoção de ferramentas digitais para aumentar a eficiência, a produção e a tomada de decisões também foi uma reivindicação dos grupos, com destaque para a acessibilidade e conectividade.
Em um resumo do que foi relatado sobre as atividades dos grupos, o diretor geral da Aliança de Biodiversidade Internacional e o Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), Juan Lucas Restrepo, destacou a importância dos fóruns de debate, “espaços fundamentais”, já que não pode ser somente os ministérios da Agricultura da região a tomarem iniciativas, mas também o setor privado, os produtores, a academia e os consumidores.
“Temos que repensar de forma abrangente como a região é trabalhada, como cuidamos de nossos recursos naturais, nossas florestas e também nosso solo”, concluiu Restrepo.
















