Pedro Soares dos Santos: “A grande revolução do e-commerce não será feita no varejo alimentar”
E-commerce - Pedro Soares dos Santos, presidente do Conselho de Administração da Jerónimo Martins, acredita que o e-commerce veio para ficar e vai alterar a realidade do varejo em Portugal e no mundo. Mas essa mudança vai impactar sobretudo os negócios do varejo não alimentar.

“A grande revolução do e-commerce vai acontecer no varejo não alimentar. Há uns anos li um estudo feito em 2001 que previa que em 2010 já não existiriam lojas físicas. E as lojas cá estão, vão continuar a existir e vão continuar a ser um objetivo muito importante”, disse o presidente do Conselho de Administração da Jerónimo Martins, num debate com Cláudia Azevedo, presidente da Comissão Executiva da Sonae, que ocorreu na manhã desta quarta-feira na conferência “Spring Conference – “Meeting the Future”, promovida pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED).
“Fala-se muito no fim dos caixas, mas quem é a última pessoa com quem falamos ao visitar as nossas lojas? Mesmo que os caixas venham a ser substituídos por tecnologia, e isso é possível, não vamos poder fazer desaparecer as lojas físicas onde investimos durante dezenas de anos. Vamos reinventá-las e oferecer alguma coisa nova, alguma diferença em relação ao e-commerce. Porque lojas físicas e e-commerce vão funcionar em paralelo, isso para mim é um fato. O e-commerce alimentar vai ser sempre um complemento das lojas físicas”, acrescentou o CEO da Jerónimo Martins.
Cláudia Azevedo fala sobre outro desafio: que argumentos têm as maiores empresas de e-commerce em Portugal para defesa em um mercado dominado por gigantes mundiais, como a Amazon e o Alibaba? Estas empresas “que entram em Portugal pela porta da frente, pagam IVA das coisas que vendem, mas não pagam a ninguém IRS nem segurança social”, lembra a presidente da Comissão Executiva da Sonae.
“O ecossistema do varejo é mundial, e temos de ser competitivos com estas empresas. É importante termos essa noção. Temos marcas muito fortes portuguesas e investimos fortemente em Portugal, mas não somos players mundiais. Vimos isso agora na pandemia quando se proibiu a venda de livros e brinquedos nos supermercados, tivemos um e-commerce baseado na Espanha que vendeu mais para Portugal do que para a própria Espanha”, acrescentou.
















