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Especiais Selectus nº 6123

O atraso nos embarques reduzem o fluxo de produtos lácteos por terra e mar

Transporte/EUA – As interrupções causadas pela pandemia do Covid-19 no transporte em todo mundo, ainda são sentidas hoje.

Fonte: Fonte: Dairy Herd – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: CC Search CCO 1.0
O atraso nos embarques reduzem o fluxo de produtos lácteos por terra e mar

O presidente da Blimling and Associates, com sede em Madison, Phil Plourd, disse que os gargalos e atrasos no transporte marítimo e terrestre impactarão no comércio internacional e doméstico de produtos lácteos em todo o ano de 2021, e provavelmente depois.

A empresa de pesquisa e corretora de laticínios de Plourd publicou recentemente “Estradas esburacadas e águas agitadas”, um relatório da situação e perspectivas sobre o frete e transporte globais. Em um webinar abordando o mesmo assunto, ele observou que o impacto no movimento internacional de carga está virtualmente atingindo toda a indústria, incluindo a agricultura.

“Cerca de 90% do transporte mundial é feito por água”, ele observa. “Dado o enorme estímulo governamental, os gastos - particularmente via e-commerce – aumentaram entre os consumidores norte-americanos. Embora isso possa ser bom para a economia, a situação está pressionando o tráfego marítimo e o acesso a portos, porque muitas dessas compras vêm do exterior, especialmente da China”.

Na verdade, atualmente o comércio internacional dos Estados Unidos da América (EUA) contabiliza déficit mensal de US$ 70 bilhões, significando que está havendo muito mais mercadorias importadas do que exportadas.

A assimetria da demanda, congestiona portos e provoca escassez global de contêineres, criando um fenômeno chocante: “Justo agora, temos navios voltando para a Ásia, com contêineres vazios”, afirmou Plourd. “É mais eficiente devolvê-los imediatamente para que retornem carregados de mais iphones e mobílias do que esperar um dia ou dois para carregar esses navios com leite em pó ou grãos”.

Como resultado, os produtos lácteos começam ser acumulados em algum depósito, aguardando um novo destino. Plourd disse que há uma demanda por lácteos saudáveis na Ásia, especialmente em novos mercados como Vietnã e Coreia. Mas, o desafio agora é como eles chegarão lá.

No âmbito doméstico, o comércio varejista também está afetando a indústria de caminhões. “Os preços de furgões frigoríficos, ou de carga seca, assim como caminhões tanque estão em níveis nunca vistos antes”, disse Plourd. “Ao mesmo tempo, sobem os custos com combustível e seguros junto com a escassez de caminhoneiros em todo o país”.

Ele disse que os pedidos de caminhões e reboques que estavam em declínio antes da pandemia, agora se avolumam nas fábricas automotivas, onde a produção está prejudicada pelo atraso na chegada de peças, junto com o aumento dos custos do aço e da madeira.

Nos EUA, em média, os alimentos percorrem uma jornada de 2.400 quilômetros, da fazenda ao prato. Hoje cerca de 3,4 centavos de dólar são destinados ao pagamento de transporte nos EUA.

Mais uma vez, os atrasos na capacidade de transporte não são um bom sinal para os laticínios. Transportar um caminhão de queijo do centro da Califórnia para o leste de Wisconsin custa cerca de US$ 6.072, ou cerca de 14 centavos de dólar por libra – a título de comparação, um ano atrás o valor era US$ 4.774 ou 11 centavos de dólar.

Plourd disse que a escassez e custos de caminhões refrigerados podem ser especialmente um transtorno regional. “Se você é um processador em uma região onde o frete de tanques está apertado, existe o potencial para vendas precipitadas, desencadeando uma uma “liquidação” desesperada”, explicou ele.

Como Plourd não prevê desaceleração na demanda por caminhões tão cedo, ele acredita que o frete doméstico será mantido nos níveis atuais pelo resto de 2021.

A normalização das viagens aéreas ainda este ano poderia trazer algum alívio na pressão sobre o transporte marítimo, especialmente internacional. As fábricas de contêineres também deverão aumentar a produção e trabalhar para atender a demanda. Mas, no curto prazo, os atrasos e caos provavelmente continuarão.

“Eventualmente, eu acredito que a falta de contêineres será resolvida, os portos voltarão ao normal e as rotas de embarque globais serão reabertas”, previu Plourd. “Mas, eu duvido que qualquer um desses problemas tenha solução ainda este ano”.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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