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Especiais Selectus nº 6122

Uruguai – Início de 2021 com mais faturamento e leite, mas com margens reduzidas

Produção/UR – O primeiro trimestre do ano fecha com um gosto agridoce para os produtores de leite, já que a firmeza do mercado internacional dos lácteos não chega aos produtores para compensar a elevação dos custos de produção, conforme apresentado no relatório de abril: Outono com duas caras.

Fonte: Fonte: Tardaguila - Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: CC Search BY 2.0
Uruguai – Início de 2021 com mais faturamento e leite, mas com margens reduzidas

Tomando como base o forte crescimento da captação, de 10,3%, para a Conaprole em março, a captação das fábricas terminarão o período janeiro-março entregando 450 milhões de litros, um avanço de 7,3% em relação a igual período do ano anterior. Desta forma, se confirma o firme crescimento no setor primário da cadeia, rumo a um outro ano recorde em produção, como foi em 2020.

Assumindo um valor médio por litro de leite para março de US$ 0,31 (abaixo dos US$ 0,32/litro de fevereiro), a renda bruta em dólares correntes das fazendas leiteiras de janeiro a março irá totalizar US$ 141,8 milhões, US$ 12 milhões a mais em relação aos US$ 129,9 milhões recebido no mesmo período de 2020.

O crescimento do faturamento dos produtores de leite este ano se deu basicamente pela maior produção de leite, já que o preço em dólares no trimestre foi de US$ 0,31 por litro.

De qualquer forma, esse dado de maior faturamento bruto não consegue superar os US$ 148 milhões do trimestre janeiro-março de 2018, e está bem abaixo dos US$ 190 milhões que receberam os produtores em 2014.

Uruguai – Início de 2021 com mais faturamento e leite, mas com margens reduzidas

Cai o poder de compra

A preocupação com as margens cada vez menores para a rentabilidade dos produtores de leite ficou evidente na última atualização do Poder de Compra do leite divulgado pelo Instituto Nacional do Leite (Inlae) em fevereiro. Este mês o índice fechou com um valor de 75, ou seja, está 25% abaixo da base março de 2014=100. Ainda que o indicador tenha sido reajustado em 2% em relação a janeiro em decorrência da melhora do preço do leite ao produtor (3%), os custos subiram 2%.

Desta forma, o índice do poder de compra do leite de fevereiro deste ano ficou 5% abaixo do de fevereiro do ano passado, que era de 79. Isto se deve ao fato de que no último ano o preço do leite ao produtor teve reajuste de 15%, mas, o índice de custos foi de 21%. As categorias que mostraram a maior incidência nesta variável foram os concentrados, sementes e fertilizantes, segundo o Inale.

Um fator que também afetou os produtores foi a forte valorização do dólar no início do ano. Ao fechar março, o dólar havia aumentado 4,3% em relação ao peso uruguaio. Em abril a tendência altista do dólar perdeu força. A média das respostas à pesquisa do Banco Central do Uruguai (BCU) de março prevê que o dólar deve encerrar o ano em UY$ 45,5, em relação ao que valia em janeiro que era de 44,8 pesos uruguaios. Isso implicaria elevação de 7,4% em relação à cotação do final de 2020, muito próxima da previsão de uma inflação de 7,1% estimada pelos analista para o final deste ano.

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Cresce inadimplência da indústria

A cadeia láctea (indústria e produtores de leite) fechou fevereiro com créditos de US$ 440,5 milhões no sistema financeiro, contra US$ 434 milhões em igual mês do ano passado. Desse montante, US$ 35,6 milhões estavam vencidos (8,1%), o que representa deterioração em relação aos US$ 26,2 milhões atrasados no mesmo período do ano passado, ou 6% do total, segundo dados publicados pelo BCU.

No caso do setor primário (produtores), o passivo com os bancos seria de US$ 243,2 milhões, dos quais US$ 13,5 milhões (5,5%) do total estavam em mora. Em relação ao mesmo mês de 2020, os produtores reduziram seu endividamento em torno de US$ 13 milhões. A taxa de atraso não mostrou grandes flutuações, mantendo-se na média de 4,7% no último ano.

Na indústria a situação é oposta. A dívida cresceu US$ 20 milhões em fevereiro em relação ao ano passado, US$ 197,4 milhões. Desse montante, os créditos vencidos somavam US$ 22,1 milhões (11,2% do total). Um ano atrás o percentual de empréstimos nessas condições das indústrias de laticínios do Uruguai era de 7,2%. Assim, a deterioração na carteira de créditos da cadeia láctea com o sistema bancário em seu conjunto se explica, principalmente, pelo desempenho da indústria este ano.  

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Acesse aqui a matéria na íntegra 

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