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1º Open Day do Comitê Brasileiro da FIL/IDF destaca a importância da federação para o setor lácteo

Open Day - Realizado na tarde desta sexta-feira (23/04) o Open Day, evento online e aberto de iniciativa do Comitê Brasileiro da FIL/IDF (CB/FIL), trouxe uma série de palestras e apresentações abordando temas de conhecimentos científicos sobre consumo e produção de laticínios.

Fonte: Fonte: Terra Viva | Foto de capa: CB FIL/IDF no evento Open Day/ Capturada pela Terra Viva
1º Open Day do Comitê Brasileiro da FIL/IDF destaca a importância da federação para o setor lácteo

O CB FIL/IDF é um dos comitês da Federação internacional do leite (FIL/IDF) que está presente em mais de 40 países. O comitê brasileiro conta com 130 profissionais multidisciplinares e voluntários, que se dedicam em estudos e pesquisas sobre o leite e seus derivados, englobando toda a cadeia desde o produtor, indústrias até o consumidor.

O evento teve a abertura feita pelo presidente da FIL/IDF Piercristiano Brazzale que também é membro do CB-FIL/IDF pela Brazzale Spa. O presidente iniciou sua fala destacando a importância da cadeia láctea e de todos nela envolvidos para a manutenção do abastecimento de lácteos nutritivos em todo mundo, mesmo com o ano incomum que tivemos devido a pandemia. Reforçou a importância da cadeia na geração de trabalho. “Um bilhão de pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente com laticínios”, destaca Piercristiano.

1º Open Day do Comitê Brasileiro da FIL/IDF destaca a importância da federação para o setor lácteo
Presidente da Federação Internacional do Leite, Piercristiano Brazzale. Imagem: Divulgação 

Como presidente da Federação Internacional do Leite, Piercristiano enfatizou o trabalho da FIL de apoio a base técnico-científica neste momento atípico de pandemia. “A FIL/IDF trabalha garantindo o padrão de produção juntamente com seus aliados globais. A presença de um comitê brasileiro agrega qualidade e traz vantagem no objetivo de conseguirmos enriquecer o conhecimento científico na cadeia láctea”.

Ele termina sua participação agradecendo ao Comitê Brasileiro FIL/IDF pelo apoio à sua candidatura à presidência da federação.

O evento contou com paineis diversos sobre as conquistas do CB FIL/IDF, palestras sobre a gordura do leite e também sobre o recorrente tema de denominações lácteas para produtos de origem vegetal.

Painel expertise global da FIL/IDF

O painel teve apresentação do Secretário Nacional do CB-FIL, Guillaume Tessier que apresentou a Declaração da FIL sobre a Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU que ocorrerá em setembro. Também teve participação do Dr. Marcelo Bonnet, Diretor Técnico-Científico CB-FIL, que apresentou as conquistas do comitê brasileiro.

Em sua declaração, a FIL afirma que a cúpula do Sistema Alimentar, que ocorrerá em setembro, marca um momento claro de recomendações para o futuro da produção e consumo de alimentos. O setor de laticínios tem compartilhado suas contribuições através da FIL para dietas saudáveis e espera que sejam consideradas soluções revolucionárias para agricultura e pecuária nas discussões.

Destacou a importância do setor lácteo na contribuição para fome zero, pobreza e igualdade de gênero. Os laticínios são alimentos básicos sendo necessários para milhares de pessoas, além de fornecerem proteínas e micronutrientes de alta qualidade.

O leite possui papel importante na nutrição das crianças que, atualmente, são beneficiadas pelos programas de leite nas escolas. Em países em que alimentos ricos em nutrientes são escassos, os lácteos são alternativas baratas e que cumprem seu papel na nutrição.

O setor está ativo nas discussões alimentares, a FIL está contribuindo para a cúpula com propostas de soluções inovadoras em todas as trilhas do evento.

Conquistas CB FIL/IDF

O Dr. Marcelo Bonnet destacou em sua apresentação as conquistas do comitê brasileiro, como sua criação em 18 de fevereiro, que teve a participação de diversas autoridades do governo, representantes das indústrias lácteas nacionais, produtores de leite e estudiosos e expertises da área.

1º Open Day do Comitê Brasileiro da FIL/IDF destaca a importância da federação para o setor lácteo
Imagem capturada pela Terra Viva no evento Open Day 

Ele enfatiza a importância da participação de todos para a continuidade do trabalho. “O CB-FIL proporcionou que o Brasil pudesse ser protagonista nas discussões internacionais sobre o setor lácteo, passando a ser protagonista ativo na elaboração de normas. Tendo uma visão internacional, mas operando, principalmente, em nível nacional”, destaca.

Dentre as principais conquistas estão:

  • Participações em reuniões da ANVISA sobre assuntos regulatórios de produtos lácteos
  • Membro convidado permanente da Câmara Setorial do Leite e Derivados
  • Participação da criação do HUB Internacional de Inovação direcionada para Alimento Seguro

Na finalização do painel a Profa. Dra. Geórgia Castro destacou a importância da FIL/IDF na contribuição de temas da agenda regulatória nacional. Como a participação do comitê sobre rotulagem nutricional frontal, como tema de importância para nutrição e saúde pública.

A FIL defende que as regulamentações sejam alinhadas com o guia de alimentação local, específico de cada região de acordo com as doenças nutricionais e hábitos alimentares, além de hábitos culturais. Também, leva em consideração a disponibilidade de alimentos nutricionais de cada local, refletindo os benefícios dos lácteos na nutrição e no consumo diário.

Palestra – Gordura do leite e saúde

A palestra foi comandada pelo zootecnista e pesquisador da Embrapa Marco Antônio Sundfeld da Gama, que também é coordenador do subcomitê Nutrição&Saúde da FIL, que apresentou evidências científicas contra o mito de que a gordura do leite fosse maléfica para a saúde.

Durante a apresentação destacou várias pesquisas e artigos científicos mundiais de estudiosos da área que mostram evidências comprovadas de que a gordura traz benefícios à saúde. Dentre os efeitos benéficos de seu consumo está o aparecimento de uma microbiota saudável e uma sensação de saciedade.

Marco apresentou uma novidade em estratégia para o aumento do CLA no leite, que baseia na inclusão da palma forrageira e óleo na dieta das vacas, estudo em que colaborou em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco.

Por fim, ele afirma que devemos considerar a importância da matriz láctea, não de uma forma geral, mas levando em conta a origem da manteiga. Além de tratar cada alimento lácteo em particular.

Produto a base de plantas ≠ produtos lácteos

A discussão teve a participação da Amanda de Souza da Motta, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e da Danielle Braga Chelini Pereira, SC de Métodos de Amostragem e Análises no Laticínios Bela Vista, ambas participantes de subcomitês do CB-FIL.

Elas destacaram as diferenças entre os produtos de origem animal e vegetal. Deixando bem claro a importância dessa diferenciação pelos consumidores.

A Danielle iniciou sua apresentação justamente reafirmando esta colocação, de que o consumidor precisa estar ciente da diferenciação para tomar decisões de forma clara sem confusões, impossibilitando que adquira um alimento por engano.

Ela destaca que a FIL tem importância no segmento alimentar no sentido de destacar os aspectos científicos e nutricionais dos alimentos lácteos. Além de contribuir para regulamentações que definem estes alimentos.

1º Open Day do Comitê Brasileiro da FIL/IDF destaca a importância da federação para o setor lácteo
Imagem capturada pela Terra Viva no evento Open Day

“É importante que fique clara essa diferenciação entre produto de origem animal e vegetal para o consumidor”, afirma Danielle.

1º Open Day do Comitê Brasileiro da FIL/IDF destaca a importância da federação para o setor lácteo
Imagem capturada pela Terra Viva no evento Open Day 

Ela também deixa claro que a matriz láctea é específica e não é equivalente à matriz de alimentos plant based, necessitando de uma avaliação da dieta e benefícios desses alimentos.

Os lácteos possuem características específicas e uma cadeia mais madura comparada à cadeia de alimentos à base de vegetais.

1º Open Day do Comitê Brasileiro da FIL/IDF destaca a importância da federação para o setor lácteo
Imagem capturada pela Terra Viva no evento Open Day 

Em sua apresentação, a Dra. Amanda enfatizou dados econômicos do leite.  Mostrando que o leite é mais acessível do que as bebidas de origem vegetal e explicitando que emprega mais pessoas em sua cadeia do que todas as bebidas vegetais.

Destacou, também, a menor acessibilidade das bebidas vegetais em comparação ao leite, além do maior custo das proteínas para essas bebidas plant based.

“Os laticínios empregam 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo, pelo estudo do IBGE – 2017, em 99% dos municípios brasileiros estão presentes propriedades leiteiras”, destaca Amanda.

A professora defendeu a clareza nas informações nos rótulos desses produtos, para que nenhum equívoco seja cometido na hora da compra.  

“No Brasil há regulamentação para os produtos lácteos, os RTIQ’s (Requisitos Técnicos de Identidade e Qualidade), o que não há para essas bebidas vegetais, mostrando a necessidade de legislações específicas para estes produtos, trazendo clareza para o consumidor além de segurança alimentar”, destaca a professora.

Estudos realizados no mundo mostram que ainda há confusão por parte dos consumidores na hora da compra desses produtos. Principalmente, por seus aspectos nutricionais, chegando à percepção de que as bebidas vegetais possuem mais vitaminas e minerais do que o leite, mostrando a falta de entendimento sobre a real composição desses alimentos e a importância de embasamentos científicos nos aspectos nutricionais destas bebidas.

Regulamentação do leite na União Europeia

A última apresentação foi do Professor Daniel Amin Ferraz, PhD, sócio fundador do escritório Amin Ferra, Coelho & Thompson Flores. Ele destacou a importância da regulamentação na União Europeia em relação ao leite e da possível utilização do nome leite para produtos de origem vegetal na Europa.

Na UE há uma regulamentação definindo qualquer expressão para produtos agropecuários, que é o Regulamento EU N1308/2013. Nele é definido que a denominação “leite” é o produto provindo das glândulas mamárias das vacas.

Desde dezembro de 2013 estava pacífico, no âmbito na UE, que a denominação “leite” é utilizada para produtos lácteos de origem animal, impossibilitando o uso em produtos de origem vegetal.

Até que, o tribunal de justiça da UE foi provocado, em 2016, pela Tofu Town que pretendia utilizar a expressão queijo para o Tofu, que é de origem vegetal. A outra parte, a empresa VSW, que congrega produtores lácteos, defendia a impossibilidade da utilização dessa expressão para produtos não lácteos.

O caso se encerrou com a decisão de que a denominação “leite” é reservada, exclusivamente, aos produtos lácteos.

“A situação atual do território europeu nos informa que não é possível a denominação de expressões lácteas para produtos de origem vegetal”, afirmou o Prof. Daniel.

Contextualizando a situação brasileira, Daniel, apresentou as regulamentações nacionais como o RIISPOA que define no Decreto nº 9.013/2017: ”entende-se por leite, sem outra especificação, o produto oriundo da ordenha completa, ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem alimentadas e descansadas.”

O RIISPOA veda a utilização da expressão “leite” para outros alimentos que não sejam de origem animal. Reforçado pela portaria MAPA nº 146/96: RTIQ dos produtos lácteos que define que “a expressão queijo está reservada aos produtos em que a base láctea não contenha gordura e/ou proteínas de origem não láctea.”

“Não há nenhuma hipótese, hoje, de que essas expressões possam ser utilizadas para alimentos de origem vegetal, afirmadas pelas legislações que devem ser respeitadas”, finaliza Dr. Daniel.

Encerramento

O evento foi encerrado pela fala do Diretor Geral da CB-FIL, Wilson Massote que destacou a importância da FIL/IDF como entidade especializada em lácteos, buscando o aperfeiçoamento de um produto melhor, mais saudável, mais puro e nutritivo, que é o leite.

Defendeu a propagação de ações intensas para promoção do leite, alimento de extrema importância para todos.

Reforçou, também, a importância do CB-FIL e do apoio de suas associadas para que possam dar continuidade ao trabalho de contribuição nacional para a importância dos lácteos na nutrição humana e para cadeia.

Wilson finalizou agradecendo aos participantes de todos os subcomitês do CB-FIL, às indústrias, e à câmara setorial do leite representando o governo, aos especialistas, doutores e estudiosos da área que tanto agregam ao comitê, contribuindo para o desenvolvimento do setor lácteo e da cadeia como um todo.

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