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Especiais Selectus nº 6098

Mercado de Leite e Derivados - Março de 2021

Leite e Derivados - No cenário internacional, o ano de 2021 começou com os preços das principais commodities lácteas. O leilão Global Dairy Trade (GDT), de 02 de março, registrou aumento de 15% nas cotações dos lácteos, sendo a maior alta desde setembro de 2015. Já no leilão do dia 16 de março houve uma pequena correção nos preços, com queda de 3,8%.

Fonte: Fonte: CILeite/Embrapa | Foto da capa: Pixabay
Mercado de Leite e Derivados - Março de 2021

Apesar disso, os preços ainda continuam elevados com destaque para o leite em pó integral, cotado a US$ 4.083/tonelada. A elevação dos preços internacionais de commodities e do petróleo, boa demanda chinesa e a oferta mais ajustada na Nova Zelândia foram alguns dos fatores que puxaram essa valorização.

As variações de preços de um mix de commodities do mercado internacional de lácteos são usados ​​para o cálculo de um indicador, como referência internacional de preço ao produtor. Para fevereiro de 2021, o valor bruto ao produtor ficou em US $ 40,20 / 100 kg de leite SCM (leite corrigido sólido, como critério de padronização de sólidos: 4% de gordura e 3,3% de proteína), o que equivale ao valor bruto de R $ 2,23 / litro, ao câmbio de R $ 5,55 / Dólar. Os custos dos grãos têm aumentos a partir de setembro de 2020. Em fevereiro, uma referência IFCN de custo da mistura a base de milho e farelo de soja (70%; 30%) fechou 42% acima de sua média histórica dos últimos cinco anos . Essa alta de custódia está afetando a rentabilidade do produtor e estima-se que o crescimento da oferta mundial de leite em janeiro foi sido de apenas 1,2%,

No Brasil, as variações dos preços do leite ao produtor têm tido pouca aderência com as variações do mercado internacional. A figura 1 ilustra a evolução dos preços mensais líquidos ao produtor (CEPEA, com ajuste para SCM) do Brasil em relação ao indicador internacional de preços ao produtor, calculados pelo IFCN (convertidos do Dólar para o Real; de valor bruto para líquido; e, de kg para litro). Todos os valores mensais foram corrigidos pelo IPCA para o mês de fevereiro de 2021. Na média dos últimos cinco anos, o preço real brasileiro foi R$ 1,54 por litro, 12% acima da média internacional, de R$ 1,38 por litro.

No ano 2020 observou-se os dois extremos: o primeiro semestre com preços 15% abaixo; o segundo com preços 16% acima dos patamares internacionais; e, fechando a média de 2020 no mesmo patamar do preço internacional. Um evento raro, mas em fevereiro de 2021, a situação se reverteu novamente e o preço líquido do leite SMC brasileiro, de US$ 0,367 por litro, ficou 5% abaixo do indicador internacional, de US$ 0,387.

O custo da mistura milho e farelo de soja (70%; 30%), que nos últimos cinco anos ficou em R$ 1,05/kg na média, foi R$ 1,33/kg em 2020 e fechou em R$ 1,83/kg em fevereiro de 2021, quando o preço (SCM) do leite ao produtor (R$ 1,99/litro) foi 29% acima da média dos últimos cinco anos (R$ 1,54/litro). No caso da mistura, o custo ficou 77% maior, enquanto o produtor viu suas margens 16% acima da média histórica.

Apesar do agravamento da pandemia de Covid-19, com aumento de casos e óbitos, o que tende a reduzir o potencial de crescimento econômico, existem fatores altistas para o preço do leite nos próximos meses: início da entressafra; preços internacionais mais altos reduzindo a competitividade das importações; expectativa de recuperação da economia mundial e brasileira; retorno do Auxílio Emergencial. Além disso, ao acelerar o processo de vacinação, pode-se esperar uma retomada mais rápida do setor de serviços, puxado pelo turismo, eventos, escolas, entre outros.

Acesse aqui a matéria na íntegra

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