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Globalização E Mercosul Selectus nº 6079

Agro Brasileiro pode crescer 40% na próxima década

Agronegócio/BR – O Brasil tem o maior superávit agrícola do mundo, atingindo US$ 34.000 milhões em 2020, o que representa mais de 5% do Produto Interno Bruto (PIB); e esta é a causa do saldo líquido favorável de US$ 60.000 milhões anuais nos últimos 6 anos.

Fonte: Fonte: Clarín Rural – Tradução livre: www.terraviva.com.br | Foto de capa: Arquivo Terra Viva
Agro Brasileiro pode crescer 40% na próxima década

Tudo isto é conseguido em uma superfície de terra fértil produtiva, atualmente, de 62 milhões de hectares, aos quais podem ser somados outros 204 milhões de hectares de Cerrado que são potencialmente utilizáveis, condicionado ao desenvolvimento de infraestrutura e fertilização dos solos – tarefa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a grande agência de inovação do agro brasielrio-; e este imenso espaço tem seu epicentro no oeste do Brasil, com eixo no Estado do Mato Grosso, o norte e o nordeste do território do país.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO)/Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que o Brasil é o único país agrícola do mundo que está em condições de aumentar sua produção em 40% ou mais nos próximos 10 anos, o que elevaria seu atual superávit de US$ 34.000 milhões anuais para mais de US$ 50.000 milhões por ano. Isto ratifica sua posição de primeira potência global em matéria agroalimentar, acima dos Estados Unidos da América (EUA).

O custo de produção do agro brasileiro é o terceiro menor se comparado com seus concorrentes. Uma tonelada de açúcar no Brasil exige investimentos de US$ 158, quando seus principais competidores gastam US$ 250.

Faz 2 anos que a utilização de sementes de soja geneticamente modificadas (GM). Isto significa que a diferença de custos de produção deverá cair em um terço, entre 30% e 40%, nos próximos cinco anos. Até agora as sementes GM de soja eram contrabandeadas em grande escala da Argentina.

A demanda chinesa é a contrapartida e o impulso essencial da pujança exportadora da agricultura brasileira.

A República Popular importa entre 90 e 100 milhões de toneladas de soja por ano, e compra entre 70% e 80% da produção de soja do Brasil, e é de longe o principal exportador deste produto para o mercado chinês.

Por isso, a China ofereceu ao Brasil US$ 100.000 milhões em créditos através do Banco dos BRIC’S para o desenvolvimento de sua infraestrutura.

O caráter ruim ou inexistente da infraestrutura (estradas, portos, redes de energia, etc) é o fator limitante para ampliar o imenso potencial agrícola do Brasil, e faz com que os gastos com transporte aumentem mais de 40%.

Entre os projetos de infraestrutura, o essencial é o desenvolvimento de trilhos para grãos, que uniria a produção de grãos do Mato Grosso ao porto de águas profundas de São Luís no Estados do Maranhão, no extremo norte do país, ao longo do rio Tapajós, afluente do Amazonas. Isto permitiria a expansão e o movimento de 40 milhões de toneladas de soja adicionais destinadas à China.

O agro do Brasil representa 22% do PIB e é quase 50% das exportações; e a produção de soja alcançou mais de 130 milhões de toneladas no ano passado, o que significa quase o dobro em 10 anos (eram 75 milhões de toneladas em 2010); e no mesmo período a produção de milho duplicou, para alcançar 108 milhões de toneladas em 2020.

A situação da produção brasileira de agroalimentos pode ser resumida assim: utiliza aproximadamente 65 milhões de hectares de terra para produzir 257 milhões de toneladas de grãos e 67 milhões de toneladas de frutas e hortaliças. Além disso, possui um rebanho bovino de mais de 200 milhões de cabeças, que é o maior do mundo, sem contar a Índia que está fora do mercado por motivos religiosos.

Também o Brasil pode incorporar, imediatamente, de 50 a 60 milhões de hectares de terras de menor qualidade à sua matriz produtiva, que até agora são utilizadas para a pecuária extensiva, cujo epicentro é o Estado de Mato Grosso.

Desta forma pode aumentar a produção em mais 40%, ou até 50% na próxima década.

O agro brasileiro tem uma dimensão mundial; e junto com a produção da Argentina, de maior qualidade e produtividade, e os outros países do Mercosul, constitui a principal plataforma de produção de proteínas do século XXI.

Esta plataforma proteica é a base material de um possível protagonismo na política mundial da aliança estratégica formada pelo Brasil e a Argentina desde a década de noventa, e a razão para a constituição do Mercosul.

O que importa a um país, ou a uma região no mundo globalizado são suas forças e não suas debilidades.  

Acesse aqui a matéria na íntegra

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