Supermercados: o que muda com a alta da Covid?
Supermercados - A flexibilização da quarentena estava indo de vento em popa até que, há algumas semanas, a curva de contágio do coronavírus começou a subir novamente em grande parte do País. Embora o setor de supermercados seja uma atividade essencial e continue a funcionar normalmente, é prudente se manter atento.

O que pode mudar no varejo com a alta da Covid? Para responder essa pergunta aos nossos leitores, entrevistamos um expert no setor e fechamos a matéria trazendo algumas das condutas adotadas pela Rede Dalben, detentora de três lojas em Campinas (SP). Fique de olho!
Digital ainda mais forte pede atenção ao estoque
De acordo com o especialista em varejo, Michel Jasper, a tendência é que, com o aumento das restrições de contato social, o volume de compras nos canais digitais aumente mais uma vez. “Para isso os varejistas precisam estar preparados, principalmente, em relação ao estoque. Não falo apenas de ter o produto disponível, mas sobre o estoque sistêmico atualizado e correto nos produtos-chave”, explica.
Para o especialista, neste momento, a prioridade é criar rotinas diárias para o controle. “Como o e-commerce é conectado ao estoque virtual da loja, se ele estiver errado, também irá aparecer errado para o cliente”.
Dança das categorias
Outro ponto importante é analisar como as categorias se comportaram no pico da pandemia e quais as projeções para o futuro. Segundo análise de Jasper:
• Terão aumento de demanda: produtos de limpeza, mesmo no pós-covid. Tudo indica que os hábitos de higiene e limpeza serão mais rigorosos.
• Cresceram durante a crise: arroz, feijão, massas e produtos de cesta básica em geral, com estocagem a médio prazo. “Armazenar produto se tornou rotina entre os consumidores, mas, após a covid, as categorias mencionadas devem voltar à normalidade.”
• Quedas de vendas: bebidas, mercearia doce, laticínios, cosméticos, padaria, confeitaria e produtos mais supérfluos. No ponto de vista de Jasper, esses itens sofreram muito, pois são “fora da necessidade”. Entender as mudanças e aplicar uma nova estratégia para manter a margem e continuar a ser promocional é fundamental.
Falta de matéria-prima
“Entre março e abril, com a expectativa de uma queda aguda da demanda e sem perspectivas de quando o consumo iria se normalizar, além da necessidade de cumprir regras de distanciamento social, as indústrias botaram o pé no freio na produção e hoje sentimos os efeitos”, pontua.
Como já estamos em dezembro, e será bem mais difícil buscar alternativas, Jasper sugere que o varejista busque variações de marca e novos tamanhos de embalagem. “Infelizmente teremos sim um índice de ruptura histórico, mas se sairá bem e terá bons resultados quem estava atento ao mercado e se preparou.”
Novas obrigações do PDV
É verdade que muitas pessoas estavam se comportando como se a pandemia já tivesse terminado. “Muitos clientes e até alguns estabelecimentos deixaram as medidas mais leves, mas isso precisa ser retomado urgentemente”, reforça o especialista. Nesse sentido, lojas físicas precisam:
- Controlar a capacidade de clientes
- Disponibilizar álcool em gel na entrada e nos setores
- Higienizar carrinhos e cestos
- Garantir distanciamento nas filas
- Focar no autosserviço embalado
- Dar licença para os colaboradores do grupo de risco
- Ter horário especial de compras para clientes dos grupos de risco
- Prestar atenção total à higienização dos colaboradores
As lições da Rede Dalben
Abrandar as medidas que ajudam a frear a propagação do vírus esteve fora de cogitação nas lojas da Dalben Supermercados. “Mesmo quando houve a flexibilização, não deixamos de seguir os protocolos contra a covid-19. E agora, com a segunda onda, com certeza iremos continuar”, diz a diretora de marketing da rede, Fernanda Dalben, referindo-se às medidas mencionadas acima e muitas outras, como medição de temperatura de colaboradores e clientes, instalação de proteções de acrílico e desinfecção de ambientes, maçanetas, portas, elevadores, balcões e áreas comuns diversas vezes ao dia.
Ela ainda afirma que, dos possíveis impactos diretos e indiretos que a nova onda pode trazer para as operações, já sentiu que o e-commerce voltou com força. “Com isso temos reforçado o time para dar conta. Trabalhamos com dois canais de entrega, o clique e retire e o delivery, o que aumenta a nossa capacidade de atendimento.”
De olho no abastecimento de mercadorias e já prevendo instabilidades, Fernanda aposta no relacionamento diário com os fornecedores para checar a necessidade de antecipar pedidos. “Principalmente alguns mais críticos, como commodities e cerveja. Essa comunicação com a indústria vem acontecendo desde que começaram os sinais de uma possível ruptura. Inclusive a gente tem limitado as compras de alguns itens.”
E tem mais. De acordo com Fernanda, o marketing ganhou um novo “P” de proteção. “Preço, Praça, Promoção, Produto e agora Proteção. Os clientes vão acabar consumindo naqueles locais onde se sintam protegidos, por isso é importante que essas medidas sejam rigorosamente seguidas”. Não à toa as degustações estão todas suspensas nas lojas físicas e os eventos este ano, na Dalben, são apenas online.
















