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Especiais Selectus nº 6035

O Índice FAO dos preços dos alimentos teve forte alta

Índices FAO – As cotações mundiais dos alimentos registraram uma forte elevação em novembro atingindo o maior valor em seis anos, como indica o relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) publicado hoje.

Fonte: Fonte: FAO – Tradução livre: www.terraviva.com.br / Foto de capa: Fao.org
O Índice FAO dos preços dos alimentos teve forte alta

“No decorrer do mês, o Índice FAO dos alimentos subiu 3,9% em relação a outubro, ficando em 105 pontos,  e subiu 6,5% em relação ao valor nominal de um ano atrás. A FAO destacou que trata-se do maior aumento mensal desde julho de 2012, fazendo com que o índice atingisse seu maior valor desde dezembro de 2014.

O Índice FAO acompanha a evolução das cotações internacionais dos gêneros alimentícios mais comercializados em escala mundial. Em novembro, todos os sub-índices que compõem o índice geral registraram crescimento.

O Índice FAO de óleos vegetais subiu vertiginosamente 14,5% em relação ao mês anterior, puxado pela cotação do óleo de palma que mantém sua trajetória ascendente diante da queda acentuada nos estoques mundiais.

O Índice FAO dos preços dos alimentos teve forte alta

O Índice FAO dos Cereais ganhou 2,5% em relação a outubro e atingiu um patamar 19,9% superior ao registrado em novembro de 2019. Os preços de exportação do trigo aumentaram diante das perspectivas de colheitas menores na Argentina, assim como os preços dos milho, em razão do ajuste da produção nos Estados Unidos da América (EUA) e Ucrânia, assim como redução dos volumes na China. As cotações internacionais do arroz se mantiveram estáveis durante o mês.

O Índice dos preços do açúcar teve crescimento mensal de 3,3%  quando a produção mundial da próxima campanha de comercialização parece cada vez mais provável ser afetada pelas condições climáticas desfavoráveis, notadamente na União Europeia (UE), Rússia e Tailândia.

O Índice FAO de carnes teve alta de 0,9% em relação a outubro, mas continua 13,7% inferior ao valor de um anoa atrás. Os preços da carne bovina, ovina e suína aumentaram, enquanto os das carnes de aves recuaram.  

O Índice FAO dos preços dos alimentos teve forte alta

A FAO revê para menos a produção mundial de cereais em 2020

A FAO ajustou novamente para menos as estimativas da produção mundial de cereais em 2020, ficando em torno de 2.742 milhões de toneladas – o que representa, ainda assim, um nível recorde e aumento de 1,3% em relação à produção de 2019.

As novas previsões publicadas hoje no Boletim da FAO sobre oferta e demanda de cereais indicam que a produção mundial de cereais secundários deverá chegar a 1.470 milhões de toneladas, enquanto que o volume da produção mundial de trigo e arroz atingirão 761,7 e 508,4 milhões de toneladas, respectivamente

No longo prazo, no Hemisfério Norte, o plantio do trigo de inverno começou e, nos grandes países produtores, a superfície ocupada deverá crescer impulsionada pelos melhores preços. Entretanto, o tempo seco, trazido pelo fenômeno meteorológico La Niña, pode degradar as condições da cultura nos EUA.

O consumo mundial está previsto ser na ordem de 2.744 milhões de toneladas em 2020-2021, ou seja, alta de 1,9% em relação a 2019-2020, pelo efeito do aumento previsto da utilização de milho e sorgo na alimentação animal na China, bem como o crescimento da produção de etanol de milho no Brasil e EUA.

Os estoques mundiais de cereais no fechamento da campanha 2021 deverá cair para 866,4 milhões de toneladas, o que resultará em uma taxa de estoque/consumo de 30,7% em escala mundial – ou seja, a mais baixa em cinco anos, mesmo que ainda seja uma relação relativamente satisfatória.

Pandemia de covid-19, La Niña e insegurança alimentar

Os incidentes da pandemia de Covid-19, principalmente a perda de renda, incidem fortemente sobre a insegurança alimentar a nível mundial. A pandemia agrava a situação já precária causada por conflitos, pragas e choques climáticos, especialmente os furacões que recentemente atingiram a América Central e as inundações na África.

Quarenta e cinco países, dos quais 34 estão na África, têm necessidade, hoje, de ajuda alimentar vinda do exterior, de acordo com o relatório trimestral Perspectivas de colheitas e situação alimentar, também publicado pela Divisão de mercados e de comércio da FAO.

O relatório diz que a produção total de cereais dos 51 países de baixa renda e de déficit alimentar deverá aumentar este ano e chegar a 496,3 milhões de toneladas – cerca de 7% a mais que a média dos últimos cinco anos – graças a volumes consideráveis produtos na África austral e no Extremo Oriente. No entanto, as necessidades de importações de cereais deverão atingir 73,9 milhões de toneladas na campanha de comercialização 2020-2021, uma alta principalmente devido às necessidades agudas de países da África Subsaariana.

É destacado no relatório que o fenômeno La Niña acentua o risco de que o índice pluviométrico seja superior à média na África austral e no Leste da Ásia, enquanto que as chuvas serão mais fracas em certas regiões do Oriente Médio e Leste da África, o que pode afetar a produção.

O Índice FAO dos preços dos alimentos teve forte alta

Índice FAO dos Preços dos Lácteos

O Índice FAO dos Preços dos Lácteos atingiu a média de 105,3 pontos em novembro, um reajuste de 0,9 pontos (0,9%) em relação a outubro, mantendo sua tendência de alta observada nos últimos meses e se aproximando de seu nível mais elevado em 18 meses. Essa última elevação foi atribuída principalmente aos firmes preços da manteiga e queijo, refletindo o crescimento regular da demanda mundial de importação e aumento das vendas do varejo na Europa, no momento em que a produção de leite da região chega ao menor volume sazonal.

Por outro lado, no entanto, depois de seis meses consecutivos de elevação, os preços do leite em pó desnatado caiu em decorrência das quedas das compras na Ásia, em particular da China, e do crescimento das disponibilidades exportáveis mundiais, levando em conta, principalmente, os excedentes na Índia. Apesar do aumento da demanda no mercado spot no Oriente Médio e no Norte da África, sobretudo na Argélia, a queda das quantidades compradas pela China pesaram sobre os preços do leite em pó integral.  

O Índice FAO dos preços dos alimentos teve forte alta

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