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Especiais Selectus nº 6034

Índia - O maior produtor mundial de leite continua crescendo

Índia – A expectativa é de que a produção total de leite na Índia aumentará dos previstos 194,8 milhões de toneladas no ano fiscal de 2020 para 199 milhões de toneladas em 2021.

Fonte: Fonte: Portalechero – Tradução livre: www.terraviva.com.br / Foto de capa: Unsplash
Índia - O maior produtor mundial de leite continua crescendo

Leites de vaca, búfala e cabra representam 48%, 49%, e 3%, respectivamente. Com o relaxamento das restrições sobre as atividades econômicas, as empresas e varejistas de alimentos voltam, lentamente, à situação anterior ao Covid.

Uma população em crescimento, junto com a rápida urbanização e melhoria da renda, é possível prever que a demanda de leite e produtos lácteos aumentará. As últimas projeções indicam que a fabricação de leite em pó desnatado (SMP) subirá 3% em 2021, para chegar a 680.000 toneladas. A produção combinada de manteiga e ghee (manteiga clarificada) aumentará 3,3% puxada pela forte demanda do consumo familiar.

Estima-se que 80 milhões de famílias rurais se dedicam à produção de leite como fonte de sustento, a maioria dos quais são pequenos agricultores (86% do total de produtos são pequenos, ocupam 47% das terras agrícolas e que possuem aproximadamente 75% dos animais leiteiros). Aproximadamente 95% dos produtores de leite da Índia possuem entre um e cinco animais de leite, ligeiramente superior ao nível de subsistência. As fazendas maiores, que têm no mínimo 50 animais, estão aumentando em alguns dos principais estados produtores de leite.

Os preços do leite são determinados pelo volume, matéria gorda e teor de sólidos. O leite de búfala tem maior proporção de sólidos. Além disso, os búfalos podem ser vendidos para frigoríficos; ao contrário, o sacrifício de bovinos é proibido na maioria dos estados, o que significa que as vacas velhas e improdutivas se convertem em animais onerosos. Somado a isto, existem fatores importantes que afetam a produtividade das vacas leiteiras: baixo potencial genético, serviços veterinários inadequados, falta de disponibilidade de concentrados e forrageiras (somente 4% da superfície é utilizada para culturas). O uso de concentrados não ultrapassa 10% do que seria recomendável.

Preços do leite

As cooperativas lácteas estabelecem o preço do leite, considerando fatores como a forragem e os suplementos, e em geral, são pontos de referência para os atores privados que compram leite na região. O preço do leite ao consumidor oscilava em torno de US$0,61/litro em janeiro de 2020, e US$0,63/litro até meados de setembro.

Índice de preços para leite, manteiga, ghee, e forragem/suplementos

A prioridade do Departamento de Pecuária e Leite (DAHD) é o desenvolvimento de infraestrutura para melhorar a produtividade animal, melhorar as cadeias de valor e apoiar o controle de doenças (febre aftosa e brucelose). O atual governo da Índia faz pressão para que sejam estabelecidas infraestruturas que permitam a produção de leite de alta qualidade, a fim de garantir a disponibilidade de alimentos seguros.

Consumo

O consumo de leite fluido em 2021 está projetado em 83 milhões de toneladas 2,5% a mais do que o nível estimado para 2020, 5,5% de aumento no consumo de SMP e 2,5% para a manteiga devido o crescimento populacional e o aumento da renda média, junto com a suspensão das restrições impostas pela pandemia do Covid-19. 

Em consequência, os consumidores continuarão demandando mais produtos lácteos com valor agregado, incluído iogurtes, bebidas lácteas, soro de leite, queijo processado e sorvetes. Além disso, a demanda de ghee e manteiga continuará firme. 

A previsão é de que a produção de leite será suficiente para satisfazer a demanda interna, no entanto, qualquer aumento futuro deverá ser coberto com importações.

Distribuição e processamento de leite

Atualmente, a capacidade total instalada de processamento de leite na Índia é de 142 milhões de litros/dia (com capacidades não muito diferentes entre cooperativas e indústrias privadas).

Da produção total de leite da Índia, estima-se que 48% é consumida a nível de produtor ou vendida a pequenos estabelecimentos da área rural, e os 52% restantes vão para a indústria.

Dos 52% processados, 40% são vendidos para o “setor organizado”: cooperativas e indústrias privadas. Os 60% restantes vão para leiteiros particulares/produtores locais. A preocupação com segurança e qualidade do leite impulsiona uma forte demanda de leite UHT. 

A previsão é de que o processamento por parte deste setor organizado aumente, gerando maior renda para o produtor. A maioria das indústrias e cooperativas não têm sistemas de captação separados para leite de vaca e de búfala, por isso, o leite fluido em sua maioria é mesclado com leite das duas espécies. Por sua vez, a captação de leite dos pequenos produtores é um grande desafio e requer um investimento significativo em infraestrutura. Neste contexto, a inocuidade continua sendo um grande desafio.

Comércio

Durante anos, a Índia vem sendo um exportador de lácteos. O superávit comercial nos últimos cinco anos cresceu de US$82 milhões para US$130 milhões em 2019. No entanto, na primeira metade de 2020, este superávit comercial se reduziu e se transformou em déficit. Com a flexibilização das restrições depois do isolamento nacional, as indústrias esperam que as vendas comerciais e de exportação se recuperem gradualmente e que sejam restabelecidos os níveis anteriores ao Covid, até o primeiro trimestre do ano fiscal 2021.

Os dados comerciais de janeiro a junho de 2020 indicam que foram exportadas 500 toneladas de SMP pelo preço de US$ 1,9 milhões (-89% em relação ao mesmo período de 2019) devido a compras inferiores ao previsto em países como Bangladesh, Afeganistão, Emirados Árabes Unidos, Turquia e Butão, causadas pela pandemia.

Dada à tendência, foram revisadas as estimativas de exportação em 2020, caindo para 6.000 toneladas, umas 2.000 toneladas menos que em 2019. Os produtos mais vendidos são manteiga, preparações de alimentos para lactantes, queijo e SMP. Ao mesmo tempo, as exportações de totais de manteiga que devem chegar a 16.000 toneladas (64% menos que no ano passado), mas, devem subir para 25.000 toneladas em 2021. A propósito, os Estados Unidos (EUA) e o Butão aumentaram suas compras da Índia em 41% e 40%.

No que se refere às importações, os principais produtos são leite, lactose e xarope de lactose, caseína, sorvetes e queijos. Os EUA foram os principais fornecedores de produtos lácteos para a Índia, seguidos pela Holanda, Alemanha, Nova Zelândia, França e Tailândia. A Índia permite a importação de leite em pó integral e desnatado até uma cota determinada (TRQ) de 10.000 toneladas, com tarifa de 15% durante o atual exercício financeiro. Fora desse limite, as importações estão sujeitas a tarifas de 60%.

A Índia continua a insistir, por razões religiosas e culturais, que os lácteos sejam obtidos de animais que nunca receberam ração feita de órgãos internos, farinha de sangue e tecidos de origem de ruminantes. 

Atualmente, várias restrições comerciais limitam o acesso ao mercado. Leite e produtos lácteos importados exigem uma licença sanitária de importação do DAHD e um certificado de saúde veterinária da autoridade veterinária do país exportador (alguns podem entrar somente se seu uso não for para alimentação).

Acesse aqui a matéria na íntegra

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