Os mercados lácteos emergentes estão em crescimento
Lácteos/IFCN – A IFCN (International Farm Comparison Network) analisou os mercados emergentes mundiais no recente Fórum Emerging Dairy Regions on line, com 412 participantes de mais de 50 países. O foco nos emergentes era natural, observa Torsten Hemmen, o fundador e CEO da IFCN. Cerca de 88% do crescimento da demanda por leite ocorreu nessas regiões nos últimos 10 anos. E agora, principalmente com a pandemia, mais dessas áreas procuram ser autossuficientes na produção de laticínios.

A IFCN cobre perto de 99% da oferta mundial de leite com sua rede de pesquisadores, e Milica Koçic, uma economista do setor lácteo, observa que com a média de três vacas em 112 milhões de propriedades leiteiras no mundo, produzem 850 milhões de toneladas de leite anualmente. Estima-se que 117 kg per capita sejam consumidos anualmente, por 7,6 bilhões de pessoas no mundo, diz ela. O comércio internacional existe, com 18% do fornecimento mundial de leite ultrapassando fronteiras, enquanto o restante é consumido nos países em que é produzido.
De um modo geral, ressalta Alice Diepenbrock, pesquisadora de laticínios do IFCN, não há muito crescimento ocorrendo em mercados maduros como na Europa e América do Norte, enquanto os mercados no Leste e Sudeste Asiático, África e América Latina crescem, mas em um ritmo bastante baixo. A expectativa é de com o Covid-19 tenha maior impacto nos mercados emergentes do lado da demanda, diz ela.
Grandes exportadores, com o Uruguai, o principal desafio é melhorar o acesso a mercados de outros países, de acordo com Mercedes Baribar, coordenadora do comércio exterior da Instituto Nacional do Leite do Uruguai, o Inale. “Precisamos de mais acordos comerciais para colocar nossos lácteos em condições de competir com a Nova Zelândia e os Estados Unidos. A preocupação é em relação à segunda onda do Covid, e os países estão fazendo estoques”.
No Zimbábue, é preciso conseguir a autossuficiência depois de tantas desvalorizações da moeda, recessão, secas e conflitos internos. Em 2019, teve uma demanda de 130 milhões de litros, mas a oferta foi de 76,1 milhões de litros no mercado interno, e foi complementada com leite em pó procedente da África do Sul.
Governos e processadores estão trabalhando juntos para elaborar opções de sistemas de comércio, investimentos em transferência de embrião, e outras soluções associadas para alcançar 100% de autossuficiência, de acordo com o Dr. Alpha Manjer, diretor de políticas da Associação de Produtores de Leite do Zimbábue.
Foto de capa: Pixabay.com
















