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Globalização E Mercosul Selectus nº 6005

A fúria compradora da China pode ser a véspera de uma desestabilização em escala global

Cautela – O crescimento substancial que vem registrado os preços das principais commodities agrícolas nos últimos meses se explica, basicamente, pela demanda incomum por parte da China.

Fonte: valorsoja – Tradução livre: Terra Viva
A fúria compradora da China pode ser a véspera de uma desestabilização em escala global

A questão é que, ainda que tal fenômeno seja uma boa notícia para as nações agroexportadoras, o mesmo pode ser o prenúncio de um evento desestabilizador em escala global.

“A China está comprando quantidades incríveis de soja, milho, sorgo, cevada, trigo e também óleo de girassol, que é algo insólito, além de importar volumes nunca vistos antes de alimentos”, explicou Enrique Erize, presidente da consultoria Nóvitas e analista do mercado de grão e agroalimentos.

“A China tem um problema e abastecimento de alimentos e, apesar de não sabermos a verdadeira razão de estarem estocando alimentos nos últimos meses, uma das hipóteses é que estão preparando para enfrentar um eventual bloqueio comercial diante de um conflito bélico gerado pela intenção de invadir Taiwán”, acrescentou.

Adicionalmente, o governo central chinês adotou uma política de racionamento de alimentos – denominada “Pratos Limpos” – que segundo o presidente chinês, Xi Jinping, em seu recente discurso dz que “o desperdício de alimentos deve ser considerado uma vergonha”.

Por causa da fúria compradora da China, a um mês e meio do início da campanha comercial do milho 2020/21, os EUA já comprometeu 45% da oferta exportável do cereal (algo nunca visto antes).

Por outro lado, o Brasil está a um passo de ficar sem estoques da soja 2019/20, e os compromisso de vendas da nova colheita da oleaginosa supera 50% da oferta expotável prevista para 2020/21.

“O que exportaram Brasil e EUA juntos, jamais foi visto nas últimas quatro décadas, e tão pouco era imaginável que isso poderia ocorrer”, destacou o presidente da Nóvitas.

Erize realçou que os preços internacionais são tão elevados que as opções de venda oferecidas são demais atrativas.

O analista disse que embora os fundamentos dos grãos sejam alta para o ciclo 2020/21, é aconselhável ter cautela e proteger-se de eventos negativos inesperados tanto internacionais como nacionais.

“Temos semanas cruciais pela frente para o mercado de grãos por fatores geopolíticos de dimensão global, aos quais se soma questões locais que também são muito complexas”, resumiu.

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