A China importou mais alimentos elaborados do que matérias primas
Importações/China – Desde 2019, pela primeira vez na histórica, as importações chinesas de alimentos elaborados superaram as matérias primas agroindustriais. Em 2019 as importações agroindustriais chinesas totalizaram US$ 133.100 milhões, a maior parte de produtos destinados ao consumo final, segundo um estudo publicado pelo Serviços Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Outro dado chave é que em 2019 a China se transformou no maior importador mundial de produtos agroindustriais, superando EUA e União Europeia (UE).
“O aumento da renda e o nível de vida, junto com o avanço da urbanização e as preocupações com a segurança alimentar, impulsionaram as importações agroindustriais da China, especialmente desde sua adesão à Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2011”, destacou o documento do USDA.

Calculado pelo USDA com base nos dados de consumo e população do Banco Mundial
“À medida que aumenta a renda, a dieta média da China muda para incluir mais carnes, lácteos e alimentos processados, enquanto o consumo de grãos diminui. Entre 2000 e 2019 o consumo per capita de carne de ave aumento 32%, o consumo de azeite de soja quadruplicou e o de leite triplicou”, acrescenta o relatório.
Por volta de 2012 o valor das importações de commodities a granel e produtos intermediários (como azeites e farelos vegetais) iniciou um ponto de inflexão e deixou de crescer, tendência que coincidiu com uma desaceleração significativa do crescimento econômico da China.
“Por outro lado, as importações de produtos destinados ao consumo continuaram em expansão, liderados por carne, lácteos, e hortifrutis”, destaca o boletim.
A crescente demanda interna, junto com o lento crescimento da produção agropecuária nacional – afeta no ano passado pela febre suína – e os custos crescentes dos insumos e mão de obra, tornaram mais competitivas as importações de carnes, lácteos, frutas e hortaliças.

“A China é o maior mercado de carne suína do mundo e importou US$ 6,4 bilhões em 2019. A UE e EUA são os principais fornecedores participando com 63% e 16% das divisas, respectivamente, enquanto que o Brasil, que começou a enviar quantidades substanciais de produtos suínos para a China somente depois de 2016, elevou rapidamente sua participação para conseguir o terceiro posto e ocupar 9% do mercado”, diz o documento do USDA.
Além disso a China desde 2019 é o principal importador mundial de carne bovina com compras no ano passado no valor de US$ 8,4 bilhões. Os principais fornecedores são Brasil, Austrália e Argentina com cotas de 25%,21% e 21%, respectivamente.
A China também é o principal importador de produtos lácteos, gastando US$ 12 bilhões em 2019 com essa pauta.
“O leite em pó integral e o leite UHT envasado são componentes importantes das importações de lácteos pela China, mas, o verdadeiro motor do negócio nos últimos anos têm sido as fórmulas infantis”, ressalta o documento.
Depois das mortes de crianças, em 2008, provocadas por leite infantil adulterado de origem local, os consumidores chineses preferiram, a partir de então, comprar produtos de origem importada.
Por esse motivo, o governo central em 2012 reduziu as tarifas de importação das fórmulas infantis de 10% para 5%. E dois anos mais tarde foram aprovados canais de comércio eletrônico transfronteiriço através dos quais os consumidores poderiam compra lácteos diretamente do exterior.
“As importações de fórmulas infantis aumentaram meteoricamente desde 2014, enquanto que outros produtos em pó caíram. Em 2208 a fórmula infantil representou 28% das importações de lácteos pela China, mas, em 2019 subiu para 45%”, diz o USDA. Os principais fornecedores de lácteos para a China são a UE e a Nova Zelândia.
A crescente demanda de alimentos saudáveis está impulsionando maiores vendas de frutas e frutos secos. A China é o terceiro maior importador de frutas secas do mundo, no valor de US$ 8,6 bilhões em 2019. As cerejas, damascos e bananas representam quase a metade de todas as importações de frutas frescas. Tailândia, Chile e Vietnã são os maiores fornecedores desses itens.
Por outro lado, as importações de frutos secos registraram uma tendência de crescimento anual de 26%, desde 2001, para alcançar a cifra de US$ 2,8 bilhões em 2019. Neste caso, EUA é o maior provedor com participação de 30% do mercado, seguido pela Austrália e Vietnã.

Em termos de países, os EUA é o principal provedor de produtos agroindustriais para a China, mas logo depois do lançamento da “guerra comercial” lançada pelo presidente Donald Trump em 2018, a liderança para as mãos do Brasil e UE.
“Em torno de 85% das exportações do Brasil para a China consistem em grãos de soja, ainda que as exportações de carne brasileira também estão crescendo rapidamente. Mas, no caso da UE, mais de 80% das vendas destinadas à China são produtos destinados ao consumo, principalmente lácteos e carne suína”, destaca o documento do USDA.
Apesar da pandemia do Covid-19, a China projeta ter uma das taxas de crescimento econômico mais elevadas do mundo para agregar outros 189 milhões de lares da classe média ná próxima década.
“No entanto, a defasagem no crescimento da oferta agrícola nacional, a escassez de capital de investimento (para projetos agroindustriais), a competição pelo uso da terra diante do processo de urbanização e industrialização, além do aumento dos custos da mão de obra e dos insumos levarão a preços mais altos para a elaboração interna de alimento, o que promoverá um contínuo aumento das importações”, assegura o informe.
















