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Especiais Selectus nº 5984

A Fonterra muda radicalmente seus rumos e estabiliza as finanças voltando ao modelo básico 

Fonterra – Os resultados financeiros da Fonterra foram divulgados em 18 de setembro. Foi talvez um pouco surpreendente sair em uma sexta-feira. Se fosse um partido político, assumiríamos que eram más notícias que seriam rapidamente superadas no final de semana. No entanto, não foi esse o caso e a mudança da cooperativa proporcionou um resultado consistente, difícil de ser previsto 18 meses atrás.

Fonte: interest.co.nz – Tradução livre: Terra Viva
A Fonterra muda radicalmente seus rumos e estabiliza as finanças voltando ao modelo básico 

De acordo com a análise feita por Guy Trafford cabe destacar

- Pagamento final do leite ao produtor na temporada 2019/20 NZ$ 7,19/kgMS

            Preço NZ$ 7,14 + NZ$ 0,05/kgMS por ação

- Resultado operacional NZ$ 659 milhões, diferença de NZ$ 1,3 bilhão em relação às perdas líquidas de NZ$ 605 milhões do ano anterior

- Dívida líquida: MZ$ 4,7 bilhões, queda de NZ$ 1,1 bilhão

- Relação entre Dívida e EBITDA 3,4 vezes. Em 2018/19 era 4,4 vezes

O CEO da Fonterra Miles Hurrell disse que 2019/20 foi um bom ano para a cooperativa, com aumento dos lucros, queda da dívida e bons preços aos produtores de leite.

“Aumentamos nosso lucro líquido em mais de NZ$ 1 bilhão, e reduzindo nossa dívida também em NZ$ 1 bilhão, nos possibilitando pagar dividendos”, disse ele.

Olhando para os resultados de anos anteriores observa-se que a mudança de rumos mudou consideravelmente os números.

A Fonterra muda radicalmente seus rumos e estabiliza as finanças voltando ao modelo básico 

Houve notável redução dos gastos com o capital e redução do endividamento. Ainda está na agenda a venda da China Farms e a DPA Brasil

A situação financeira da China Farms melhorou e o lucro bruto subiu para NZ$ 47 milhões e chegou a um resultado líquido de NZ$ 14 milhões. No entanto, ainda consta como perda líquida para a cooperativa, e dificilmente o cartaz “for Sale” irá desaparecer.  

A operação DPA Brasil parece menos provável encontrar um comprador no atual ambiente e ambos os negócios são classificados como: “mantidos para venda” e aparece nas contas financeiras como “Operações Descontinuadas”.

Ao analisar o retorno dos serviços de alimentação por região, fica evidente o papel da China no faturamento da cooperativa enquanto outras regiões estão seriamente afetadas pela pandemia. É provável que esta tendência permaneça na atual temporada.

A Fonterra muda radicalmente seus rumos e estabiliza as finanças voltando ao modelo básico 

O quadro do desempenho do quarto trimestre mostra, embora não de forma muito clara, o impacto das “condições desafiadoras de mercado em Hong Kong e Chile”.

A Fonterra muda radicalmente seus rumos e estabiliza as finanças voltando ao modelo básico 

O preço das ações da Fonterra reagiram positivamente depois dos resultados, e as ações subiram de NZ$ 4,00 para NZ$ 4,05.

O analista Keith Woodford destaca em sua análise a importância da redução em NZ$ 1,1 bilhão na dívida da cooperativa. Isso foi conseguido com a venda de ativos e suspensão da distribuição de lucros e dividendos.

O diretor financeiro, Marc Rivers, disse em uma entrevista coletiva logo após a divulgação dos resultados que mais redução dessas dívidas é desejável. O principal foco da Fonterra agora é reduzir a atual relação entre o EBITDA e a dívida de 3,4 vezes para o nível desejável entre 2,5 e 3.

É exatamente a necessidade percebida de pagar dívidas que fez com que o dividendo fosse limitado a 5 centavos por ação.

A Fonterra agora reduziu sua participação na Beingmate de 18,8% para 9%. Ela espera vender as ações restantes no próximo ano. Com base no preço atual de mercado, 7,4 yuans, isso renderia cerca de NZ$ 150 milhões. No entanto, a bolsa de Shenzhen disse que a Fonterra só pode colocar isso no mercado, restando aos membros e acionistas da Fonterra paciência.  

As ações da Beingmate estão agora cerca de 35% acima das cotações de um ano atrás, mas, bem longe dos 18 yuans por ação pagos pela Fonterra em 2015.

As fazendas da Fonterra na China, de acordo com Keith Woodford, já perderam NZ$ 63 milhões em preço de mercado desde o início do ano. Parece que estão com um desempenho melhor do que nos últimos anos, mas questões operacionais continuam desafiadoras. O número de animais do rebanho caiu 10% (6.600 animais) durante o ano, o que pode ser parte de uma história não contada.

A Fonterra alega que são questões de “criação de animais” nessas fazendas, mas nunca explicitou que é um eufemismo para “saúde animal”. Não foi bem explicado quais são as condições fundamentais que estão afetando a saúde dos animais durante a transferência. Outras fazendas de leite na China tiveram problemas semelhantes, e grande parte desses problemas foram mantidos longe da mídia.

A indústria de laticínios chinesa está em expansão e a grande importação de animais vivos no último ano é um indicativo desse crescimento. Nesse ambiente propício, é surpreendente que ninguém tenha interesse em comprar as fazendas da Fonterra.

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