Aumentar o uso de pastagens: Passos para o sucesso
Pastagens – Vamos mergulhar nas últimas descobertas de como aumentar e explorar o sistema de pastagens e enfrentar os desafios que vêm junto – ao mesmo tempo em que protegemos a quantidade e qualidade do leite. Ouviremos diversos especialistas de todo o mundo.

O uso de pastagem pode trazer muitos benefícios para os produtores de leite em todo o mundo. Por exemplo, atributos como qualidade do leite para a saúde e associação à natureza com sistemas de alimentação baseados em pastagens “são percebidos pelos consumidores conscientes e explorados por cadeias de supermercados” observam cientistas das Universidades de Bristol e Nottingham na Inglaterra, que publicaram extensas análises sobre o uso de pastagens em dezembro de 2019.
A Professora Marcia Entres da Universidade de Minnesota nos EUA acrescenta que embora somente 5-8% dos rebanhos leiteiros nos EUA estão em pastagens, isso pode aumentar diante o crescimento interesse dos consumidores por “leite de pastagens”, que são mais bem pagos.
Os benefícios pelo uso de pastagens incluem uma percepção pública positiva dos produtores de leite. “Um estudo conduzido pela Universidade British Columbia (UBC) mostrou que a população do Canadá percebe como melhor bem-estar animal das vacas leiteiras, o acesso a pastagens”, observa Anne-Marieke Smid, pesquisadora da Universidade de Calgary em Alberta, Canadá.
“Com colegas, pesquisei, durante meu doutorado na UBC, a preferência do gado leiteiro abrigado em sistema de free-stall para diferentes tipos de acesso externo. Descobrimos que as vacas passam 90% da noite no pasto, quando têm oportunidade”. O uso de pastagens também é mais amigável para o planeta porque depende única, e principalmente do crescimento da grama, não dependendo do transporte da alimentação.
Além disso, dependendo do manejo e de outros fatores particulares de cada fazenda, isso pode tornar a produção de leite mais econômica. De fato, a produção de leite no Brasil é focada no uso de pastagens devido seus baixo custo.
Além disso, este ano, “com grande incerteza para os produtores de leite devido à pandemia do coronavírus”, de acordo com a Faculdade de Agricultura, Alimentação e Empreendimentos Rurais da Irlanda do Norte, “é importante fazer o máximo do uso de pastagens para produzir leite para reduzir custos”.
Embora os benefícios e oportunidades no uso de pastagens sejam numerosos, parece ser difícil para muitos produtores de leite o aumento do uso do sistema. Por exemplo, não é possível o uso quando o número de vacas estão em espaços limitados, ou em partes do mundo como no Canadá, onde tem meses com chuva forte ou neve/frio.
Na verdade, o estudo de Smid e seus colegas descobriram que apenas 30% das fazendas canadenses proporcionam acesso a pasto para suas vacas em lactação, e menos de 60% soltam suas vacas secas em pastagens.
Atualmente Smid e seus colegas estudam os produtores de leite do Canadá Ocidental, para entender quais os condições que eles avaliam para o uso de pastagens, e quais as dificuldades encontradas para melhorar o acesso ao ar livre.
Desafio no uso de pastagens
Existem outras barreiras que impedem os produtores de leite de se beneficiarem com o uso de pastagens (recentemente elas foram listadas por equipes das Universidades de Bristol e Nottingham), incluindo crescimento variável e imprevisível dos pastos, baixa ingestão de massa verde, redução na produção de leite e pouca eficiência no uso de Nitrogênio (N).
No entanto, esses cientistas observam que “oportunidades existem para desenvolver novas abordagens no manejo de pastagens para enfrentar esses desafios, incluindo a aplicação de técnicas automatizadas para monitorar o comportamento durante a pastagem e o volume ingerido”. Eles acrescentam que “possuem processos para melhorar o crescimento das plantas e o desempenho animal”. Além disso, o consumo de capim pode ser aumentado com o uso de espécies forrageiras que possuam mais matéria seca (MS) ou melhor digestibilidade.
“O próximo passo na busca da pastagem sustentável é explorar o valor de diferentes misturas de gramíneas, leguminosas e outros vegetais”.
















