Argentina – 50 anos do setor lácteo na Argentina
Leite/AR – Com o objetivo de descrever a evolução do setor lácteo da Argentina nos últimos 50 anos, compilamos os dados gerados pelo grupo CREA Navarro fundado em 1974 e dissolvido em 2019, como se fosse um espelho da própria cadeia láctea local.

Foram incluídos dados das fazendas leiteiras reais em todo este período, complementando com informações colhidas por alguns dos membros que continuaram produzindo dados, mas, sem participar do grupo.
Fora das porteiras o setor lácteo da Argentina segue vagarosamente, mas da porteira para dentro houve marcada evolução técnica, produtiva e econômica.
Produção
A produção individual cresceu 2,3% anualmente; o crescimento de componentes do leite produzido foi de 0,25% anual e a produtividade (litros de leite/hectare) cresceu ao ritmo anual de 9,4%. Em todos os casos houve uma aceleração importante entre 1970 e 1990, moderando depois da crise 2001-2003. Cabe lembrar que na década de setenta foi registrada a mecanização generalizada da ordenha e o uso da inseminação artificial.


Valor da terra
Interessante notar a evolução do valor da terra (mais de 70% dos investimentos das fazendas) a de aptidão agrícola passou de US$ 2.000/ha para US$ 15.000/ha em 50 anos. Isto implica maiores arrendamentos (40% da superfície em atividade leiteira atualmente é em terra arrendada). O custo do aluguel por vaca cresceu 4,4% ao ano, medido em litros de leite (passando de 1,4 litros/VO/dia para 4,4 litros/VO/dia). Os valores históricos da terra foram obtidos da publicação Márgenes Agropecuarios.

Alimentação
As dietas foram mudando, primeiro com maior quantidade de matéria seca por vaca (+1,8% anual) e depois aumentando a concentração com incorporação de concentrados (+5% anual). O alimento com maior crescimento na oferta para a vaca foi a silagem (majoritariamente de milho), +35% anual. Este era utilizado muito pouco nos anos setenta e somente nos 3 meses de inverno (média de 0,4 kg/VO/dia) para chegar a 10 meses do ano com a média anual de 7 kg/VO/dia, atualmente.

Carga animal
A evolução da carga animal cresceu 1,6% anual sustentada pela maior produtividade e qualidade das pastagens (começando na década de setenta com pastagens mistas e aumentando significativamente o nível de fertilização), além de incorporar cultivos sazonais para ensilar com o qual se podia ter mais vacas no inverno, quando a pastagem era escassa.
Custos de produção
Realizando uma estimativa da evolução das receitas e despesas com alimentação, colocamos os números atuais do mercados nos cálculos de toda a série. Na conta de gastos em alimentação consideramos o custo dos ingredientes, o custo de distribuição (a partir do ano 2000 foi se tornando comum o uso de campos mistos) e também consideramos um valor do aluguel da terra por vaca/dia para fazer a evolução do preço da terra. No gráfico com a evolução da margem sobre alimentos (LLA) o incremento foi de 1,7% na LLA/VO/dia e +2,8% na LLA/ha/dia.

LLA=Litros livres de alimentos; GtoA=Gasto de alimentos expresso em litros/VO/dia;Alq/VO/dia= aluguel expresso em litros/Vaca Ordenhada/dia; LLA e Alq/ha/d=Litros livres de alimentos e aluguel/hectare/dia.
Mudanças climáticas
Quanto ao impacto ambiental, algo que começou a ser medido mais recentemente, se observa (usando o programa de nutrição CNCPS de Cornell) uma redução nas pegadas de carbono da ordem de 32%, graças, principalmente, à maior eficiência do processo produtivo (os LGC/kg MSO passaram de 0,92 para 1,12 litros/quilo MSO registrando 22% de aumento da eficiência de conversão em 50 anos).

















