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Especiais Selectus nº 5909

Debate sobre o impacto do Covid-19 no futuro do setor lácteo nas Américas  

Covid-19/Américas – Funcionários de primeiro escalão de governos e representantes do setor lácteo do continente americano participaram de um diálogo público-privado, promovido pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), para promover a elaboração de políticas e ações de cooperação das diversas regiões diante da crise do Covid-19.

Fonte: Agrositio - Tradução livre: Terra Viva
Debate sobre o impacto do Covid-19 no futuro do setor lácteo nas Américas  

A reunião, na qual foram abordados os desafios do setor, contou com a presença de funcionários e especialistas da indústria e um painel de debate com Carlos María Uriarte, ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai; Miguel García Winder, Subsecretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México; Daniel Pelegrina, presidente da Federação Panamericana de Leite (FEPALE); e Ramiro Pérez, membro da diretoria da Federação Centro Americana do Setor Lácteo (FECALAC).

O ministro Uriarte destacou que o Uruguai, que exporta 70% do leite produzido, não apresentou casos de infecções no setor, mas, foram adotadas medidas para ajudar as empresas e empregados. Ainda assim, os infectados tiveram sintomas leves, e avaliou que a principal mudança por conta da pandemia está na atitude dos consumidores.

“Mudará nossa preocupação com o que consumimos e como nos relacionamos. Estamos mais conscientes de que em determinadas circunstâncias somos todos iguais”, disse o ministro uruguaio. No âmbito internacional, “continuamos preocupados com o acesso aos mercados”, em particular pelo fechamento temporário da China diante da pandemia.

O Diretor Geral do IICA, Manuel Otero, destacou que “estamos diante de uma crise sistêmica, a mais importante dos últimos 100 anos e a cadeia láctea não é uma exceção entre as afetadas. O único caminho é sair fortalecidos com instituições mais flexíveis e mais sensibilidade social e ambiental”.

Otero também ofereceu o apoio pontual do IICA diante de várias das preocupações apresentadas pelos participantes e recomendou fazer uma análise global de todas as políticas públicas para o setor lácteo, com o objetivo de conseguir um setor lácteo mais verde e sustentável.

“É importante evitar a excessiva regulamentação das políticas sanitárias pois geraria o isolamento entre os países, o que devemos evitar, já que as ajudas internacionais estarão mais restritas”, alertou. “Se não nos ajudarmos, nada nos ajudará. Teremos que renovar nossa solidariedade, concentrar esforços e criar mais do que nunca as alianças público-privadas”, afirmou.

García Winder destacou que “não podemos manter grandes rebanhos sem aumentar a produtividade” e ressaltou que, no México, um dos principais produtores da América Latina, a indústria de laticínios se encontrava em um processo de mudanças antes do Covid-19.

“A pandemia só fez acelerar e nos fará pensar em coisas novas. O pior que poderia ocorrer seria construir uma realidade igual à anterior diante dessa crise. Temos a grande responsabilidade de fazer políticas verdadeiramente inclusivas. Precisamos de inovações, e temos que melhorar a produtividade, a renda dos produtores e ver como atender a demanda ambiental, cada vez mais urgente”, acrescentou.

Daniel Pelegrina ponderou que é importante promover o consumo do leite como motor da vida e promoção da saúde em uma região com mais de 600 milhões de consumidores, que na sal maioria ingerem menos do que o recomendado pelas autoridades sanitárias.

Pérez concordou com essa preocupação. “São necessárias ações de comunicação mais diretas com os consumidores urbanos, os millennials e novas gerações sobre as vantagens nutricionais e os efeitos sobre a saúde; também buscar uma setor lácteos mais verde com produtos diferenciados, com uma face mais humana. Esses elementos podem servir para ir mitigando os efeitos negativos deixados pelo Covid-19”, afirmou o diretor da FECALAC. Para ele, uma grande preocupação é a desvalorização das moedas da região, assim como as medidas sanitárias que definiu como “extremamente relaxadas em alguns casos”, particularmente pelo uso de substitutos do leite, um tema no qual a FECALAC vem trabalhando junto com o IICA de forma a conscientizar os consumidores.

No evento o Diretor Geral do IICA, Manuel Otero ofereceu o apoio pontual do Instituto para realizar uma análise global de todas as políticas públicas para o setor lácteo, em prol de um setor lácteo mais verde e sustentável.  

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