Pandemia “acelera a nascente tendência de um capitalismo não rentista”
Capitalismo – A crise do Covid-19 vem aumentando a atenção das corporações para o bem-estar social, em lugar da primazia dos acionistas dando ênfase à necessidades dos empregados, clientes, sociedade e meio ambiente, diz a agência Moody’s.

Imagem original publicada na revista Puck em 1883
A agência de classificação de riscos Moody’s Investors Service disse que identificar as consequência do Covid-19 será fundamental para fazer a análise de créditos.
No relatório “The Coronavírus experience” mudará hábitos e colocarão novos modelos de negócios, disse a Moody’s, embora muitas das consequências de longo prazo ainda não sejam conhecidas. Mas já foram identificadas três áreas com impactados duradouros para os fornecedores de serviços financeiros.
“Primeiro, esperamos que a recessão econômica global resultante obrigue os bancos centrais a manter por vários anos taxas de juros baixas ou até negativas e leve os governos a estimular o aumento fiscal com consequências imprevisíveis de longo prazo e variadas implicações para os bancos e seguradoras, principalmente.
Em segundo lugar, o surto será um poderoso catalisador de migração acelerada para processos de serviços digitais por consumidores e empresas.
Em terceiro lugar, a pandemia está acelerando a mudança da primazia dos acionistas para as diversas partes envolvidas, como clientes, funcionários e a sociedade em geral, impulsionando a implementação de aspectos sociais mais vigorosos na estratégia corporativa”, disse a Moody’s.
Sobre o terceiro ponto, a Moody’s diz que a crise na saúde e as dificuldades econômicas estão aumentando a atenção sobre o comportamento social das corporações, acelerando a mudança de foco para um maior número de partes interessadas. Notavelmente, nesta semana, o CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, disse aos funcionários esperar que os formuladores de políticas usem a crise do Covid-19 como catalisador na reconstrução de uma economia mais inclusiva, já que a pandemia expõe as acentuadas desigualdades.
“Algumas empresas estão mudando sua narrativa estratégica da primazia dos acionistas para dar maior ênfase à necessidades de outros entes da cadeia produtiva, como funcionários, clientes, sociedade e meio ambiente.
Essas medidas respondem a tendências sociais amplas e ganham força entre os principais CEOs e investidores importantes. Esperamos que as crescentes dificuldades econômicas causadas pela pandemia acelerar essa tendência ainda incipiente em relação ao capitalismo das partes, e não ao rentista.
O elevado desemprego estrutural causado pela subida transformação no comportamento do consumidor e a depressão de longo prazo em certas cadeias industriais devem apoiar essa mudança”, diz a agência Moody’s.
A agência de classificação de risco espera que bancos e seguradoras façam parte disso.
“O papel tradicional dos bancos é aceito há muito tempo como o de prestar um serviço à sociedade em geral. Por precaução, existem regulamentos para equilibrar, parcialmente, a tendência natural da busca de lucros pelas instituições capitalistas com a necessidade de manter a estabilidade financeira e o bem social.
O fiel da balança entre estas duas forças tendeu em favor da última desde a crise financeira global, em resposta à percepção de que o setor financeiro recebeu excessiva parte da renda gerada pela economia”.
“É provável que agora a mudança vá em favor do bem público. Muitos bancos estão oferecendo hipotecas e outros empréstimos, principalmente, mas não apenas em resposta à pressão política. A expectativa é de que canalizem fundos para empresas e famílias. Autoridades públicas determinam, em parte, os critérios de crédito, preços e administração desses empréstimos. Essa legislação adicional reduzirá a capacidade do setor financeiro agir de forma apenas comercial”, afirma a Moody’s.
De acordo com a Moody’s, as medidas de distanciamento social adotadas para conter a proliferação do Covid-19 estão causando choques econômicos e psicológicos sem precedentes, em todo o mundo. A experiência será um evento decisivo para muitas tendências sociais, de negócios e de crédito, afirma.
“A crise acelerou as tendências disruptivas existentes, levando a repensar hábitos convencionais, remodelando potencialmente os modelos de negócios, as preferências dos consumidores e a dinâmica competitiva.... Identificar o impacto duradouro dessas experiências será fundamental para a análise de crédito”.
A Moody’s observa que no setor financeiro, o distanciamento social criou um aumento na demanda por comércio on-line, pagamentos sem contato e transferências digitais de dinheiro.
A súbita e extrema experiência da pandemia está provando ser um catalisador onde velhos hábitos são suspensos, permitindo que os consumidores experimentem novas formas digitais de realizar negócios.
É provável que os clientes que recentemente encontraram novas formas de trabalhar e fazer compras poderão não retornar, completamente, aos antigos hábitos, quando as restrições forem levantadas.
















