Argentina – Decisões sobre os preços de maio já foram tomadas
Preço/AR – Levantamento realizado por TodoAgro com as principais indústrias de laticínios de Córdoba, que servem de referência para o preço dos queijos em todo o país, concluiu que o preço do leite ao produtor serão os mesmos de abril, ainda que existam algumas exceções.

Pelo menos cinco empresas de médio e grande porte, que produzem queijos, manterão os valores.
A iniciativa de baixas os preços ficou por conta da Nestlé, companhia que com o argumento de que pagava acima da média, anunciou que baixará em torno de 30 a 40 centavos por litro que compra de terceiros, e um pouco menos aos fornecedores próprios, disse uma fonte da empresa. O argumento baixista se completa com o perfil dos produtos que fabrica a multinacional suíça em suas fábricas na Argentina. A maioria vinculados ao mercado externo, o segmento mais impactado pela pandemia do Covid-19.
“A esta altura do mês afirmou que não ocorrerá nada diferente com o leite de maio”, disse uma fonte vinculada ao Centro da Indústria Leiteira (CIL), afirmando que os grandes atores da organização (Saputo e La Serenísima) têm compromisso com seus produtores de leite e antecipam com antecedência de 30 dias qualquer decisão e isso não ocorreu. A mesma fonte disse que existe alta probabilidade de que o leite entregue em junho tenha uma baixa.
Um importante industrial de Córdoba disse a TodoAgro que algumas indústrias filiadas ao CIL decidiram reduzir em 5%, mas, finalmente houve o consenso de que não haveria nenhuma baixa em maio, mas “baixemos todos juntos em junho”, foi o acordo durante a reunião.
Ao mesmo tempo foi intensificado um acordo com o governo nacional para que seja permitida alteração dos preços da lista de lácteos tabelados, já que está havendo elevação dos custos em insumos chaves como embalagens, caixas, fermentos importados, vitaminas e os salários dos trabalhadores vinculados a associação Atilra.
Ao nível produtivo o primeiro semestre foi excelente com aumento entre 8 e 9%. Para o segundo semestre haverá forte queda desse percentual já que as comparações serão realizadas contra uma base muito forte que foi o segundo semestre de 2019. Existe consenso de que o número final da produção de leite em 2020 ficará entre 4 e 5% maior em relação ao ano anterior.
Com base nessas projeções, e incluindo a análise econômica para 2020, outro industrial importante de Córdoba disse que podem ser estabelecidos dois cenários:
- Um, moderadamente otimista é que a economia caia em torno de 5%, implicando na queda de 4% no consumo de lácteos, ou seja, o consumo per capita cairá abaixo de 180 litros por ano, e um excedente exportável na ordem de 2 bilhões de litros de leite.
- Mas, também podemos ter um cenário mais pessimista, que implica queda de 10% no Produto Interno Bruno (PIB), e isso significaria sobra de 3 bilhões de litros de leite para exportar e isso significaria um grave problema. “Uma catástrofe de preços e um panorama muito difícil para a produção”, no entender de um industrial, já que haveria combinação de preços muito baixos ao nível mundial, impossibilitando a exportação de produtos, e um grande excedente no mercado interno.
















