Excesso de oferta tem potencial para manter preços mundiais do leite em baixa
Preços – A quebra da demanda mundial e a grande produção pressionará os preços dos lácteos para baixo, diz o economista do Westpac. Os exportadores enfrentaram o surto de Covid-19 na China melhor do que as expectativas, mas, a crise mundial em decorrência do vírus tem sido um desafio bem maior.

A expectativa da Westpac é de que o preço do leite ao produtor nesta temporada (2019/20) será de NZ$ 7,00/kgMS, dentro da faixa estabelecida pela Fonterra. No entanto, a próxima (2020/21) que começa em 1º de junho deve iniciar com NZ$ 6,30/kgMS e muita cautela, diante da grande margem de incerteza em torno de qualquer previsão futura.
Essas previsões são baseadas na queda de 15% verificada desde janeiro nos preços mundiais dos lácteos, mas a desvalorização do dólar neozelandês pode representar uma proteção da renda dos produtores locais.
O ASB tem um “cauteloso otimismo” e aposta em um preço de NZ$ 6,50/kgMS para a próxima temporada, mas o economista do banco, Nathan Penny observa os grandes riscos envolvidos e sugere que os produtores façam um planejamento contando com preços abaixo de NZ$ 6/kgMS.
O ANZ reduziu em 70 centavos a previsão para a próxima temporada, calculando em NZ$ 5,75/kgMS, com base nas mudanças dos padrões de consumo decorrentes das paralisações relacionadas ao Covid-19 em todo o mundo.
O Westpac diz que a demanda dos serviços de alimentação é a mais atingida enquanto continuarem fechados cafés, restaurantes e lanchonetes.
O analista de produtos lácteos do RaboResearch, Tom Bailey, disse que os preços dos lácteos na Nova Zelândia ainda estão “relativamente elevados”. No total, o Índice do GlobalDairyTrade caiu 0,8% mesmo com queda de 20% nos volumes ofertados, alinhados com o declínio sazonal de produção e expectativas tão variadas.
O relatório do Westpac diz que a oferta mundial de leite deve permanecer grande. A produção das principais regiões exportadoras cresceu 1% em fevereiro de 2020, quando comparada com 2019.
A entidade europeia European Milk Board – EMB pede o engajamento para a redução voluntária da produção de leite, enquanto os Estados Unidos, sem uma entidade semelhante, recorreu ao descarte do excesso de leite.
O problema ocorreu, principalmente pela redução na capacidade de processamento e interrupção das rotas de captação, mas, também pela demanda fraca.
A produção no Hemisfério Sul não foi tão atingida como se pensava. A captação na Austrália ficou acima da verificada no mesmo período do ano passado, mesmo com os intensos incêndios do verão.
Na Nova Zelândia houve queda na produção em decorrência das condições adversas do tempo, com a seca fazendo a captação cair 2% em março, quando comparada com o mesmo mês do ano passado.
















