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Especiais Selectus nº 5877

França – Uma escolha dolorosa, mas responsável

Leite/França – No dia 1º de abril de 2020, o Comitê Interprofissional de Gestão Municipal (CIGC) decidiu diminuir a produção de leite em 8% por três meses: uma decisão consensual e de acordo com a situação sanitária inédita que atravessa o mundo.

Fonte: Mon Cultivar - Tradução livre: Terra Viva

“Optar por limitar a produção justo agora que as pastagens estão no melhor momento – um período habitualmente de euforia para os produtores de leite, o momento do ano onde os tanques atingem o volume máximo – é contra a natureza”, reconhece Alain Mathieu, o presidente do CIGC, ele mesmo um produtor de leite em Bief-des-Maison, no departamento de Jura.

Foi uma decisão coletiva, tomada junto com outros três produtores de Origem Protegida (AOP) do Maciço jurássico (Morbier, Mont-d’Or e Bleu de Gex Haut-Jura). Uma decisão tomada com urgência e pela duração de um semestre.

Muitos fatores foram levados em conta. Primeiro a natureza completamente inédita da epidemia, sua violência, com muitas frentes de resistência que viraram nossas vidas de cabeça para baixo. Depois o impacto direto sobre os circuitos de distribuição e sobre o consumo de nossos queijos: a interdição da alimentação fora do domicílio, mercados e grande parte das lojas de departamento – três tradicionais canais extremamente importantes para nossos queijos de Origem Protegida – além das exportações, tornaram a situação muito complicada. Para os queijos de cadeia curta, como o azul de Gex, o impacto é muito mais forte.

Poder de compra reduzido pela recessão

Para o município, a gestão das taxas de desempregos gerados pelas câmaras de cura de queijos também entraram em debate: é exatamente nos meses de julho e agosto, logo depois do bom período de pastagens, que as caves ficam repletas, e as peças não vendidas ficam nas tábuas para serem curadas.

Enfim, mesmo que acreditemos em nosso queijo ocupa um lugar no coração dos consumidores, nós não podemos ignorar que a situação econômica será muito difícil e haverá repercussão no poder de compra. Quando as medidas de confinamento forem retiradas, serão necessários vários meses, ou até anos, para a vida retornar ao normal. Temos a obrigação de projetar o futuro e procurar conservar um certo equilíbrio entre a oferta e a demanda, e esta será menos dinâmica em 2020.  

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